Cresce número de aplicativos com serviço de transporte exclusivos para mulheres

O número de casos de violência sexual contra a mulher está fazendo com que aumente a oferta de serviço de transporte voltados exclusivamente para o público feminino. Devido aos casos de assédio cometidos em serviços como Uber e táxis, alguns aplicativos já contam apenas com motoristas e passageiras mulheres. Uma pesquisa feita em todo o Brasil pela Actionaid em junho de 2016 divulgou números alarmantes: 86% das entrevistadas já haviam sofrido algum tipo de abuso em público em sua cidade. Em 2015, o instituto Datafolha revelou que é no transporte público que elas estão mais vulneráveis a esse tipo de violência. O índice vem crescendo conforme aumenta a consciência da importância de denunciar esses casos de violência e os agressores.

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Foto: Divulgação

Os casos não ficam restritos ao serviço público de transporte. Com o avanço no uso de serviços de carros particulares, subiu também o número de assédios na categoria. Muitas mulheres já prestaram depoimento contando suas experiências, na maioria das vezes traumáticas. Maior empresa no ramo, a Uber chegou a ser acusada de tentar silenciar mulheres que sofreram abuso utilizando seus serviços. A companhia argumentou que elas concordaram com a arbitragem quando assinaram o contrato.

A motorista da Uber Thamara Crespo explica o porquê de trabalhar somente durante um turno.”Como motorista de aplicativo, eu me limito a trabalhar somente de dia, mas não é por medo de assaltos nem nada do tipo, pois frequento madrugadas e não deixo de me divertir. É por medo de abuso e sofrer desrespeito desses homens que saem, bebem demais e perdem o controle achando que podem fazer o que quiser. Como não posso escolher o passageiro, eu evito.”

No ano passado, a escritora Clara Averbuck, 38 anos, divulgou em seu perfil no Facebook que foi estuprada por um motorista de Uber em São Paulo. Esse relato circulou pela internet e incentivou muitas mulheres a exporem os abusos que sofreram com motoristas particulares de diversas empresas. O resultado foi a hashtag #meumotoristaabusador, que reúne milhares de depoimentos contando de cantadas inofensivas a investidas físicas.

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Reprodução da página de Clara Averbuck com a denúncia do ataque. Foto: Reprodução

O crime de assédio pode acontecer de diferentes formas, como conta Ana Carolina (nome fictício). “Eu tinha pego um táxi e tinha pedido para o motorista me deixar em frente ao meu prédio, mas o próprio se negou e me deixou antes. Disse que só abriria a porta se eu desse meu número de telefone. Eu fiquei muito nervosa e acabei dando. Quando eu estava entrava em casa, ele não parava de me ligar. Tive que mudar de número.”

(Leia também: Saiba como identificar o assédio sexual no ambiente de trabalho e o que fazer)

Pensando em acabar com isso, as empresas de carros particulares vêm tentando se reposicionar no que diz respeito à segurança feminina. Não só com treinamentos mais aprimorados de como agir em situações de assédio ou violência para quem dirige, mas também com disponibilização de mulheres motoristas. E a procura por elas tem disparado, criando um novo nicho de mercado.

Embora seja recente, essa estratégia tem funcionado para não perder as consumidoras. A 99, por exemplo, viu crescer em 146% a procura por motoristas mulheres no último ano. Enquanto isso, outras empresas surgiram focadas apenas nessa demanda. É o caso da LadyDriver, Maria Drivers e Femitaxi, serviços exclusivos para mulheres em carros dirigidos apenas por elas. A Uber também está em fase de pesquisa buscando aprimorar e estudar um novo sistema que garanta a segurança feminina.


Bernard Múrcia – 6° período

 

 

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