Em direção ao refúgio: Daniel Neves e a fé que pode custar a vida

Daniel Neves: "Ser um refugiado é ser vitorioso. Passamos por uma dificuldade a ponto de colocar nossas vidas em risco, saímos do nosso país para um lugar que também não sabemos o que poderia acontecer."​

Daniel Neves: “Ser um refugiado é ser vitorioso. Passamos por uma dificuldade a ponto de colocar nossas vidas em risco.”​

Ter fé é a certeza de algo que ninguém pode ver, mas sentir, existir. Essa convicção pode ser considerada uma arma poderosa, podendo ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Independente da religião ou filosofia, o poder da crença dá propósito à vida. Porém, quando utilizada de forma negativa, pode resultar em violência, perseguição, intolerância e preconceito. O refugiado Daniel Neves, 22 anos, nasceu em Luanda, capital da Angola, e sofria perseguição religiosa, por seguir o Tocoísmo, nome dado aos seguidores do profeta angolano Simão Toco. “Eu fugi, pois, não achei certo o presidente e a lei serem contra a religião que eu seguia”, afirma.

​Um dos maiores movimentos cristãos em Angola, essa doutrina religiosa é fundamentada pelos ensinamentos de Jesus Cristo e da Bíblia, sendo considerada uma vertente do cristianismo. De acordo com a Ajuda à Igreja Que Sofre (ACN), 33.7% da população angolana são protestantes, e 59.1% são católicas, formando assim a religião com mais seguidores no país. “Igrejas como a Mundial, Católica, Maná e entre outras, ficaram contra, e queriam eliminar os seguidores da minha religião”, afirma ele. Com o aumento da intolerância religiosa, Daniel passou a temer que algo pudesse acontecer. “Estavam matando as pessoas. Pedimos ajuda ao Governo, porém não adiantou. Eu tive que sair do meu país de origem para procurar a paz”, conta.

A primeira oportunidade que surgiu para sair de Angola foi justamente para se refugiar no Brasil. Daniel conta que precisou sair da capital e se esconder em M’Banza Kongo, uma cidade no interior do país. “Eu pedi ajuda para meus familiares, inclusive meu vizinho pagou minha passagem de avião e conseguiu um visto para mim, mas não fui pegar os documentos, pois tinha medo de sair”, relembra.

Há dois anos no Brasil, além de trabalhar, Daniel está se preparando para realizar um sonho: estudar engenharia mecânica. “Eu estou fazendo pré-vestibular na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e esse ano vou fazer o Enem. Primeiro eu procurei salvar minha vida e depois fui atrás dos meus objetivos. Meu sonho não morreu”, revela. Outro sonho de Daniel é estar legalizado no país, pois, até hoje, sua solicitação de refúgio não foi aceita, embora tenha CPF e o protocolo da Polícia Federal. “Ser um refugiado é ser vitorioso. Passamos por uma dificuldade a ponto de colocar nossas vidas em risco, saímos do nosso país para um lugar que também não sabemos o que poderia acontecer”, afirma.

Em direção ao refúgio: conheça as histórias de sete refugiados que encontraram um lar no Brasil


Vitória Benício – 8º período. Esta reportagem faz parte do trabalho de conclusão de curso  “Em direção ao refúgio” (acesse a íntegra) em Jornalismo na Universidade Veiga de Almeida – Campus Tijuca.

Leia também: Crítica do filme ‘Human flow – não existe lar se não há para onde ir’

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