Fãs de Sandy e Júnior reclamam de filas para compra de ingressos

Turnê de comemoração dos 30 anos será realizada em Agosto, no Rio. Fãs da dupla sofreram com as filas na bilheteria e também no site de venda de ingressos

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Imagem promocional da turnê “Nossa História” Foto: Divulgação

A venda de ingressos para a turnê “Nossa História”, em comemoração aos 30 anos de carreira de Sandy e Júnior, começou na quarta-feira (20), somente para clientes de cartões com bandeira Elo. Apesar da antecedência, muitos fãs reclamaram do tempo de espera para conseguir comprar o ingresso online. 

Já na madrugada de terça (19) para quarta-feira (20), foi possível ver a fila para a pré-venda sendo formada em frente à Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca. Os fãs que escolheram fazer a compra pelo site se depararam com o número de mais de 170 mil pessoas e quase uma hora de espera. O que surpreendeu também foi a cobrança de R$7,00 pela taxa de conveniência para aqueles que fizessem a compra online, prática que o STJ considerou ilegal no último dia 12 de março.

Mesmo com todos os esforços, não foram todos que conseguiram o tão sonhado ingresso para acompanhar o “turuturu” de Sandy&Júnior, já que os lotes foram rapidamente esgotados. Mas ainda não é preciso se preocupar. Apenas cerca de 40% da cota foi liberada para essa primeira fase de vendas. Ou seja, mais ingressos estarão disponíveis à meia-noite do dia 22, quando será liberada a venda oficial.O show de Sandy e Junior no Rio de Janeiro acontecerá no dia 3 de agosto, na Jeunesse Arena, Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Veja algumas das reações de fãs na internet:

Fãs reagem a compra de ingressos para o show
Fãs reagem a compra de ingressos para o show
Fãs reagem a venda de ingressos para o show

Arielle Curti – 7º Período

João Victor, o sertanejo que agita as noites na Baixada Fluminense

Carioca do riso fácil, simpático e carismático. Faz amizades por onde passa, com uma personalidade leve e uma enorme vontade de conquistar seus objetivos. É assim que João Victor Antônio Fraga, de 26 anos, completa cinco anos de carreira solo como cantor sertanejo e muita correria em busca de seus sonhos. Ele começou a cantar na igreja católica que frequentava com sua família, sempre participou do grupo jovem, mas nunca tinha feito parte da banda. Seu irmão, que sempre cantou na igreja, foi a motivação de João para começar a cantar. Mas houve um dia em que um dos professores de canto da igreja o ouviu cantar junto a seu irmão e quando precisou de alguém para cantar na missa, João foi convidado: “Foi assim que eu descobri que as pessoas gostavam de me ouvir”.

João Victor tem trabalhado em músicas autorais. Foto: Acervo pessoal

João Victor tem trabalhado em músicas autorais. Foto: Acervo pessoal

Passou-se um ano, João estava mais confiante e já gostava de cantar tão quanto gostava de sorrir, e passou a levar seu violão para a escola para se divertir com seus amigos. Com 16 anos, brincando de cantar no colégio, o convidaram para participar de uma audição, para ser vocalista de uma banda pop. Ele passou e entrou na banda. Na época, conciliava a música e seu trabalho como garçom. Todos os fins de semana, a banda tocava em matinês, às vezes não recebia nada. Mas o grupo chegou a tocar até na Festa do Tomate, tradicional evento de Paty do Alferes, que promove shows com grandes nomes da música popular brasileira, com feiras de artesanato e comidas típicas.

Aos 19 anos, sua banda chegou ao fim, pois todos estavam na faculdade e precisavam estudar. Mas João decidiu seguir seu sonho e montou uma dupla sertaneja com seu amigo de infância. Eles estavam sempre juntos. No grupo de amigos, eram eles que puxavam a cantoria e a roda de violão. “Eu acreditava que ia dar certo”. A dupla teve a oportunidade de cantar na Festa do Aipim, um grande evento de Nova Iguaçu, que reúne cantores e barracas com muitas comidas típicas à base de aipim. “Quando começamos eu ainda trabalhava como garçom, tive que largar, pois não tinha como as pessoas pagarem para me ver cantar e no outro dia eu estaria servindo as mesas. Desde então, comecei a focar só na música”.

Na época, o que estava em alta era o pagode, não existiam tantas duplas sertanejas. O início foi difícil, o mais complicado foi a aceitação das pessoas por conta do estilo da música. Mas sempre encontravam algum lugar para tocar. Aos 21 anos de João, após a dupla chegar ao fim, ele iniciou a carreira solo. Sua família e amigos o apoiaram desde o início e deram ainda mais força quando ele decidiu seguir em carreira solo. Alguns ficaram com o pé atrás, pois pensavam que era um futuro incerto, mas a mãe dele sempre o apoiou. “O sonho da minha mãe sempre foi ter um filho artista, ela ficou muito feliz com a minha decisão de ser cantor”.

A família de João é do interior de Miguel Pereira e ele cresceu ouvindo sertanejo, pois sempre escutou esse estilo de música. E ele ama as românticas, que tocam o coração. Desde que aprendeu a tocar violão, não abandona o sertanejo. Em sua antiga banda pop, pegava esse tipo música e as colocava no estilo da banda para poder cantar nos shows. “Eu não escolhi o sertanejo, foi o sertanejo que me escolheu. É com ele que me identifico”.

Hoje, João está trabalhando em algumas músicas autorais. E está de volta com os vídeos no Facebook e no seu canal no Youtube, ambos de nome João Victor Fraga, para que mais pessoas conheçam seu trabalho. No instagram, @cantorjoaovictor, ele faz vídeos diariamente para deixar seus fãs por dentro da sua agenda. João toca nos mais conhecidos estabelecimentos da Baixada Fluminense: Armazém do Samba, Beer King, Gregos e Troianos e Rio Sampa, em Nova Iguaçu, no Dubai Beer Point, em São João de Meriti, e outros lugares do Rio de Janeiro. “Nunca desista dos seus sonhos. Se você sonha, independentemente de qualquer coisa, vá em frente, que o resto Deus resolve”.


Reportagem de Karine Barcellos para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

 

Mc Novinho: um funkeiro em ascensão

O jovem de origem humilde, que na infância sonhava em ser jogador da seleção brasileira de futebol, hoje começa a colher os frutos do seu suado sucesso no mundo do funk. João Paulo de Melo, o Mc Novinho, ou apenas Novinho, como prefere ser chamado, de 25 anos, já se apresenta há mais de dez anos como funkeiro e é apaixonado pelo que faz. “Quando tinha 15 anos comecei a dançar em um bonde de funk, Os Safadinhos, era o mais novo deles, daí que veio o apelido de novinho. Depois fui seguir a carreira de Mc e é nessa que eu estou até hoje. E quero ficar”.

Material de divulgação da música "Toca aquela", de Mc Novinho. Foto: divulgação

Material de divulgação da música “Toca aquela”, de Mc Novinho. Foto: divulgação

Mc Novinho ganhou visibilidade com o sucesso da música “Toca Aquela” e já teve seu clipe produzido e dirigido por Kondizilla, um dos maiores expoentes do funk na internet, que tem um canal no YouTube com mais de vinte milhões de inscritos. O clipe promete impulsionar ainda mais o sucesso do Mc. Atualmente, Novinho faz uma média de 20 shows por mês. “Estou fazendo show pelo Rio todo, é muito bom fazer sucesso e ser reconhecido”.

O Mc conta que, sem sua família, esse sucesso nunca seria possível. A família sempre o apoiou bastante nos seus sonhos e ambições dentro e fora do funk. “Eles me apoiam muito, em tudo. Sempre apoiaram. Meu sucesso também é deles”.  Além da família, quem mais incentiva Novinho a seguir sua trajetória como Mc são os seus fãs. Ele diz sentir um carinho especial por todos, principalmente as mulheres. “Sou apaixonado pelas minhas fãs e elas por mim”, afirma ele com um sorriso no rosto.

Novinho confessa que adora sentir o assédio das fãs, que é grande, mas não parece incomodar sua namorada. “O assédio é grande sim, eu amo, mas minha namorada não se importa, nem liga. Ela não é ciumenta e fica feliz pelo meu sucesso, sabe o quanto eu batalho”. Ele próprio gerencia e administra sua carreira, e mesmo sem contar com nenhum investidor que o patrocine, o que é relativamente comum na música, hoje seus ganhos mensais giram em torno de R$ 50 mil.

Mc-Novinho

Mc Novinho. Foto: divulgação

Apesar disso, Novinho revela que ainda não conseguiu realizar seu maior sonho de consumo. “Sempre quis comprar uma casa com piscina. Ainda não deu, só tenho dois meses de sucesso, mas tenho fé que vou conseguir realizar esse sonho”, conta ele, rindo. Ele também afirma que sua realização não vem somente dos bens comprados com o dinheiro ganho na carreira. “O mais gratificante é o valor que eu dou para tudo, só eu sei da minha luta e perseverança em conquistar o sucesso”.

Para o futuro, Novinho já tem planos a longo prazo. “Quero abrir uma firma de funk. Sem empresário no meio. Quero trabalhar com novos artistas. Lançar gente nova”. Ele, que hoje se diz realizado com seu trabalho e com tudo o que conquistou fazendo o que faz, também diz que ainda almeja muito mais daqui para frente na carreira. “Tem muita gente com quem eu quero cantar, muito lugar onde ainda quero tocar. Pretendo aproveitar ao máximo todas as oportunidades que eu conseguir”.


Reportagem de Matheus Marques para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

 

Banda Memora quer lançar seu primeiro álbum em 2018

Momentos memoráveis da vida ficam eternizados. E a banda Memora traz isso no nome, que vem do latim “Memorabilia”, significando “coisas que devem ser lembradas”. Pois 2017 foi um ano assim para o grupo musical, composto por Rafael Lima (Vocalista e Guitarra), Rod Xavier (Guitarrista e Vocal), Willian Mardônio (Baterista) e Lucas Soares (Baixista). Além do crescimento nas redes sociais, eles conquistaram a vitória em um concurso de música e comemoraram a principal conquista: tocar no Rock in Rio 2017.

A banda, formada em 2012, não tem um estilo definido em sua sonoridade. Embora o rock seja sua espinha dorsal, eles flertam com o Pop, o Funk Rock, o Alternativo e o Indie. “O nosso estilo provém desse caldeirão sonoro que cada um de nós acrescenta à Memora”, diz Rafael. Uma das influências do grupo é a Dave Matthew Band, que junta elementos do rock como dinâmica, intensidade e vocais rasgados, colocando diversas formas musicais fora do rock.

Banda Memora

A Memora passou por algumas dificuldades e contratempos em sua trajetória. Uma das maiores foi quando foram assaltados na saída de um ensaio e perderam todo o equipamento, entre eles, guitarra, pratos de bateria, mesa de som, computador e carro. “No momento bate um desânimo, uma tristeza, um pensamentos se vale a pena. Mas com o apoio da família e dos amigos seguimos e conquistamos novamente o que tínhamos perdido e prosseguimos fazendo o que acreditamos, batalhando pelo nosso sonho”, diz Willian.

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Em cinco anos de banda, o maior feito certamente foi ter tocado em um dos maiores eventos do mundo, o Rock in Rio. A conquista veio depois de terem vencido o primeiro Festival de Música Universitário 2017 (FMU), que tinha como prêmio tocar no evento mundial do rock. Uns dos benefícios de terem subido ao palco do Rock in Rio foi o aumento de interesse do público pela Memora, além de reconhecimento, elogios e palavras de pessoas como Liminha, produtor musical e antigo baixista da banda Os Mutantes. “Há uma expectativa quanto ao que temos a mostrar pela frente e também futuras parcerias importantes em negociação”, diz Rod. Além de ter tido a oportunidade de ver perto ícones da música, foi um combustível para a carreira do grupo e algo enriquecedor no sentido profissional. “Acreditamos que foi realmente uma escola pela qual toda banda independente deve passar, porque ali é algo de nível internacional”, diz Rafael.

Para o futuro, o foco da banda é lançar seu primeiro álbum, previsto para o início deste ano e que está sendo produzido por Felipe Rodarte e os engenheiros musicais do Estúdio da Toca do Bandido, por onde já passaram bandas como O Rappa, entre outros. “Tem muita coisa no nosso radar de planejamento: clipes, disco, shows. Mas tudo será bem desenhado e organizado para que 2018 seja ainda mais lindo do que 2017 foi”, diz Rafael. Os rockeiros também pretendem fazer uma tour pelo Brasil, com o objetivo de difundir suas músicas para vários lugares do país que ainda não conhecem a banda. “Com o lançamento do disco, quem sabe isso seja o maior combustível para esse grande passo em nossa carreira”, diz Lucas.

A mensagem que o grupo passa por intermédio das músicas é de fé, amor e esperança. “Tentamos mostrar e passar o que mais falta no mundo nos dias de hoje, as pessoas precisam de mais amor”, diz Willian. O feeedback com o público tem sido muito grande nos shows que a banda tem feito, prova disso é o número de visualizações no Youtube da música “Ela”, que conta com mais de dezoito mil views. “É um sentimento de dever cumprido ver as pessoas cantando nossos refrões com a maior verdade, fazendo realmente parte da nossa história”, diz Lucas.


Reportagem de Luhan Santos para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

O retorno de gigantes do rock brasileiro

Um recomeço foi marcado para o dia 7 de Maio na histórica casa de shows “Circo Voador”, na mais tradicional zona boêmia do Rio de Janeiro, a Lapa. O Barão Vermelho saiu da garagem e voltou a alçar voo, um tanto arriscado e com princípio de turbulência. A viagem foi bem agitada, mas isso é um bom sinal. Meia-noite é o horário em que, tradicionalmente, a carruagem vira abóbora, mas quando se trata de um show de rock’n’roll é quando a mágica começa.

Foi exatamente nesta hora que a introdução à banda surgiu no telão, e uma versão forte de “Pedra, Flor e Espinho” é iniciada por um riff de Rodrigo Suricato, que subiu ao palco como aquele jogador da base que entra aos 45 minutos do jogo para marcar um gol de bicicleta e dar o título ao clube, acabando com qualquer dúvida sobre a sua escolha. Ele substituiu Roberto Frejat, que esteve à frente da banda por boas três décadas como guitarrista principal e vocal. Suricato trouxe à banda novos arranjos e uma perspectiva mais folk ao blues influenciado pelo Rolling Stones do Barão.

Um bom exemplo de por quê os fãs não poderiam se decepcionar foi o potente início do setlist, similar ao do disco icônico “Barão ao Vivo”, de 1989, em que a banda soava como um grupo de hard rock ao estilo Humble Pie. “Ponto Fraco”, “Carne de Pescoço”, “Pense e Dance” e “Bete Balanço” levaram todos os presentes ao delírio, é o momento rock do show. Após essa catarse, a primeira surpresa foi o hit oitentista “Dignidade”, música que parecia estar esquecida dos sets. Os Barões não esconderam o medo de estarem completos, só que “imperfeitos” – com o perdão da apropriação do refrão da música “Meus Bons Amigos”. Eles sabiam que a missão era dura, já que essa seria mais uma remontagem, com um terceiro frontman oficializado – a figura que é a primeira a atrair os olhares das multidões e do fã mais fiel.

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[foto: Roani Sento Sé/Agência UVA]

Se levar em conta que Suricato não estava assumindo só o posto que foi em outrora de Frejat, mas também de Cazuza, houve uma certa inquietação no ar. O multi-instrumentista teve que provar que estava no lugar certo – para si mesmo e para os fãs. Sem fazer pose, abusou de bons solos de guitarra, pouco semelhantes aos de Frejat, assim como arriscou os vocais na tonalidade original, feitos dignamente. Os outros companheiros de banda, Rodrigo Santos e Fernando Magalhães, iam a todo o momento demonstrar carinho ao novo integrante, assim como Guto Goffi e Maurício Barros – fundadores do Barão. Os dois reforçavam a todo tempo a importância de Suricato estar no posto de vocalista. E, pela reação dos fãs, a apresentação de duas horas poderia ter durado bem mais. Com todo esse background, pela bagagem de seu projeto anterior e pelo apoio a músicos como Erasmo Carlos, Suricato demonstrava em meio a sorrisos e brincadeiras estar tranquilo e feliz de estar ali.

Outros pontos altos da apresentação foram as performances de Maurício Barros, tecladista e um dos primeiros integrantes do Barão Vermelho, tendo seu momento de evidência em ‘’Down In Mim’’, e assumindo os vocais de um lado B que há muito tempo não se ouvia nos repertórios do Barão, o blues “Não Amo Ninguém”. Outro que foi para os vocais foi Rodrigo Santos, o baixista que recentemente esteve em tour com Andy Summers do The Police no lugar de Sting. Ele cantou o hit do último disco de inéditas da banda, a música “Cuidado”, de 2004. Um tradicional rock direto ao ponto, com suas linhas de baixo seguindo precisas e muito bem audíveis em todo o repertório.

É provável que em dado momento surja aquela frase: “O Barão está sendo cover de si mesmo”. A resposta que a banda deu para essa provável impressão de alguns críticos veio através das baladas do set. O blues “Quem Me Olha Só”, uma das surpresas do show, trouxe Suricato na gaita. “Eu Queria Ter Uma Bomba” e “Enquanto Ela Não Chegar” ganharam roupagens novas com guitarras que pouco lembravam as versões presentes no “Balada MTV”, de 1999, fazendo com que elas ficassem atuais ao formato do mercado. “Tão Longe de Tudo” e a icônica “Por Você” também ganharam ar renovado, uma sonoridade mais folk e belos arranjos de Fernando Magalhães e Rodrigo Santos. As duas foram cantadas pela multidão que estava no Circo como se estivessem sendo tocadas pela primeira vez após estourarem nas rádios, como se nunca tivessem sido tocadas ao vivo.

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[foto: Roani Sento Sé/Agência UVA]

Em determinado momento, de surpresa, Guto Goffi anunciou um áudio do percussionista Peninha – falecido em Setembro de 2016 – tocando e introduziu a clássica faixa “Puro Êxtase”, que fez a alegria dos fãs saudosistas. Goffi foi ao microfone antes de mais um bis para homenagear e dedicar o show a três pessoas importantes do Barão Vermelho que partiram: Ezequiel Neves, Cazuza e  Peninha. Frejat também foi lembrado por Rodrigo Santos, que presenteou a banda antes do show com flores – fato contado pelo baixista em uma rede social. Os fãs gritaram o nome do percussionista Peninha durante a apresentação. A presença do músico nas canções fez falta, e, apesar da banda estar reunida no seu formato inicial, havia a sensação de que faltava algo no palco.

O show foi realmente uma celebração que viajou por todas as fases, levando em consideração sons como “Billy Negão”, do primeiro disco, “O Poeta Está Vivo”, do álbum “Na Calada Da Noite”, e “O Tempo Não Para”, de Cazuza, que entrou no setlist da banda no final dos anos 1990. Por sinal, teve mais uma música do saudoso Cazuza que foi tocada com novo arranjo – o clássico “Brasil” apropriadamente recebeu sua versão “baronesca”. Ainda rolou um mix entre “Menina Mimada” e “Declare Guerra”, que são canções imprescindíveis no repertório do grupo. Para o gran finale, como não poderia deixar de ser, a música que fechou o show foi o petardo “Pro Dia Nascer Feliz”, outra canção que tem uma conduta política necessária para a realidade atual do país e um duelo de solos de Suricato e Fernando.

Lula Zeppeliano, fundador do fã-clube brasileiro da banda Led Zeppelin e um dos fãs mais reconhecíveis do Barão Vermelho, falou como foi o encontro dos presentes com os ídolos pós-show. “Conforme o prometido por Guto Goffi, eles não ficaram dentro do camarim. Receberam todos os convidados e mandaram abrir para todos os fãs, amigos, conhecidos da banda. Os Barões atenderam um a um, com fotos, autógrafos e muito carinho”. O sucesso da noite que marcou o retorno do Barão Vermelho aos palcos demonstra que o Brasil estava necessitando de mais uma dose de rock e agradece a volta de uma das maiores bandas do nicho do país.


Roani Sento Sé – 7º Período

Razão para cantar

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Cantor Ricardo Castro se preparando para o show. [foto: Luana Uchoa/ Agência UVA].

“A grande lição da vida, baby, é ter medo de ninguém, nem de nada”. Seguindo a fala de Frank Sinatra, o cantor Ricardo Castro mostra que tudo depende das nossas escolhas e sonhos. Viajando pelas estradas da vida, o cantor, de 50 anos, se apresentou no Shopping dos Sabores, em Botafogo, na última sexta, dia 10. Com um show que caminhava entre os clássicos antigos, tanto estrangeiros como nacionais, o intérprete animou o público e despertou curiosidades a respeito das suas motivações.

Formado em Direito, Ricardo afirma que, para sair do comodismo, tenta fazer coisas novas. Desde a produção de pão à vontade de seguir a hotelaria, o cantor explora meios que acha interessante, apesar de sempre ter tido experiências com a música. Quando criança, aprendeu piano clássico, o que foi útil na banda formada por amigos. Mesmo abandonando a aula tradicional do instrumento, Ricardo mostrava potencial nas audições, tornando-se, mais tarde, parte do conjunto musical do primo.

Passados alguns anos, recebeu alemães em casa e, ao cantarem “Vá Pensiero” da Ópera “Nabuco”, de Giuseppe Verdi, que no passado foi tema da propaganda do Partido Liberal, eles perceberam que Ricardo tinha uma boa extensão vocal. Após isso, estudou um possível desenvolvimento na música, sendo reconhecido pelo discreto produtor musical Romílson Luís Pereira, um dos fundadores e responsáveis pelo grande sucesso da Rádio Cidade, 94 FM e Antena Um Light FM.

Sem esperar por oportunidades, resolveu aprender o estilo Lírico e, com o professor de canto Vinícius Kirchhof, foi aprimorando as habilidades vocais. Segundo Ricardo, as aulas são “a academia de ginástica da corda vocal”, e diz que a vida de cantor não é tão fácil quanto parece. Planejando cantar trechos de musicais fora do país, ele diz que não sabia o potencial de sua voz, e que “não sabia que podia extrair algo tão animal”.

Defensor da ideia de reconhecer até onde a voz pode ir, ele explica que todos têm uma razão na vida, mas que é necessário entender que ela nem sempre é justa. Os exercícios ajudam na base e aprimoramento, mas o conhecimento e dedicação devem partir da vontade e da sorte, ou seja, das oportunidades que podem surgir para tal conquista.

O cantor também diz que as pessoas precisam ver o momento. Elas querem saber o que está acontecendo e o motivo. Pensando nisso, ele posta vídeos de ensaios em seu canal do Youtube (“Ricardo Castro”) para mostrar a forma crua que um projeto de um artista possui antes de ser apresentada a finalização. Apesar de não ter pensado na possibilidade de fazer música, o cantor planeja gravar um disco.

Com um repertório que passa por tradicionais cantores e compositores, tais como Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, dentre outros, o de Ricardo timbre modela a noite e movimenta os braços de quem gosta das antigas. O músico afirma, também, que apesar dos elogios espontâneos e motivacionais, nem todos sabem se expor, defendendo a ideia de que o importante não é saltar de marketing em marketing, mas, sim, de mostrar uma identidade por meio da voz e personalidade.

Ricardo Castro se apresenta às sextas-feiras no Prost Bier (rua Gen. Polidoro), em Botafogo, e, possivelmente, visto que é um local concorrido entre cantores e grupos musicais, tocará no Sabor da Morena Bar & Restaurante (rua São Miguel), também em Botafogo. Horários a confirmar.


Luana Ucha– 3º Período

Celebrando o rock n’ roll brasileiro

Na noite da última sexta, dia 21, mais um evento grandioso foi sediado pelo Palco Arena da Fundição Progresso, na zona boêmia mais famosa do Rio de Janeiro, a Lapa. Os responsáveis por agitar o público carioca com muito rock foram duas das maiores bandas brasileiras do gênero: Raimundos e Capital Inicial. E mesmo com as baixas na temperatura devido à súbita mudança de tempo na cidade e a insistente garoa, um numeroso e diversificado público se deslocou até a casa de shows para assistir às apresentações. No entanto, um detalhe que surpreendeu os interessados foi o fato de o horário de início ter sido antecipado de meia-noite para as 23h.

O primeiro grupo a subir ao palco foi o Raimundos, que tocou seus hits clássicos – como “Mulher de Fases” –, releituras de composições de outros artistas como “Vinte e Poucos Anos”, de Fábio Jr., e “Vida Inteira” – adaptação do célebre samba “O Meu Lugar” (Madureira), de Arlindo Cruz –, além de novos trabalhos, como “Gordelícia”. “Seja gordo, magro, careca, cabeludo, a gente tem que se amar do jeito que a gente é”. Ao longo da apresentação, foi inevitável a formação das famigeradas “rodinhas punk” (mosh pits) – aquele momento em que os fãs de rock começam a pular, ao estilo headbanger.

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Já pelo fim do show, após vários pequenos “protestos” originados pela atual situação político-econômica do Brasil, os integrantes da banda demonstraram não se incomodar com os “levantes” da plateia. “Quanto mais cedo a gente se interessar por política, mais cedo as máscaras vão cair”, o líder da banda afirmou. Depois de duas horas de concerto, os Raimundos deixaram o Palco Arena para que instrumentos e cenário do Capital Inicial fossem montados, enquanto o público ansiava pela próxima apresentação. Os membros da banda brasiliense assumiram o comando da noite por volta de uma e meia da madrugada, trazendo muitas surpresas para os fãs.

O show já começou em modo frenético com a intensa composição “Ressurreição” – do álbum “Das Kapital”, de 2010 –, que foi seguida por dois sucessos do grupo: “A Mina” e “Mais”. Na sequência, Dinho Ouro Preto “recepcionou” o público oficial. “Vocês não sabem a honra que é tocar aqui no Rio de novo”, ele afirmou. “Os nosso primeiros grandes shows foram aqui, então, este lugar, para nós, é solo sagrado. Por isso, sejam muito bem vindos”.

Em seguida, Ouro Preto explicou alguns detalhes que foram preparados especialmente para esta apresentação na Fundição. O líder do Capital contou que a apresentação seria dividido em duas partes: a primeira contendo o repertório do DVD, com músicas produzidas após 2002 – inclusive, utilizando o mesmo cenário, a mesma iluminação –, porém com arranjos diferentes; e a segunda parte teria trabalhos realizados antes de 2002. “Vão ser mais de duas horas de show! Eu espero que vocês tenham trazido óculos de sol, porque vocês só vão sair daqui quando o sol aparecer!”.

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Com esta programação, muitas canções que já não entravam na setlist dos concertos do Capital Inicial havia muito tempo, voltaram a ser tocadas, como “Olhos Vermelhos”, que ficou “engavetada” por cerca de dez anos, segundo Dinho Ouro Preto. O vocalista aproveitou a música “Melhor Do Que Ontem” para tecer comentários acerca dos escândalos de corrupção que tomaram conta dos noticiários. “É uma música sobre otimismo. Às vezes, é difícil… A gente abre o jornal, liga a TV e é só roubada. No entanto, cara, às vezes, tem uma notícia boa, como, por exemplo: o Cunha foi preso! Coisas boas acontecem”, diz Dinho, em tom de brincadeira.

Durante o show, o roqueiro também contou detalhes da produção do DVD, que teve participação especial de Seu Jorge e Lenine. Dinho revelou que o cantor nordestino queria aproveitar a contribuição em algumas das músicas para celebrar o rock n’ roll brasileiro, logo, a primeira ideia que passou pela cabeça de todos foi gravar uma música do Legião Urbana, e a composição escolhida foi “Tempo Perdido”, o que emocionou o público presente. “Faz vinte anos que o Renato [Russo] se foi. E não existe ninguém que chegue perto do que ele representa. Então, ele deve ser celebrado sempre”.

Ao longo da segunda parte da apresentação, os integrantes do Capital Inicial empolgaram ainda mais a plateia tocando os grandes clássicos do rock nacional – incluindo músicas compostas por Renato Russo na época do Aborto Elétrico, como a densa “Fátima” (a mais pedida pela audiência desde o início do show). “Uma vez, quando eu tinha dezesseis anos, eu estava voltando da escola e vi dos rapazes na porta de uma lanchonete tocando essa música em troca de um sanduíche. Um daqueles garotos era o Renato”, Ouro Preto narrou. “Voz, guitarra, bateria, tudo ligado no mesmo amplificador, mas dava para entender alguma coisa. Quando eu ouvi aquela letra, percebi que era a música mais bem escrita do rock brasileiro e pensei ‘o Capital tem que melhor muito ainda”.

As homenagens à mais famosa banda brasileira da história continuaram presentes até o final da noite. Antes do “hino” “Que País É Esse?”, Dinheiro Ouro Preto pediu que cada pessoa dedicasse a algum político brasileiro que seja motivo de indignação; o cantor declarou que, uma vez que Eduardo Cunha foi preso, a “bola da vez” seria Renan Calheiros. Quando a apresentação chegou ao fim, os membros do Capital Inicial se mostraram eufóricos por terem cumprido o prometido. “Duas horas e vinte e cinco minutos de rock n’ roll na cabeça de vocês!”, comemora Dinho. “Muito obrigado por terem vindo, por terem esperado e por gostaram da nossa música”. A princípio, o hino contra a corrupção seria o encerramento na noite, mas o público pediu mais, então o fim oficial foi um momento à capella da música “Mudaram As Estações”, mais uma homenagem a Renato Russo, um dos maiores nomes do rock brasileiro.


Daniel Deroza– 4º Período

Noite de rock na Lapa

 

Na noite do último sábado, dia 15, o palco principal da Fundição Progresso, na Lapa, recebeu uma dose dupla sonora mais que especial: Lenine e Nação Zumbi. As duas apresentações aconteceram em sequência e lotaram a pista de uma das principais casas de show da zona boêmia do Rio de Janeiro.

Como de costume, os portões da Fundição foram abertos ao público às dez da noite, uma hora e meia antes da primeira apresentação – quando uma extensa fila já se formava em frente ao local. Enquanto o show não começava, os auto falantes do espaço tocavam um variado repertório de música, que ia desde Caetano Veloso e Gilberto Gil à Cássia Eller, passando por Bob Marley, Marcello D2 e Karol Konká.

O primeiro show, marcado para onze e meia da noite, atrasou, sendo iniciado após a meia-noite. Porém, levando em consideração o começo do horário de verão na madrugada de sábado para domingo, pode-se dizer que o show começou após uma da manhã.

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Logo após o início do concerto, uma jovem da plateia passou mal e desmaiou devido ao calor que fazia na pista da Fundição, o que fez Lenine interromper a música “Na Pressão” para saber o que estava acontecendo em meio ao público. “Tem uma pessoa desmaiada? Então, por que ninguém ajuda? Tem tanta gente aqui. Levem a pessoa para um lugar com menos gente”, ele pediu.

Após a canção “Quede Água”, Lenine agradeceu a oportunidade de estar no palco tocando com amigos e explicou detalhes sobre a setlist do show. “Deu para perceber que eu estou priorizando composições novas, do meu novo trabalho, o ‘Carbono’, então muitas das músicas que vocês querem ouvir não estão no repertório”, ele esclareceu. “Sabendo disso, eu resolvi ‘abrir uma janela’”, o cantor declarou antes de tocar sucessos como “Hoje Eu Quero Sair Só”, “Martelo Bigorna” e “Magra”.

Para a surpresa do público, Lenine não deixou o palco para que os integrantes da Nação Zumbi se apresentassem. “O fim é também sempre um começo. E, hoje, eu tenho a honra de dividir o palco com uma das melhores bandas de rock do planeta”, ele anunciou antes de chamar o grupo para tocar algumas músicas em parceria, entre elas “Que Baque É Esse?”.

Quando Lenine deixou o palco, foi a vez do rock pesado do Nação Zumbi entrar em cena, fazendo a plateia pular, balançando o cabelo como os headbangers dos anos 80 – e não apenas os jovens, havia muitas cabeças grisalhas entre os “dançarinos”. O segundo grande momento da apresentação foi a composição “A Melhor Hora da Praia”, a mais pedida pelos presentes na pista.

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Ao longo de toda a noite, entre uma música e outra, diversas pessoas da plateia aproveitavam para fazer “protestos” políticos, como o já tradicional “Fora, Temer!” e o novo “É Freixo!”, mas este detalhe não chegou a atrapalhar o andamento das apresentações, sendo praticamente ignorado pelos artistas.

Pôde-se notar que quanto mais próximo o fim do show, mais hits, como “Quando a Maré Encher”, surgiam na setlist do Nação Zumbi, que quase encerrou o show com o clássico “Maracatu Atômico” – não fosse pelo bis, do qual Lenine participou, findando a apresentação com outro sucesso: “A Praieira”, enquanto o público se despedia dessa noite dedicada ao rock brasileiro.


Daniel Deroza – 4º período

The Voice Kids em Copacabana

Em comemoração ao Dia das Crianças, comemorado nesta quarta-feira, dia 12 de outubro, o Theatro NET Rio recebeu um evento mais que especial: o show do grupo Estrelar, composto por Daniel Henrique, Gabriel Gava, Carol Passos e Mari Cardoso, todos ex-participantes do reality show musical da Rede Globo, The Voice Kids.

Cerca de uma hora antes da apresentação – marcada para as quatro da tarde, uma longa fila – formada por público pagante, convidados da produção e imprensa – já se formava na porta do teatro, em Copacabana. O show começou com um pouco de atraso – por volta das quatro e vinte da tarde – mas isso não desanimou a plateia, que vibrou assim que o quarteto surgiu no palco.

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Grupo Estrelar e as três convidadas

O repertório da apresentação era bem variado – do pop rock à MPB, passando até pelo reagge –, mesclando composições famosas de grandes artistas, como “Saideira”, hit da banda Skank, e canções autorais, tal qual “Muito Mais”, de Gava; os integrantes do grupo também salientaram ao longo do concerto que todas as músicas autorais estão disponíveis no Spotify e no canal no YouTube do quarteto, Estrelar Oficial.

Este show comemorativo da “Kids Tour” também contou com participações especiais de outros participantes da versão infanto-juvenil do reality global. O trio Gigi Fonseca, Luna Bandeira e Nathy Veras foi convidado a participar de várias canções ao longa da apresentação, como o clássico mundial “Garota de Ipanema” e o hit estadunidense “Side To Side”, de Ariana Grande e Nicki Minaj.

    Sem dúvidas, um dos pontos altos do show foi o momento em que Mari Cardoso repetiu a façanha que feita por ela no programa televisivo e mostrou sua potência vocal cantando uma música de Elis Regina – que, recentemente, foi eleita pela revista “Rolling Stones Brasil” como a maior voz brasileira de todos os tempos. E foi assim que a jovem pré-adolescente encantou o público com sua interpretação do clássico “Como Nossos Pais”.

A apresentação seria encerrada pelos sucessos mundiais “Happy”, de Pharrell Williams, e “Uptown Funk”, de Bruno Mars, no entanto, a plateia, já de pé, pediu bis, “obrigando” o quarteto a retornar ao palco – acompanhado das três cantoras convidadas – para terminar a tarde com o êxito da MPB dos anos 2000, “Simples Desejo”, de Luciana Mello.

Logo após o fim do show, uma extensa fila ocupou quase todo o foyer do Theatro NET Rio, onde o grupo Estrelar posaria para fotos com os fãs – e a lista de interessados era quilométrica. Depois dos vários minutos de selfies e agradecimentos, o quarto concedeu uma breve entrevista a respeito do show e da carreira musical que se inicia.

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Grupo Estrelar

Terminada a sessão de fotos, os quatro jovens cantores concederam uma breve entrevista falando sobre as novas experiências como artistas. Acerca de realizar um show para um teatro lotada e animada, Mari Cardoso foi categórica. “Eu adoro fazer show, principalmente quando está lotado, porque o público interage com a gente, é muito legal! ”, ela declarou. “É muito bacana quando você está batendo palmas e o público bate junto também”, acrescentou Gabriel Gava.

E, obviamente, o programa The Voice Kids tem uma importância muito grande para os quatro – e influência direta na formação do grupo. “Abriu muitas portas para a gente”, disse Mari, que ressaltou as grandes amizades que se formaram ao longo da competição, o que levou à formação do Estrelar. “Representa o início da minha carreira, mas, além disso, o começo da minha vida musical”, afirmou Carol Passos, corroborando com a visão de Gabriel. “E a gente adquiriu bastante experiência dos jurados, é claro, que são incríveis! ”, Ressaltou Daniel Henrique.

A respeito do futuro do grupo, o quarteto afirma que pretende continuar fazendo shows pelo país. “O principal agora é não parar”, afirma Carol. “Continuar “Estrelando”, digamos assim”, brinca Daniel. “E continuar sempre bem, na amizade, sabe? ”, Maria adiciona, ao que Carol reafirma: “Sim! Aqui não existe uma rivalidade, uma competição. Um entrega a música para o outro para fazer o melhor possível juntos”.


Daniel Deroza – 4º período

Orientando o subúrbio

No último domingo, dia 9, a Casa de Cultura João Nogueira – o Imperator –, no Méier, recebeu um evento muito especial para os fãs de rap e hip hop: o lançamento de “Yin Yang”, o segundo álbum de estúdio da banda Oriente, uma das mais conhecidas do gênero no cenário nacional. A apresentação foi iniciada por volta das oito horas da noite no teatro do centro cultural na Zona Norte do Rio de Janeiro. O público – como já era de se esperar – era composto, em sua maioria, por adolescentes e jovens adultos, e muitos casais – sem contar os casais que se formaram durante o show.

Além das composições inéditas do novo trabalho, o grupo também trouxe para o palco do Imperator faixas já conhecidas do grande público, como “Vagabundo Também Ama” – um de seus maiores sucessos entre os jovens. O quarteto aproveitou a oportunidade de relembrar grandes nomes na música nacional dos últimos anos. “Nós vamos interromper o nosso repertório para homenagear uma banda que a gente gosta muito, e acredito que todos aqui também gostem”, anuncia Nissin Instantâneo, um dos cantores. “O nome dessa banda é Charlie Brown Jr.”, declara, um pouco antes de iniciar a música “Zóio de Lula”.

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Chino e Rebeca Suawen. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA].

O show de lançamento do novo trabalho do Oriente contou não somente com altos riffs de guitarra, backgrounds intensos de violino e influências do reagge, mas também com a participação especial de Rebeca Sauwen – a “florzinha”, segundo o integrante Chino Vietcong – na canção “Linda, Louca e Mimada”; o artista ainda se juntou à plateia para dedicar a música à Rebeca. Mais tarde, durante a composição “O Vagabundo e a Dama”, China ousou e desceu do palco, indo cantar – literalmente – no meio do público, que logo se juntou em torno do ídolo, levando os seguranças à loucura. Enquanto isso, Nissin dizia palavras de empoderamento à arte de rua. “Um salve, sem demagogia, a todo mundo que faz cultura na rua! Skate, hip hop, grafite… Às minas do hip hop!”.

Já no final do show, os integrantes do Oriente agradeceram à Casa de Cultura João Nogueira pelo evento. “É uma honra lançar o nosso novo trabalho aqui. Muito Obrigado, Imperator!”, declara Chino. “E muito obrigado a todos que vieram aqui em um domingo à noite, com chuva”, completa Nissin, antes de mandar o último recado, falando que “o hip hop nacional é educação e é respeito. E, como disse Criolo, ‘criança não precisa ser criada no meio da patifaria’, então, pensem bem antes de votar, galera”.


Daniel Deroza- 4º Período