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“Se Eu Fosse Você 3” diverte, mas sem o mesmo brilho

Longa estreia nesta quinta (8) com elenco renovado e a missão de fazer rir uma geração totalmente nova

Dezessete anos após o lançamento de “Se Eu Fosse Você 2”, a franquia que levou milhões de espectadores aos cinemas retorna nesta quinta-feira (8) para encerrar sua trilogia, agora sob a direção de Anita Barbosa. Duas décadas depois da última troca de corpos, Cláudio e Helena vivem uma nova fase da vida ao lado da filha Bia, agora adulta e casada. Tudo parece em equilíbrio até que uma situação inesperada abala a dinâmica da família e coloca as relações à prova. Quando o raio parece cair mais uma vez no mesmo lugar, a família toda é levada a encarar um novo desafio: aprender a se colocar no lugar do outro, talvez de um jeito bem literal.

Desta vez, o protagonismo migra de Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) para a filha Bia (Cleo) e o companheiro Aquiles (Rafael Infante). Juntos, eles criam Maria Clara (Valentina Daniel), introduzida ainda bebê no segundo filme da saga. Bastam um desentendimento conjugal e a recitação simultânea da célebre frase “se eu fosse você” para que ambos despertem no corpo do outro na manhã seguinte. O artifício fantástico se repete pela terceira vez na franquia, mas impõe um território inédito para a nova geração.

A narrativa diverte e cumpre a função de transmitir noções claras sobre empatia e a necessidade de ceder pelo bem da convivência familiar. O roteiro tem o mérito de atualizar a dinâmica da série sem se apoiar exclusivamente no apelo nostálgico, dezessete anos após o último capítulo. Por outro lado, a produção peca pela simplicidade excessiva do texto e pela hesitação em arriscar caminhos criativos que resgatem o frescor e o impacto cômico das primeiras produções. Por outro lado, a produção peca pela simplicidade excessiva do texto e pela hesitação em arriscar caminhos criativos que resgatem o frescor e o impacto cômico das primeiras produções.

Na execução física da troca, Rafael e Cleo se empenham em adotar trejeitos, manias e entonações vocais do parceiro de cena, mas não alcançam a naturalidade contagiante que consagrou a dobradinha de Tony e Glória. Substituir dois gigantes da comédia nacional, afinal de contas, nunca seria uma das tarefas mais simples do cinema.

Bia e Aquiles tentam equilibrar a rotina em meio à troca de corpos.
(Foto: Divulgação/Eny Miranda)

O longa demonstra maturidade ao se desvencilhar de fórmulas datadas e do humor dos anos 2000, descartando piadas misóginas ou caricaturas forçadas. O roteiro prova que é perfeitamente viável divertir sem recorrer a preconceitos.

Outro acerto narrativo está na quebra de velhos segredos. Diferente dos filmes originais, em que a troca de corpos era escondida a todo custo, Bia e Aquiles recorrem de imediato a Cláudio e Helena. Longe, por conta de uma viagem, o casal mais velho pouco pode fazer além do espanto inicial, abrindo caminho para que a filha adolescente de Bia assuma um papel central como mediadora do caos doméstico.

Maraca, como é chamada pelos pais, herda um papel importante na trama.(Foto:Divulgação/Eny Miranda)

Longe de se apresentar como um grande desfecho para a trilogia ou como uma continuação direta, o longa aposta em novos personagens, diferentes pontos de vista e outras formas de aprender a lidar com a troca de corpos. Embora não alcance o mesmo brilho nem tente apoiar seu apelo dramático na nostalgia, “Se Eu Fosse Você 3” tem potencial para divertir diferentes públicos, ainda que desprovido do charme dos capítulos originais.

Confira o trailer de “Se Eu Fosse Você 3” abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Título: Se Eu Fosse Você 3

Direção: Anita Barbosa

Gênero: Comédia

Duração: 92 minutos

Foto de capa: Divulgação/Eny Miranda

Crítica de João Gabriel Lopes

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