Cidade Política

Manifestantes ocupam o Centro do Rio em ato contra o avanço da extrema direita

Nas ruas do Centro, manifestantes demonstraram preocupação com o futuro político do país e defenderam a mobilização popular

Movimentos estudantis, organizações de esquerda e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram, nesta quarta-feira (7), uma manifestação no Centro do Rio de Janeiro. O ato reuniu participantes em apoio à reeleição de Lula e contra Flavio Bolsonaro e Douglas Ruas, ambos do Partido Liberal (PL).

A concentração começou na Candelária e os manifestantes seguiram em passeata pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, onde o ato foi encerrado em frente ao Theatro Municipal.

Durante a manifestação, a Agência UVA conversou com participantes para entender o que os levou às ruas e quais são suas principais preocupações diante do atual cenário político brasileiro.

Manifestantes levaram cartazes e repetiram frases contra Flavio Bolsonaro e Douglas Ruas
Foto: Carlos Victor/Agência UVA

Entre os manifestantes estava Stephanie Souza, de 26 anos, que não havia planejado participar do ato. Ela contou que tinha uma consulta médica na região e decidiu acompanhar a passeata ao encontrar o grupo pelas ruas do Centro.

“Eu já sou de esquerda e vejo a quantidade de coisas que estão acontecendo com o nosso país. A gente não pode deixar que o fascismo tome conta”, afirmou.

A preocupação com o cenário político também apareceu na fala de Célia, de 70 anos, professora aposentada. Ela relacionou sua participação no ato com sua própria trajetória de vida.

“Saí da favela aos 14 anos. Meu pai era motorista, minha mãe dona de casa e fui a primeira a chegar à universidade. Acompanhando a vida do Lula esse tempo todo, não tem como eu não estar aqui”, disse.

Além da presença nas ruas, Célia afirmou que também utiliza as redes sociais para conversar com outras pessoas sobre as eleições.

“Estou nas mídias digitais, passando mensagem, tentando resgatar alguns votos. Estou contando com vocês, jovens”, afirmou.

A mobilização pelas redes sociais também ajudou a levar novos participantes ao protesto. Maria Eduarda, de 28 anos, contou que encontrou informações sobre a manifestação pelo Instagram apenas um dia antes do ato.

“Eu senti que precisava vir. Não podia só ficar em casa, tinha que vir para a rua”, disse. Segundo ela, a decisão definitiva aconteceu depois de receber um convite de uma prima para participar da passeata.

O movimento estudantil também esteve presente. Nicolas Cabral, integrante do centro acadêmico da Escola de Belas Artes, afirmou que estudantes da instituição se organizaram para participar coletivamente da manifestação.

“Eu construí o centro acadêmico da Escola de Belas Artes e a gente somou aqui enquanto entidade. Estamos trazendo a galera da Escola de Belas Artes para participar da manifestação”, explicou.

Para Nicolas, sua presença também está relacionada à preocupação com a manutenção dos espaços democráticos. Ele afirmou que decidiu participar porque considera necessário preservar “a possibilidade de continuar lutando por um país melhor”.

Estudantes de diferentes áreas marcaram presença no ato.
Foto: Carlos Victor/Agência UVA

Entre os participantes mais velhos estava Pedro Bachili Aragão, aposentado após mais de quatro décadas de trabalho. Ex-metalúrgico, camelô e servidor público, Pedro contou que o interesse pela política o acompanha há muitos anos. Formado em História, apesar de nunca ter exercido a profissão de professor, ele acompanhou a caminhada pelo Centro e destacou a presença da juventude no ato.

“Eu tenho política no sangue. Gosto muito de política. A esperança são vocês”, disse, dirigindo-se aos jovens que participavam da manifestação.

O ato terminou por volta das 16h. Movimentos de esquerda já anunciaram novas manifestações pela cidade. Grupos de direita e aliados de Flávio Bolsonaro ainda não confirmaram a realização de novos atos políticos.

Foto de capa: Carlos Victor/Agência UVA

Reportagem de Rafael Costantino, com edição de texto de Nathália Messias


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