As Eleições 2026 mobilizaram cariocas e fluminenses em várias partes da cidade neste domingo (4) de céu aberto e sem as chuvas que acompanharam a semana na capital e região metropolitana. Muitas zonas eleitorais tiveram filas, pela manhã e no início da tarde, com relatos de pessoas que chegaram a ficar três horas esperando para votar. Apesar disso, a expectativa na eleição de seus candidatos era grande.
Na Baixada Fluminense, em Queimados, a estudante de Publicidade da UVA Mayara Barbosa, de 26 anos, chegou no Colégio Municipal Senador Nelson Carneiro às 8h30 e só conseguiu entrar na sala de votação às 11h50.
“As seções eleitorais foram organizadas na quadra da escola. Durante a longa espera na quadra, sob o intenso calor, algumas pessoas desistiram de aguardar e retornaram para suas casas. Uma pena”, diz a estudante.

A atriz Anna Carolina França, 35 anos, não reclamou da fila de cerca de duas horas que enfrentou para votar, no Colégio Santa Teresa de Jesus, no Largo da Segunda-Feira (Tijuca). Estava animada em exercer sua tarefa cívica e política.
“É muito importante que a gente participe da vida política do nosso país. Fui de grêmio estudantil no Pedro II, onde estudei, trabalho com Teatro do Oprimido, que é essencialmente político. Acho que precisamos retomar esse símbolo nacional, nossa bandeira”, conta a atriz, que foi vestida de vermelho e com uma bandeira do Brasil nos ombros.

Apesar de confiante, Anna acredita que a vitória do Presidente Lula só virá no segundo turno. “A disputa será acirrada. Tenho certeza”, diz. A auxiliar de serviços gerais Renata dos Santos, de 51 anos, estava no Largo da Segunda Feira fazendo hora para voltar à sua zona eleitoral, ali perto, na Escola Estadual Francisco Cabrita. “Resolvi sentar aqui na praça e esperar porque lá está com muita fila”, conta.
Ela também é eleitora do petista e como Anna acredita que a eleição para Presidente será decidida apenas em Outubro. Para Renata, vale repetir o voto das últimas eleições exatamente porque ao longo dos anos o governo de Lula tem conseguido melhorar o Brasil.
“Conheço muita gente que vota nos Bolsonaro, mas eu não conseguiria nunca… me lembro bem do que ele fez com a gente na pandemia. Como deixou tanta gente morrer sem cuidado e zombando das pessoas”, revela.
De São Gonçalo à Madureira: todos indo votar
Em São Gonçalo, no horário do almoço, a movimentação era tranquila na Escola Municipal São Miguel, que funcionava como colégio eleitoral, embora apoiadores distribuíssem santinhos abertamente nas proximidades, descumprindo a proibição da prática no dia da eleição. Dentro do local o fluxo era discreto, mas as ruas registravam maior circulação de pessoas, sobretudo nos ônibus, que operavam com tarifa zero.
Em Madureira, na Zona Norte da cidade, eleitores encheram um colégio na Rua Domingos Lopes. Debaixo de um sol quente, uma fila com duração de uma hora para entrar nas seções gerou indignação de moradores que alegaram nunca terem visto o local desta forma. Carolina Ferreira, artista de 42 anos, enfrentou a fila e contou quais as propostas mais lhe interessam e quais os motivos a fizeram escolher seu candidato à Presidência.
“Só pude fazer faculdade por conta do Prouni. Minha família era muito pobre, então eu e minhas irmãs só conseguimos estudar por conta da políticas públicas dos governos de esquerda. Comprei minha primeira casa pelo Minha Casa Minha Vida e minha irmã também”, conta.
Para ela, que vem de uma origem muito pobre, em uma família de mulheres, seu voto tem muito peso. “Sou uma mulher LGBT neurodivergente, então a minha existência necessita de propostas que pensam na coletividade e naqueles que têm menos oportunidades”, comenta a eleitora.
Em Vila Isabel, na Zona Norte, o clima de votação no Colégio Estadual João Alfredo foi tranquilo, apesar do calor ainda no meio da manhã, com filas pequenas, mas concentradas em apenas algumas seções, sem tumulto e com eleitores aguardando na sombra, enquanto os trabalhadores do local se mostravam disponíveis para esclarecer dúvidas.
Em Belford Roxo, na Zona Eleitoral 153, o Colégio Estadual Parque Amorim registrava movimentação tumultuada: dois grupos faziam boca de urna nas proximidades: jovens na esquina e homens de cerca de 50 anos com camisas da Seleção, enquanto santinhos cobriam o chão e as calçadas. Uma longa fila se estendia até o interior da escola, em que predominavam eleitores de direita, com camisas da Seleção Brasileira e estampas de Flávio Bolsonaro, e apoiadores de Lula, de vermelho e com adesivos, eram minoria.
Na esquina que separa a Rua Amaral Costa da famosa Avenida Cesário de Melo, em Campo Grande, o clima era tranquilo nesta manhã. Conhecida por ser um polo eleitoral de pouco movimento, a Escola Municipal Venezuela abrigou, em seu interior, seções com filas longas, mas ordenadas, e eleitores bem orientados pelos agentes. A secretária aposentada Maria Marilise, de 72 anos, estava animada para votar, mesmo que sem a obrigatoriedade do voto. “Eu acredito em Deus, e Deus é brasileiro. Nós vamos vencer”, diz ela, eleitora do candidato do PT à Presidência.
Em outras zonas eleitorais, eleitores não enfrentaram filas
A Unigranrio do Centro de Nova Iguaçu recebeu mais eleitores devido a transferências das zonas eleitorais do Colégio Estadual Dom Adriano Hipólito e da Escola Estadual Monsenhor João Mush, localizadas também no Centro. A dentista de 42 anos, Vanessa Cattem relata que não teve dificuldades para votar.
“Foi bem fácil para mim. A minha seção não tinha ninguém, tinha uma pessoa só na minha frente. Na seção do meu esposo que estava muito cheia, ele ficou mais de 20 minutos para votar”, relata.

Em Itaipuaçu, Maricá, um eleitor de Flávio Bolsonaro (PL) que não quis dar seu nome e profissão, reforçou a importância de votar na oposição porque não concorda com a política exercida por Lula. “Quero é trocar o que está aí”, diz ele.
Para todos os eleitores, a esperança deu o tom do dia. Para Geraldo Araújo, 61 anos, jornalista e morador de São Gonçalo, o voto representa uma forma de defender princípios democráticos. “Eu quero garantir o Estado Democrático de Direito e a soberania nacional. A democracia tem suas complicações, mas é ela quem garante os nossos direitos”, afirma.
Foto de capa: Natália Zichtl/Agência UVA
Reportagem de Carolina Bento, Cássia Verly, Daniela Oliveira, Marcos Paulo, Maria Eduarda Ladeira, Marina Avelino, Natália Zichtl, Nicole Bessa, Vitória Marques da Cruz, com edição de Natália Zichtl.
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