SECOM empoderada: Encerramento contou com participação de mulheres jornalistas

A última noite da SECOM (Semana de Comunicação) no Campus da Tijuca da Universidade Veiga de Almeida não poderia ter sido melhor, na última terça-feira. Logo em sua abertura, a banda instrumental “Os burgueses” se apresentou relembrando as músicas da época da Tropicália e agitou o público no auditório. Após o show, aconteceu a palestra “Liberdade de expressão nas mídias sociais”, que contou com a participação de quatro grandes jornalistas mulheres e foi mediado pela professora do curso de jornalismo Diana Damasceno.

As quatro palestrantes no último dia da SECOM. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

As quatro palestrantes no último dia da SECOM. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

Diana Damasceno abriu a palestra tratando de uma questão muito polêmica nos dias atuais: será que em tempos de redes socais tudo pode na internet? Isso envolve o efeito causa e consequência, onde o resultado pode ser gravíssimo, e dessa forma a comunicadora Cláudia Chaves comentou que o grande problema da utilização das redes sociais é a questão do desenvolvimento narcísico, e que isso não leva a lugar nenhum. Para ela, no ponto de vista positivo, pode tudo nas mídias sociais por ser  uma nova forma de manifestar as individualidades, onde as pessoas deveriam saber utilizar disso e não ter medo dos novos processos, sabendo se adaptar as mudanças, principalmente as que acontecem em relação as mulheres. E completou: ” Viva o corpo, viva a liberdade sexual, viva o Happn e o Tinder (aplicativos de relacionamento).”

Cláudia Chaves em fala irreverente. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

Cláudia Chaves em fala irreverente. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

Já a jornalista e colunista do jornal “O Globo” Cora Rónai fez um comentário sobre o assunto levantado pela mediadora, citando que empresas e departamento de recursos humanos monitoram perfis de candidatos a vagas de trabalho e funcionários para verificarem de que forma agem em suas redes sociais. Ela ressaltou que “não é questão de censura, mas sim cuidado” e que no fundo as redes sociais são ferramentas de grande transformação. Ainda finalizou com um recado aos estudantes de comunicação: “Eu vejo a internet como uma grande aliada para nós, temos que apenas ter juízo ao usá-lá.”

Quando o assunto foi como as mídias sociais estão evoluindo, ninguém melhor para falar que Gabriela Mafort, especializada em novas mídias pela Universidade de Stanford. Na palestra, ela citou que vivemos em um novo mundo cada vez mais atualizado em que todos que usam alguma rede social são expostos para o mundo. “Estamos vivendo um novo momento da privacidade, ela não vai voltar mais, não adianta querer puxar para trás que não vai acontecer.”

Sobre as dificuldades de se achar noticias confiáveis e todo a polêmica envolvendo fake news, Gabriela se mostrou confiante na nova geração de comunicadores. “Temos que sempre estar comprometidos com a verdade, essa é a missão de um jornalista”. Ainda deu um exemplo sobre como as mulheres sofrem nos dias de hoje, mesmo com toda essa revolução tecnológica, citando um comercial da empresa de carros Nissan, que fez um comercial com mulheres empoderadas dirigindo seus carros e nos comentários do Facebook muitos homens trataram com desprezo e fizeram muitas piadas sobre elas, algo inaceitável para o momento que estamos vivendo.

Gabriela Mafort falando sobre o comercial da Nissan. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

Gabriela Mafort falando sobre o comercial da Nissan. Foto: Kim Oliveira / AgênciaUVA

Ao serem questionadas se possuem alguma história pessoal marcante relacionada à época da ditadura ou à alguma forma de censura que sofreram na vida, a jornalista e moradora do conjunto de favelas da Maré Gizele Martins falou do risco do comunicador comunitário, chamando a atenção para a questão do Brasil ficar em terceiro lugar no ranking de censuras a jornalistas. Gizele relatou acontecimentos de opressão quando ocorreu a ocupação do Exército na comunidade da Maré, em 2014. Disse que militares queriam se intrometer nas programações das rádios, proibindo estilos musicais como o rap e o funk por questões ideológicas e também atividades culturais nas ruas, como o “Cineminha dos Becos”. Ela contou ainda que foi expulsa de onde morava para não ser presa.

Gizele contou que os comunicadores comunitários não tinham mais direito de ir e vir, sendo obrigados a entregar os celulares para serem inspecionados toda as vezes que saíssem ou entrassem na comunidade, além das mulheres serem revistadas por militares homens, uma atitude extremamente contrária à lei. Com esse cenário de censuras dentro da Maré – algo completamente contraditório já que o país é uma democracia – , os comunicadores tiveram que procurar apoio fora da comunidade. “Em pleno 2018, no país que tem o maior número de genocídio da população negra, como eu vejo hoje o Brasil, depois de tudo aconteceu, pedir ditadura militar? Essas pessoas necessitam olhar para o povo que vive nas comunidades, para essa militarização dentro das favelas e periferias diariamente.”

Gizele ainda deu sua opinião sobre moradores da periferia que são a favor da ditadura militar: “O mais absurdo é que existem pessoas dentro da favela pedindo intervenção e é um papel nosso enquanto comunicador, jornalistas e movimentos universitários trocar informações sobre pessoas que já sofreram com a ditadura e pessoas que sofrem hoje no Rio de Janeiro. Precisamos fazer com que a intervenção no nosso Estado não chegue no Brasil todo.”

Eventos como a SECOM são necessários, ainda mais no momento atual do país. O universo universitário precisa disso, afinal a faculdade é um local de aprendizado e reflexão, e foi isso que aconteceu durante essa palestra inteiramente feita por mulheres.  Sorte de quem estava lá e voltou com um pouco mais de conhecimento para casa. Além dos incríveis convidados e do super “bate-papo” – pois o assunto foi tão bem abordado que envolveu todos, ocorrendo uma grande interação com o público presente – nada teria acontecido se não fosse pela produção e toda organização dos alunos de comunicação envolvidos no evento.

Os organizadores e alunos com palestrantes e professores. Foto: Thayná Duarte / AgênciaUVA

Os organizadores e alunos com palestrantes e professores. Foto: Thayná Duarte / AgênciaUVA


Kim Oliveira – 6º período e Thayná Duarte – 4º período

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