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“The Man I Love” transborda sensibilidade em meio à falta de desenvolvimento

Em cartaz no Festival do Rio, produção retrata arte, desejo e a crise da Aids nos anos 1980

Em cartaz na 28ª edição do Festival do Rio e dirigido por Ira Sachs, “The Man I Love” é ambientado e rodado na vibrante Nova York dos anos 1980. A trama acompanha Jimmy George (Rami Malek), um carismático ator e artista performático que navega pela dura realidade do diagnóstico de Aids naquela década. Depois de uma internação delicada, na qual esteve à beira da morte, ele vivencia uma janela preciosa de tempo entre a gravidade do quadro e a iminência do fim. Recusando-se a ser definido pela doença, Jimmy gasta suas energias na busca pela beleza, pela arte e pelo desejo.

Em meio a doença, sua vida e sua carreira, Jimmy tenta sobreviver.
(Foto: Divulgação/Festival do Rio)

No dia a dia, Jimmy divide a rotina com Dennis (Tom Sturridge), parceiro que concilia trabalho e demandas pessoais para cuidar dele com dedicação constante. A dinâmica entre os dois se desestabiliza quando Vincent (Luther Ford) se muda para o andar de baixo do prédio. Recém-chegado da Inglaterra, o vizinho parece alheio à epidemia da época, interessado apenas no ritmo frenético de festas, sexo e noitadas da metrópole.

Mesmo debilitado física e mentalmente, Jimmy tenta manter o foco naquele que se desenha como seu último ato criativo, protagonizando uma nova peça teatral. O triângulo amoroso que se instala entre ele, Dennis e Vincent ganha novos contornos com a visita de sua irmã e de seu cunhado (Rebecca Hall e Ebon Moss-Bachrach, respectivamente), além de um retorno à casa dos pais, que nunca o aceitaram plenamente como homem gay, em um reencontro com tom melancólico de despedida.

Contudo, é justamente no peso dessas relações que a produção fracassa. A sensibilidade do tema é incontestável, tanto pelo retrato da degradação causada pela doença quanto pela tentativa comovente de Jimmy de preservar a arte e os afetos enquanto o corpo cede.

O roteiro, no entanto, falha ao desenvolver seus conflitos com a profundidade necessária. Dinâmicas como a devoção sacrificada de Dennis e o fascínio quase obsessivo de Vincent, são tratadas de forma apressada. Sem densidade dramática para sustentar a comoção prometida, o longa entrega uma experiência rasa e frustrante diante do impacto humano que pretendia alcançar.

Renomado por grandes atuações ao longo da carreira, Rami Malek não encontra aqui um de seus momentos mais marcantes, em grande parte pela superficialidade com que o diretor conduz o elenco. Tom Sturridge, por sua vez, ganha destaque ao encarnar a devoção de Dennis e sua dedicação quase incondicional a Jimmy, ainda que essa relação seja pouco aprofundada pelo roteiro. Na contramão, o jovem Luther Ford entrega uma atuação frágil, carente da carga emocional e da densidade dramática exigidas pela narrativa.

Confira o trailer de “The Man I Love” abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Título: The Man I Love

Direção: Ira Sachs

Gênero: Drama

Duração: 97 minutos

Crítica de João Gabriel Lopes

Foto de capa: Divulgação/Festival do Rio

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