Esporte

Álbum da Copa mantém tradição e aproxima gerações de torcedores 

Mesmo com o aumento dos preços, colecionadores destacam o valor afetivo das figurinhas e o papel da coleção na construção do clima de Copa do Mundo

Antes mesmo de a bola rolar, a Copa do Mundo já começa para muitos torcedores. O lançamento do álbum de figurinhas marca o início da contagem regressiva para o torneio e transforma bancas, escolas e pontos de troca em espaços de encontro para quem acompanha futebol.

Mesmo com o aumento dos preços e as mudanças na forma de consumir esporte, o álbum continua ocupando um lugar especial na memória afetiva dos torcedores. Para muitos colecionadores, a experiência vai além de completar páginas: ela envolve convivência, histórias compartilhadas e a expectativa pela chegada da Copa.

A tradição também atravessa gerações. Enquanto alguns começaram a colecionar ainda na infância e mantiveram o hábito na vida adulta, outros conheceram o álbum por meio de filhos, irmãos ou familiares.

Foi o caso do empresário Renato Vale, de 39 anos, que começou a colecionar na Copa passada ao lado do filho. Segundo ele, o álbum se tornou uma oportunidade de compartilhar momentos em família e de se conectar com outras pessoas durante os encontros de troca.

A convivência aparece como um dos aspectos mais valorizados pelos colecionadores. Para Renato, o espírito coletivo pode ser percebido nos próprios encontros de colecionadores, onde a troca de figurinhas cria um ambiente de colaboração entre desconhecidos.

“A gente acabou de trocar figurinhas aqui. Um estava precisando de duas e outro abriu o pacote e tirou. O senso coletivo aqui se vê muito”, conta o empresário.

O personal trainer Marcos Lehmann, de 28 anos, também enxerga essa capacidade de aproximação como um dos motivos que mantêm a tradição viva. Colecionador desde a Copa de 2006, ele relata que atualmente troca figurinhas até mesmo com alunos adolescentes. “Estou conseguindo trocar com meus alunos de 14 anos. Isso é legal”, diz o personal.

As lembranças construídas durante a busca pelas figurinhas ajudam a fortalecer o vínculo dos torcedores com o álbum. Marcos conta que uma das histórias mais marcantes desta edição aconteceu durante uma viagem à Argentina, realizada poucas semanas antes do início da Copa do Mundo. Na ocasião, ele ainda procurava a figurinha de Lionel Messi para completar a coleção.

“Eu viajei para a Argentina e ainda não tinha pego o Messi. Consegui a figurinha comprando um pacotinho lá mesmo”, relata o colecionador.

A figurinha de Lionel Messi, encontrada por Marcos Lehmann durante uma viagem à Argentina.
(Foto: Aquivo Pessoal)

Já para Fabrício Marques, de 60 anos, que atua no mercado financeiro, o álbum representa uma tradição construída em família. Tudo começou ao lado do filho mais velho, Mateus, quando os dois passaram a colecionar juntos. O hábito atravessou os anos e acompanhou diferentes edições da Copa do Mundo, transformando a busca por figurinhas em mais um momento de convivência entre pai e filho.

“O primeiro álbum acho que a gente começou a fazer em 2006, mas não foi da Copa do Mundo, foi da Champions League. E aí, de 2010 para cá, a gente colecionou todos. Aí o Mateus parou de colecionar no último e eu tô colecionando agora também.” explica Fabrício.

Além do aspecto social, os colecionadores destacam o papel do álbum na construção da expectativa para o Mundial. Para eles, a coleção funciona como uma espécie de prévia da competição, antecipando a atmosfera que toma conta do país durante o torneio. “O álbum cria aquele clima bem favorável para a Copa do Mundo”, afirma Fabrício.

Renato compartilha da mesma percepção. Segundo ele, a simples chegada do álbum já desperta conversas sobre a competição e ajuda a colocar a Copa novamente no centro das atenções. “Estava tudo muito apagado. Aí começam as figurinhas, começa a falar de Copa, e a expectativa vai crescendo”, comenta Renato.

Colecionadores se reúnem em ponto de troca no Shopping Tijuca para negociar figurinhas e compartilhar a expectativa pela Copa do Mundo.
(Foto: Rafael Zoéga/Agência UVA)

Apesar do valor afetivo atribuído à coleção, o aumento dos preços surge como uma preocupação comum entre os colecionadores. Renato acredita que o custo atual pode dificultar o acesso de parte do público e gerar frustração entre as crianças que desejam completar o álbum. “De fato ele dá uma complicada para quem tem uma renda menor e deixa a criançada mais frustrada”, afirma o colecionador.

Ainda assim, os entrevistados defendem que a experiência continua valendo a pena. Para Fabrício, o álbum oferece uma oportunidade de sair da rotina, reduzir o tempo em frente às telas e conviver com outras pessoas. Já para Marcos e Renato, a tradição continua relevante por criar conexões entre diferentes gerações e fortalecer a expectativa para a Copa do Mundo.

“Mesmo com o custo mais alto, a experiência continua valendo a pena pelo clima de Copa e pelas histórias que a gente cria durante a coleção.” conta Marcos.

Para os colecionadores, o valor do álbum vai além das figurinhas coladas. Entre trocas, encontros e memórias construídas ao longo do caminho, a tradição segue conectando pessoas e mantendo viva a expectativa pelo maior evento do futebol mundial.

Foto de capa: Divulgação/Shopping Nova América

Reportagem de Rafael Zoéga e Raul César

LEIA TAMBÉM: Copa do Mundo FIFA 2026: Saiba tudo sobre a competição

LEIA TAMBÉM: Knicks protagonizam virada histórica sobre os Spurs e ficam a uma vitória do título da NBA

1 comentário em “Álbum da Copa mantém tradição e aproxima gerações de torcedores 

  1. Pingback: Copa do Mundo 2026: resumo da rodada do Grupo A tem vitórias de México e Coreia do Sul | Agência UVA

Deixe um comentário