Nesta quinta-feira (17), estreia o novo filme de Resident Evil nos cinemas. Sob direção de Zach Cregger, diretor de A Hora do Mal, e distribuição da Sony Pictures, a produção se passa em Raccoon City, mesmo cenário dos acontecimentos de “Resident Evil 2”, “Resident Evil 3” e “Outbreak”. Com a promessa de seguir uma linha diferente das outras produções, o filme carrega apenas o nome da franquia e decepciona quem consome a franquia.
No filme, acompanhamos a história de Bryan, um entregador médico que foi contratado para levar uma encomenda para um hospital na cidade de Raccoon City. Porém, ao decorrer da história, ele percebe que o local de sua entrega está passando por um caos gerado por um vírus que transforma pessoas em zumbis, e sua encomenda é uma possível cura para toda a situação.
Entre os pontos positivos do longa, o personagem principal é o grande acerto da produção, carregando quem assiste com carisma e um humor sarcástico durante o caos projetado. Porém, existe uma falta de aprofundamento sobre seu passado e a relação com sua companheira. Além disso, as cenas de terror que provocam medo, apreensão e sustos foram muito bem construídas desde o início do filme, o que vai se perdendo com o decorrer da história.
Com muitas referências aos jogos da franquia, os cenários do filme são um ponto alto para o projeto, com partes interessantes, alternando entre adrenalina e medo, além de elementos conhecidos pelos consumidores como fechaduras e máquinas de escrever.

O gore do filme é algo espetacular, apostaram em várias cenas de desmembramentos que ficaram excelentes e combinam com Resident Evil.
Porém, entre os acertos, os pontos negativos se sobressaem durante a duração do filme. Todos os inimigos do filme são totalmente diferentes da franquia, e os principais, que são os mortos-vivos, são a fórmula genérica de Hollywood para filmes do gênero. Nos jogos “Resident Evil 2” e “Resident Evil 3”, os zumbis são criaturas lentas e aterrorizantes, o que, na adaptação cinematográfica, fizeram virar um monstro veloz com habilidades sobre humanas.
A construção da história sobre o caos na cidade foi algo totalmente superficial e sem muitas explicações. A grande organização por trás de todo o problema, a farmacêutica Umbrella Corporation, mirou na resolução mais óbvia para o desenvolvimento da história. Como uma organização multimilionária, que chega a controlar parte do governo dos Estados Unidos e possui esquadrões de elite com armamentos super pesados, enviaria um entregador aleatório para entregar a cura que poderia salvar milhares de vidas?
Chegando em Raccoon City, centro principal de toda a franquia, o longa não consegue trazer o sentimento de qualquer filme da saga. Conhecida pela famosa delegacia ou estação de trem, a cidade fictícia não representa nada do mundo dos jogos. Mesmo que em um mundo diferente, o filme não carrega nada além do nome de uma das sagas mais famosas do mundo dos jogos.
Esse sentimento de perdido se leva até o final do filme, que acaba com um personagem principal com um arco mal construído e um destino sem sentido. Com a única chance de salvar o mundo e levar a cura para a doença, o longa termina com um caos facilmente evitável e feito de forma simplória, deixando o sentimento de decepção para quem assiste.
O filme de Resident Evil é um ótimo filme de terror, traz elementos que dão medo, adrenalina e um ótimo protagonista, porém acaba sendo uma péssima adaptação dos jogos, trazendo pouca fidelidade e poucas referências. Ainda assim, consegue ser uma grande produção dentro do padrão que esperávamos de Zach Cregger.
O filme foi lançado hoje nos cinemas brasileiros; Confira o trailer oficial do filme.
Ficha Técnica:
Título Original: Resident Evil
Data de Lançamento: 17 de setembro de 2026
Direção: Zach Cregger
Gênero: Terror / Ficção Científica
Duração: 94 minutos
Foto de capa: Reprodução/X
Reportagem de Rafael Costantino, com edição de texto de Gabriel Goulart
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