Lionel Messi não defenderá mais a seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 anunciou nesta segunda-feira (31) sua aposentadoria da equipe nacional, encerrando uma trajetória de duas décadas com a Albiceleste.
A decisão foi comunicada pelo próprio jogador por meio das redes sociais. Na publicação, Messi afirmou que a escolha foi difícil, mas que chegou o momento de encerrar seu ciclo com a seleção.
Messi também destacou que sente ter dado tudo o que podia pela Argentina e que a chegada de novos jogadores contribuiu para sua decisão. O atacante, entretanto, não está se aposentando do futebol. Ele continuará atuando pelo Inter Miami, clube norte-americano com o qual possui contrato até 2028.
A decisão encerra uma trajetória marcada por títulos, recordes e momentos que ultrapassam as quatro linhas. Para muitos torcedores, Messi não foi apenas um jogador, mas uma figura presente em diferentes fases da vida. Miguel Oliveira, estudante do segundo ano do ensino médio, começou a acompanhar o argentino em 2013, quando tinha apenas quatro anos de idade. A lembrança daquele primeiro contato com o jogador se mistura à própria descoberta do futebol e, para ele, a admiração pelo camisa 10 acabou influenciando também sua relação com o esporte.
“Boa parte do meu amor pela cultura do futebol tem muita responsabilidade do Messi. Sempre que me perguntam qual é meu time, eu falo dois: Fluminense e Barcelona de Lionel Messi”, relata o estudante.
Do menino de Rosário ao futebol europeu
Lionel Andrés Messi nasceu em 24 de junho de 1987, em Rosário, na Argentina. O contato com o futebol começou ainda na infância, no Abanderado Grandoli, clube de seu bairro. Em 1995, aos oito anos, chegou às categorias de base do Newell’s Old Boys, onde permaneceu até 2000.
Aos 13 anos, Messi deixou a Argentina e foi para a Espanha, passando a integrar as categorias de base do Barcelona, clube que seria o principal cenário de sua carreira.

(Reprodução: Instagram/@fcbarcelona)
Messi estreou pela equipe principal do Barcelona em 2004 e, ao longo de 17 anos no clube, tornou-se o maior artilheiro da história da equipe e conquistou 35 títulos, incluindo dez Campeonatos Espanhóis e quatro Ligas dos Campeões.
O desempenho no Barcelona também levou Messi a receber diversos prêmios individuais, entre eles, oito Bolas de Ouro e seis Chuteiras de Ouro.
Assim, enquanto construía uma carreira de destaque no futebol europeu, Messi também iniciava sua trajetória pela seleção argentina.
As primeiras competições pela Argentina
A passagem de Messi pela seleção começou nas categorias de base em 2005. O jogador participou da campanha que levou a Argentina ao título do Mundial Sub-20 no mesmo ano, terminou a competição como artilheiro e foi eleito o melhor jogador do torneio.
O talento demonstrado nas categorias de base levou Messi à seleção principal ainda em 2005, contra a Hungria. Messi entrou no segundo tempo e foi expulso pouco depois de entrar em campo. Apenas três anos depois, já estaria conquistando a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim.

A genialidade dentro de campo também rendeu comparações bem menos convencionais. Para Miguel, a primeira imagem que surge quando pensa no jogador é a de um bode, em referência à expressão GOAT, do inglês Greatest of All Time (maior de todos os tempos, em português).
Da frustração à conquista
Com o passar dos anos, Messi se tornou um dos principais jogadores da equipe e assumiu a condição de capitão da Argentina em 2010. A partir daquele período, passou a carregar uma responsabilidade ainda maior dentro da seleção. A cobrança aumentava porque, apesar do sucesso individual e dos títulos pelo Barcelona, ele ainda não havia conquistado um grande troféu com a equipe principal argentina.
Enquanto conquistava títulos e quebrava recordes no futebol europeu, Messi encontrava dificuldades para repetir o sucesso com a camisa argentina. A seleção chegou à final da Copa do Mundo de 2014 e perdeu para a Alemanha. Um ano depois, veio outra frustração: derrota para o Chile na final da Copa América. Em 2016, novamente contra o Chile, a história se repetiu.
Após perder a final da Copa América Centenário nos Estados Unidos, Messi anunciou sua aposentadoria da seleção. Aos 29 anos, afirmou que havia tentado realizar o que mais desejava, mas não havia conseguido. A aposentadoria, entretanto, não durou. Messi voltou atrás e continuou defendendo a Argentina.
A história começou a mudar em 2021, quando, na final da Copa América daquele ano, a Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 no Maracanã e conquistou o título. Para Messi, foi a primeira grande conquista com a seleção principal, e o atacante foi eleito o melhor jogador e um dos artilheiros da competição.
A conquista tirou de Messi uma das principais marcas negativas de sua trajetória internacional: a ausência de títulos pela seleção principal.
No ano seguinte, naquela que, até então, poderia ser sua última Copa do Mundo, o atacante teve mais uma oportunidade de conquistar o principal troféu que ainda faltava em sua carreira. Messi liderou a Argentina até a final contra a França no Catar. Depois de um empate em 3 a 3 no tempo normal e na prorrogação, a seleção argentina venceu nos pênaltis. A imagem do camisa 10 levantando a taça marcou o ponto mais alto de sua trajetória internacional e também encerrou uma cobrança que o acompanhava havia anos.
Nicholas Freitas, estudante de física pela UFRJ e fã do jogador, acredita que, justamente pela possibilidade de aquela ser a última oportunidade, o título foi ainda mais marcante.
“O título da Copa de 2022 me marcou porque o Messi estava em fim de carreira e tudo indicava que ele nunca ganharia uma Copa do Mundo”, relata Nicholas.

(Reprodução/Franck Fife/ AFP)
A última Copa e os números de uma lenda
Quatro anos depois do título no Catar, Messi contrariou as expectativas e entrou em campo, aos 39 anos, para disputar sua sexta Copa do Mundo. Em uma campanha repleta de desafios, a Argentina chegou novamente à final, mas dessa vez, não conseguiu repetir o resultado de quatro anos antes. A derrota por 1 a 0 para a Espanha encerrou a campanha argentina e, pouco mais de um mês depois, Messi anunciou que também encerraria sua história com a seleção.

(Reprodução/Instagram/@leomessi)
Ao deixar a seleção argentina, Messi leva consigo números que ajudam a dimensionar sua trajetória. Foram 207 partidas e 125 gols com a camisa da Argentina, números que fazem dele o jogador que mais vezes atuou pela seleção e também seu maior artilheiro.
Ao longo desse período, conquistou:
- Mundial Sub-20 de 2005;
- medalha de ouro olímpica em 2008;
- Copa América de 2021;
- Finalíssima de 2022;
- Copa do Mundo de 2022;
- Copa América de 2024.
Os números, porém, são apenas uma parte daquilo que tornou Messi um jogador diferente para seus admiradores. Para Nicholas, a principal característica está na maneira como o argentino consegue interpretar as jogadas antes de elas acontecerem.
“A visão de jogo dele é absurda, o cara parece que sabe o momento certo de correr e de criar jogadas”, comenta o estudante.
Uma nova era para a seleção argentina
A saída de Messi deixa um espaço que vai muito além da camisa 10. Depois de mais de uma década sendo o principal nome da seleção argentina, o desafio agora é encontrar quem será capaz de assumir o protagonismo deixado pelo craque. Nicholas acredita que a seleção sentirá não apenas a ausência de Messi, mas também a de outro nome importante daquela geração, Ángel Di María. Para ele, os dois eram fundamentais para fazer o meio-campo argentino funcionar.
“Eu imagino que a seleção argentina se torne um time retranqueiro, pois ela perdeu dois gênios da bola, Lionel Messi e Ángel Di María”, comenta Nicholas.
Miguel também vê a saída de Messi como uma perda difícil de preencher. Para ele, o impacto do jogador na seleção foi tão grande que a Argentina pode demorar a encontrar alguém capaz de ocupar esse espaço.
Foram anos de conquistas, frustrações e momentos que ajudaram a transformar Messi em um dos maiores nomes da história do esporte. Agora, a Argentina precisa seguir sem aquele que por tanto tempo foi seu principal protagonista. A camisa 10 continuará existindo, mas o próximo capítulo da seleção será marcado pela busca de um novo nome capaz de construir sua própria história dentro e fora de campo.
Foto de capa: Reprodução/FIFA
Reportagem de Isabel Menezes, com edição de texto de Carolina Bento
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