Entenda como o krav magá contribui para mulheres se sentirem mais seguras no dia a dia

Devido ao número de registros de violência doméstica e urbana no Brasil, as mulheres estão buscando meios que as façam se sentir mais seguras tanto na rua quanto dentro de casa. Um desses métodos é o krav magá, técnica de defesa pessoal israelense criada para dar resposta a qualquer tipo de agressão, onde o impossível não pode existir. “O krav magá é uma necessidade, qualquer pessoa precisa fazer, pois para ter bons resultados na vida é preciso se sentir seguro, saber que vai sair de casa e voltar, não importa o que encontrará no caminho. Esse é o objetivo da técnica.”, explica o mestre Kobi Lichtenstein, professor de krav magá.

Recentemente, o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou o Dossiê Mulher 2018, que traz informações relacionadas à violência contra a mulher no Estado do Rio. O documento mostra que a maioria dos agressores são conhecidos das vítimas e apresenta dados estarrecedores de agressões ocorridas frequentemente, como lesão corporal dolosa, ameaça, atentado violento ao pudor, estupro, homicídio doloso e violência doméstica. Chama a atenção também a informação de que 66,6% das vítimas de estupro são crianças ou adolescentes.

Em 2015 foi criada a Lei do Feminicídio, que está diretamente ligada a homicídios dolosos contra mulheres justamente por seu gênero, sendo a pena de 12 a 30 anos de prisão. Após ser sancionada, o que era para ser uma vitória não mudou muita coisa. Na verdade, os casos só vêm aumentando.  No Mapa da Violência 2015, o Brasil ocupava a 5ª posição em uma relação de 83 países. Um levantamento de dados feito pelo portal de notícias “G1” para monitoramento da violência mostrou que em 2017 os casos aumentaram em 6,5% comparado ao ano anterior, registrando 946 feminicídios. Vale ressaltar que alguns estados ainda não haviam atualizado todos os dados quando a pesquisa foi fechada. 

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Psicóloga Renata Alli. Imagem: Isabel Maia / TV UVA Notícias

A terapeuta cognitivo comportamental e neuropsicóloga Renata Alli explica que a violência contra a mulher vem desde o momento que a sociedade a viu e a rotulou como sexo frágil, levando a acreditar que ela precisaria de alguém mais forte para protegê-la. As agressões podem ocorrer em casa, no trabalho ou na rua por meio de assédios, resultando em um sentimento de vulnerabilidade e medo, trazendo consequências psicológicas graves às mulheres (Saiba como identificar o assédio sexual no ambiente de trabalho e o que fazer). 

Aluno direto do criador do krav magá, Kobi Lichtenstein foi quem trouxe o método para a América Latina e deu aulas para grupos específicos, incluindo o de mulheres vítimas de estupro. Em entrevista na Top Defense, Sede da Federação Sul Americana de Krav Magá, em Botafogo, Kobi conta que a maioria das mulheres procuram o krav magá por causa da violência que se encontra hoje em dia nas ruas e diz que elas buscam uma defesa mais simples e objetiva. Ele explica que a técnica foi criada para qualquer pessoa, independente de idade, sexo ou preparo físico, pois mesmo quem nunca praticou esportes terá bons resultados em pouco tempo de treino. 

A médica Lais Velasco relata que se interessou pelo krav magá ao fazer uma aula experimental. Ela afirma que o aluno aprende a ser disciplinado e a entender as situações de risco que pode encontrar no dia a dia e assim pode fugir delas. Segundo a médica, o seu interesse pelo método não surgiu apenas por conta da violência contra a mulher, mas a todos os tipos de violência que se encontra no Rio de Janeiro.

Clara Almaza Pavetits compartilha da mesma opinião. A aluna conta que krav magá foi surpreendente. Ela acredita que, se tivesse conhecido o método antes, não teria passado por situações embaraçosas, como a de um ex-namorado agressivo. Para Clara, os homens vêem as mulheres como sexo frágil e por isso é preciso que as mulheres descubram sua força física para que possam se defender, entendendo seus limites. “A defesa pessoal é importante para aprender se impor e não ser dominada por nenhum agressor”. (Será que você está vivendo um relacionamento abusivo?)

A psicóloga Renata Alli comenta que a prática do krav magá é importante por auxiliar no autocontrole da mulher para que possa conhecer a sua potência física e, em conjunto com a terapia, possibilitar que ela se fortaleça como pessoa, para que dessa forma consiga lidar melhor com as situações tensas no cotidiano, como a violência. As agressões tendem a diminuir quanto mais mulheres aprenderem a se defender reconhecendo a sua força.

Mestre Kobi enfatiza que para estar preparado é necessário conhecimento técnico e capacidade mental. As aulas são estruturadas com simulações retratando a realidade da rua, começando da forma mais básica, avançando para a mais agressiva e, claro, cuidando para que o aluno não se machuque. Dessa forma, a parte técnica já ajuda bastante e, combinando com a “vivência da realidade”, também prepara o lado emocional. O professor também realiza seminários gratuitos no Dia Internacional da Mulher. Ele comenta que observa como as mulheres saem das aulas com uma outra visão do mundo, se sentindo muito mais seguras.

Professor na Barra da Tijuca, Leo Miller explica que o interessante é treinar o aluno prestando atenção na forma que ele costuma andar normalmente como, por exemplo, se mantém o cabelo solto ou preso, qual é o tamanho das unhas, justamente para estar preparado para enfrentar uma situação real. Ao reparar que algum costume possa atrapalhar no momento de se defender, ele ficará mais atento para se adequar andando da forma mais cômoda para que nada o prejudique em uma possível agressão. Qualquer pessoa que tenha interesse em conhecer a técnica pode fazer uma aula experimental. Todas as informações estão no site do centro de krav magá, como contato e os locais dos treinos.

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Thayná Duarte – 4º período

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