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Quando a moda entra em campo: o que os ternos da Seleção Brasileira revelam sobre identidade e representação

Mais do que estilo, as escolhas visuais dos atletas revelam como moda e futebol se conectam na construção de narrativas

A chegada da Seleção Brasileira a Nova Iorque para a disputa da Copa do Mundo chamou atenção antes mesmo de a bola rolar. Desta vez, porém, o destaque não foi a escalação da equipe nem o desempenho dos atletas, mas os ternos desenvolvidos pelo estilista brasileiro Ricardo Almeida, responsável pelo vestuário oficial da delegação desde 2018.

Nas redes sociais, os trajes despertaram elogios e críticas, além de levantarem uma discussão que vai além da estética: afinal, o que a moda comunica dentro do universo do futebol?

(Foto: Reprodução/Instagram/CBF)

A relação entre esporte e moda não é recente, mas se tornou cada vez mais evidente nos últimos anos. Jogadores como Neymar Jr., Vinicius Júnior, Raphinha e Alisson Becker frequentemente estrelam campanhas de grandes marcas internacionais, como Louis Vuitton, Balenciaga, Calvin Klein e Tommy Hilfiger. Nesse contexto, vestir-se deixou de ser apenas uma questão de estilo para se tornar também uma ferramenta de comunicação e construção de imagem.

Para a modista de fantasias Fernanda Magyar, a escolha da alfaiataria para representar a Seleção Brasileira transmite uma mensagem bastante clara.

“O design desses paletós é clássico e as cores mais escuras, em tons petrolados, transmitem seriedade e confiança. É como dizer: ‘não viemos para brincadeira’. Além disso, reforçam uma imagem de elegância e sofisticação”, compartilhou a modista.

Segundo a profissional, a moda funciona como uma forma de comunicação não verbal em qualquer contexto. Ela acredita que, mesmo quando não existe intenção, estamos sempre comunicando alguma coisa. Para a modista, as cores, o caimento e a modelagem das roupas transmitem mensagens para quem observa.

Essa conexão entre moda e futebol também pode ser percebida fora dos gramados. Para o ex-jogador Hermes Jr., atualmente treinador de futebol, a imagem construída pelos atletas passou a ter um papel importante na forma como clubes e seleções são percebidos.

“Os ternos transmitiram profissionalismo, elegância e mostraram que a Seleção representa o Brasil não apenas dentro de campo, mas também fora dele. A imagem passada é de organização e respeito pela instituição e pelo país”, afirmou o ex-jogador.

Embora destaque que o desempenho esportivo continue sendo o aspecto mais importante, Hermes Jr. acredita que a apresentação dos jogadores influencia diretamente a maneira como eles são vistos pelo público.

(Foto: Reprodução/Instagram/CBF)

“Os atletas são referências para milhões de pessoas e representam seus clubes, a seleção e seus patrocinadores. Por isso, comportamento, postura, profissionalismo e apresentação também fazem diferença”, complementa Hermes Jr.

Essa mudança também se reflete na forma como os torcedores consomem o futebol. Segundo Hermes, as camisas deixaram de ser exclusivas dos estádios e passaram a integrar o cotidiano das pessoas como peças de expressão pessoal. O treinador relatou que muitos torcedores utilizam as camisas para demonstrar paixão pelo clube, pela cidade ou pelo país, mas também como parte do próprio estilo.

Para Fernanda Magyar, essa aproximação demonstra que a moda está presente em espaços muito mais amplos do que normalmente se imagina.

“As pessoas costumam pensar que moda e esporte pertencem a universos completamente diferentes, mas tudo está conectado. Assim como acontece na política, na música ou no cinema, a moda também faz parte do esporte”, relata Fernanda.

(Foto: Reprodução/Instagram/CBF)

Mais do que vestir atletas, os ternos da Seleção Brasileira representam uma transformação na forma como o futebol é comunicado. Antes mesmo de entrar em campo, uma roupa já transmite valores como profissionalismo, pertencimento, identidade e representatividade.

No fim das contas, a repercussão dos ternos assinados por Ricardo Almeida reforça uma ideia cada vez mais presente na sociedade: a moda não está restrita às passarelas. Ela também ocupa aeroportos, estádios, coletivas de imprensa e gramados, mostrando que vestir-se é, acima de tudo, uma forma de comunicação.

Foto de capa: Instagram/CBF

Reportagem de Maria Eduarda Lima, com edição de texto de Cássia Verly

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