Política

Estados Unidos vão às urnas nas eleições de meio de mandato e Partido Republicano corre risco de perder maioria no Congresso

Nesta terça-feira (03), os estadunidenses foram às urnas para eleger deputados, senadores e governadores nas eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterm Elections, que definirão a composição do Congresso dos Estados Unidos pelos próximos dois anos.

Ao todo, os americanos vão escolher os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 vagas no Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso. Para conquistar a maioria, os democratas precisam alcançar pelo menos 218 cadeiras na Câmara e 51 no Senado. Uma vitória da oposição pode mudar o cenário político americano e dificultar a aprovação de projetos do governo Trump.

Essas eleições representam um grande desafio para o presidente Donald Trump e o Partido Republicano. As projeções eleitorais do FiftyPlusOne, divulgadas nesta terça-feira (03), indicam que o Partido Democrata pode conquistar a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, o que pode dificultar a governabilidade do presidente nos próximos dois anos de seu mandato.

Além disso, um levantamento do The New York Times/Siena College, divulgado no domingo (01), aponta uma possível vitória dos democratas em um estado tradicionalmente republicano, o Texas, onde o partido não vence uma eleição para cargo estadual desde 1994. Na disputa pelo Senado, o democrata James Talarico aparece à frente do republicano Ken Paxton no levantamento, com 50% das intenções de voto contra 43%, podendo encerrar um período de 32 anos sem vitórias do partido democrata nas eleições estaduais.

No estado do Maine, outra virada pode ocorrer. O democrata Troy Jackson aparece à frente da republicana Susan Collins, que ocupa uma cadeira no Senado desde 1997, após ter sido eleita em 1996, e busca seu sexto mandato. Segundo o Real Clear Polling, Jackson aparece com 50,2% das intenções de voto, contra 46,6% da atual senadora.

Mas afinal, o que explica a possível derrota de Trump e do Partido Republicano?

Um dos principais fatores é a crescente insatisfação dos americanos com a economia, principalmente com o aumento do custo de vida e dos combustíveis. Além disso, a baixa popularidade do presidente, a guerra com o Irã, o apoio a Israel, e as críticas à sua política migratória também pesam sobre os republicanos.

Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, realizada entre setembro e outubro, apenas 30% dos americanos aprovam o governo Trump, enquanto 44% dos eleitores afirmaram enxergar as eleições como uma oportunidade de votar contra o presidente.

Outro fator que pode favorecer os democratas é a maior mobilização de seus eleitores. Segundo o Pew Research Center, 78% dos eleitores que apoiam candidatos democratas consideram muito importante qual partido terá o controle do Congresso, um percentual nove pontos superior ao registrado entre os apoiadores republicanos. O levantamento indica que a insatisfação com o governo Trump pode influenciar não apenas a intenção de voto, mas também o comparecimento às urnas.

Em declarações recentes, o presidente Donald Trump afirmou que, caso o Partido Democrata conquiste a maioria na Câmara e no Senado, pretende vetar os projetos apresentados pela oposição.

Donald Trump tem mais 2 anos de mandato a frente da maior economia do mundo, em termos de Produto Interno Bruto (PIB).
(Foto: Reprodução/X)

Em entrevista ao podcast “Pod Force One”, divulgada nesta segunda-feira (02), Trump afirmou que se tornaria o “Sr. Veto” e utilizaria seu poder para bloquear propostas dos democratas, buscando pressionar o partido a negociar acordos com os republicanos.

Caso os democratas conquistem o controle do Congresso, Trump poderá enfrentar dificuldades para aprovar projetos e implementar parte de sua agenda política. Além disso, a oposição poderá ampliar as investigações sobre o governo e pressionar integrantes da administração republicana. Segundo a agência Reuters, a Casa Branca já estuda alternativas para governar por meio de medidas executivas caso perca o apoio da maioria no Legislativo.

Os primeiros resultados das eleições devem começar a sair ainda nesta terça-feira (03), a partir das 20h, pelo horário de Brasília.

A expectativa é que, durante a madrugada de quarta-feira (04), já seja possível ter um cenário mais claro sobre quem terá o controle da Câmara e do Senado. Entretanto, nos estados onde a disputa está mais apertada, a apuração pode levar dias para ser concluída.

Foto de capa: Reprodução/X

Reportagem de Rafael Costantino, com edição de texto de Natália Zichtl

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