Cinema

“Verity” se perde entre a carta e o manuscrito e reescreve outra história

Entre mudanças de roteiro e um elenco impecável, a adaptação cinematográfica deixa a desejar

Nesta quarta-feira (30), chega aos cinemas a adaptação cinematográfica de “Verity”, livro da autora Collen Hoover, também dona de “É Assim Que Acaba”, sucesso de vendas. Considerado seu melhor projeto até agora, “Verity” conta a história após o acidente que deixou Verity Crawford, escritora renomada conhecida pelos seus personagens sórdidos, paralítica. Sem sua principal autora poder escrever, Lowen Ashleigh recebe a proposta de terminar os últimos três livros de Crawford. Como forma de encontrar inspiração para escrita, Lowen se hospeda na casa da família e aqui começa a construção de suspense e terror.

Diferente do livro, o filme traz uma abordagem fraca para os personagens, sem uma backstory e a construção dos personagens por traz da história principal. Lowen, interpretada por Dakota Johnson, não expressa a mulher depressiva, amedrontada e infeliz com sua vida como representado no livro. Entre um dos cortes de roteiro, o sonâmbulismo de Lowen era essencial para a construção da personagem como um todo, o que na adaptação cinematográfica, faz falta pela forma rasa em que ela se apresenta.

Verity Crawford, interpretada por Anne Hathaway, também possui pouco aprofundamento em sua vida pessoal. Após Lowen encontrar seu manuscrito, Ashleigh descobre uma mulher completamente diferente da que esperava que Crawford seria, o medo e a dúvida toma conta dos pensamentos da autora que passa a duvidar da história que lhe foi contada. A atuação de Anne consegue sustentar a falta de roteiro para sua personagem conhecida por ser profunda e manipuladora.

Verity Crawford é a quinta personagem de Anne Hathaway nos cinemas nesse ano (Reprodução: Ingresso.com)

O marido da autora, Jeremy Crawford, interpretado por Josh Hartnett, segue uma linha diferente, com cenas mais emotivas e sentimais do personagem que tem seus sofrimentos pessoais devido a morte de sua filha Harper, mesmo que a visão feminina seja o ponto principal da trama.

A questão dos filhos também faz parte de um dos cortes de roteiro que, ao invés de três, são apenas dois, deixando o arco de Chastin de lado. A forma em que Verity lida com sua primeira gravidez é interpretada no filme de forma simplória, trazendo o sentimento de ódio e infelicidade descritos no manuscrito, mesmo que com a falta de alguns elementos, sendo um período rápido no filme. Com Harper e Crew interpretados como gêmeos, o ódio de Verity por Harper se minimiza com a falta de Chastin na história, trazendo apenas um sentimento de narcisismo e obsessão pelo marido que são justificados apenas por ciúmes.

Para Dakota, mais um projeto cinematográfico fica com a sensação de conteúdo inapropriado, mesmo que no livro a sensualidade seja um ponto importante para a personagem. Com a falta do desenvolvimento inicial, os desejos sexuais de Lowen também são rasos, diferente do livro, onde encontramos uma mulher insatisfeita sexualmente e que sonha em encontrar o homem que possa lhe satisfazer. A partir do momento do seu aniversário, o filme toma um rumo diferente e perde a tensão da trama original.

Das principais mudanças, a versão final do assassinato de Verity também sofre modificações, deixando um ponto de iinterrogação para a justificativa de tal ato, quando no livro, a forma como é levada é plausível em comparação a versão das telas.

“Verity” pode se destacar pelo elenco de peso, com grandes nomes do cinema compondo seu elenco principal, mas também aparece com pontos negativos como fidelidade ao livro e mudanças de roteiro, que deixaram de lado pontos importantes para prender a audiência, assim como prende o leitor. Aos que não leram o livro, o filme pode parecer um bom roteiro com uma execução mal feita.

Fica Técnica:

  • Título: Verity
  • Ano de Lançamento: 2026
  • Gênero: Thriller psicológico / Suspense
  • Direção: Michael Showalter
  • Duração Aprox.: 1h 54min (114–118 minutos)

Resenha de Gabriel Goulart

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