A Copa do Mundo é considerada o maior evento esportivo do planeta, transformando milhões de pessoas ao redor do mundo em torcedores e consumidores. No universo da publicidade, o torneio também representa uma grande oportunidade para que as marcas se promovam, explorem sua criatividade e se conectem com o público por meio do futebol.
A audiência global, o engajamento dos torcedores e a ampla cobertura midiática transformaram o torneio em uma vitrine estratégica para marcas de diversos segmentos. Nesse cenário, a publicidade encontra o cenário ideal para criar campanhas e lançamentos memoráveis.
O representante Filipe Luis, formado em Marketing e criador da página Publicitários Criativos, comenta que a Copa sempre foi muito mais do que um evento esportivo.
“Pense na Copa como um gatilho coletivo, a pessoas querem comprar camisetas para torcer, bandeiras, alimentos temáticos, tudo para se sentirem parte do evento”, afirma Filipe.

(Foto: Fernanda Dias/Agência O Dia)
Segundo ele, trata-se de um fenômeno cultural que dialoga com todas as faixas etárias e reúne até mesmo aqueles que não acompanham futebol no dia a dia. Por isso, marcas de todos os segmentos conseguem se aproveitar da data. É mais do que comum observar empresas que, ao longo de sua trajetória, jamais conversem com o público do futebol, exceto nesse período do ano.
“Com o avanço das redes sociais é impossível que elas continuassem utilizando a mesma campanha, mesma estratégia em países diferentes. Cada cultura pede uma linguagem e vive um momento. Aqueles que entenderam isso ganharam destaque globalmente”, destaca.
Nesse contexto, o entrevistado destaca que a Copa de 2026, sediada em três países com culturas de consumo bastante distintas, evidencia uma transformação já consolidada no mercado publicitário: o abandono das campanhas tradicionais. Segundo ele, o avanço das redes sociais tornou inviável a aplicação de uma mesma estratégia em diferentes países e contextos, já que cada público possui valores, hábitos e formas próprias de comunicação.
“Se for para escolher um exemplo desta Copa de 2026, uma campanha que merece destaque é a da OMRON com Galvão Bueno”, destaca o entrevistado.
O profissional destacou a campanha da OMRON como um exemplo de marco criativo na publicidade em 2026. A marca transformou o bordão “Haja Coração”, eternizado pelo narrador, em uma campanha de conscientização sobre a pressão arterial, conectando futebol e saúde de forma bastante natural.
Além desse exemplo, diversas marcas vêm se reinventando e buscando criar publicidades que vão além da simples divulgação de produtos. As empresas investem em narrativas emocionais, experiências, conteúdos digitais e ações que conectam temas do cotidiano à paixão pelo futebol. Essa busca constante por inovação demonstra como a publicidade tem utilizado a criatividade para gerar identificação com o público e fortalecer o posicionamento das marcas.
Nesse contexto, a Uber também inovou ao lançar uma campanha que, pela primeira vez, altera seu sistema global de avaliações e cria uma funcionalidade exclusiva para o Brasil, possibilitando a atribuição de seis estrelas e incentivando a conquista do hexa.
“Apesar de todas as críticas esportivas, no mundo o Brasil continua sendo conhecido como o país do futebol, isso é inegável. Com a força que os usuários brasileiros usam as redes sociais, muitas culturas ainda nos veem como referência criativa, e muitas marcas tentam trazer o famoso ‘jeitinho brasileiro’ de se comunicar”, comenta.
Mesmo diante da queda de desempenho do futebol brasileiro nos últimos anos e da ausência de títulos mundiais desde 2002, o Brasil continua ocupando um espaço importante no imaginário internacional quando o assunto é futebol. A tradição construída ao longo de décadas, marcada por grandes jogadores, conquistas históricas e uma forte identidade cultural ligada ao esporte, faz com que o país ainda seja visto globalmente como referência. Essa associação influencia diretamente outros setores, como a publicidade e a comunicação, que encontram no futebol uma ferramenta poderosa para a construção de narrativas.
“Uma das principais mudanças é que as marcas estão menos interessadas em falar apenas sobre futebol e mais preocupadas em participar das conversas da cultura”, diz Filipe.
Nesse cenário, o profissional reforça que memes, influenciadores digitais, comunidades online e conteúdos produzidos em tempo real ganham protagonismo, refletindo um modelo de comunicação mais dinâmico e conectado aos hábitos da nova geração. Além disso, o crescimento de formatos desenvolvidos para plataformas como TikTok e Reels demonstra como a publicidade passou a priorizar conteúdos contínuos e interativos. Outro aspecto destacado é a democratização da visibilidade durante a Copa: atualmente, mesmo marcas sem vínculo oficial com a Fifa conseguem alcançar relevância ao compreender o contexto do torneio e criar ações criativas capazes de dialogar com o público de forma rápida e autêntica.
A Copa do Mundo de 2026 evidencia como as transformações tecnológicas e comportamentais vêm acelerando a renovação das tendências de consumo e publicidade. Em um cenário marcado pelas redes sociais, pela produção de conteúdo em tempo real e pelas constantes mudanças nos hábitos do público, as marcas precisam se adaptar cada vez mais rapidamente para permanecerem relevantes. O que antes levava anos para se consolidar como tendência hoje pode surgir, se popularizar e ser descartado em questão de semanas, tornando a reinvenção contínua um requisito essencial para a comunicação contemporânea.
Foto de capa: Divulgação/Nike
Reportagem de Nicole Bessa, com edição de texto de Cássia Verly
LEIA TAMBÉM: Álbum da Copa mantém tradição e aproxima gerações de torcedores
LEIA TAMBÉM: Copa do Mundo 2026: Holanda e Japão dão show na segunda rodada do grupo F

0 comentário em “Copa do Mundo: o espetáculo global do consumo”