Lançado pela Intrínseca em setembro de 2026 com tradução de Rita Kohl, “As Irmãs de Amarelo”, de Mieko Kawakami, acompanha a trajetória de Hana a partir de diferentes momentos de sua vida. A história começa em 2020, em plena pandemia, quando a personagem encontra uma notícia sobre a prisão de Kimiko, acusada de manter uma jovem de 21 anos em cárcere privado. Para entender como as duas chegaram até aquele momento, a narrativa retorna à década de 1990, no Japão, e passa a acompanhar a adolescência da personagem.
Vivendo em uma situação de pobreza ao lado da mãe, com um pai praticamente ausente e sem muitos vínculos sociais, Hana trabalha em um snackbar e enfrenta uma rotina marcada por dificuldades. É nesse período que Kimiko, uma das amigas de sua mãe, passa a fazer parte de sua história. Ao longo da narrativa, outras personagens também ganham espaço, como Lan e Momoko, amigas que acompanham diferentes momentos da trajetória de Hana.
A história não segue uma ordem cronológica linear, a autora alterna entre diferentes períodos e utiliza flashbacks para apresentar acontecimentos da vida das personagens. Em alguns momentos, as lembranças aparecem durante os próprios diálogos, fazendo com que o leitor precise acompanhar com atenção as mudanças de tempo para compreender quando determinada situação está acontecendo.
Ao longo dessas mudanças, o livro aborda temas relacionados à vulnerabilidade social, desigualdade, solidão, família e às relações entre mulheres. As experiências das personagens são apresentadas dentro de contextos sociais e familiares que ajudam a compreender suas escolhas e os caminhos que tomam ao longo da narrativa.
Essa foi uma das características que mais influenciou minha experiência com o livro, “As Irmãs de Amarelo” foi minha primeira leitura depois de aproximadamente dois anos sem terminar um livro e também meu primeiro contato com a escrita de Mieko Kawakami. Por isso, a estrutura da narrativa acabou exigindo uma adaptação maior, principalmente nas primeiras páginas. Em alguns trechos, precisei retornar à leitura para entender em qual momento da história determinada situação estava acontecendo.
Os 13 capítulos também apresentam uma extensão diferente daquela com a qual estou acostumado. Por ter mais contato com romances juvenis, geralmente com capítulos curtos, encontrei uma narrativa em que cada capítulo percorre períodos maiores da vida das personagens. A estrutura acompanha acontecimentos que se desenvolvem ao longo de dias, meses e anos, fazendo com que a leitura tenha um ritmo diferente do que eu costumava encontrar nos livros que lia.
Ainda assim, conforme a trama avançou, a história foi despertando cada vez mais minha curiosidade. A segunda metade do livro trouxe acontecimentos que me surpreenderam e fez com que eu me envolvesse mais com as personagens e com as relações construídas ao longo da narrativa.
Ao terminar “As Irmãs de Amarelo”, fiquei com a sensação de ter conhecido uma autora nova justamente em um momento em que estava tentando voltar a ler. A história pode exigir atenção do leitor para acompanhar seus diferentes períodos, mas apresenta personagens e relações que ganham novas dimensões conforme a narrativa avança.
Foto de Capa: Reprodução/Intrínseca
Resenha de Isabel Menezes Ferreira, com edição de texto de Gabriel Goulart
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