Cidade Política

Manifestação pelo fim da escala 6×1 ocupa a Avenida Rio Branco

Ato levou trabalhadores para a rua em todo o país

A mobilização por uma jornada de trabalho menor tomou a Candelária e a Avenida Rio Branco no Centro do Rio de Janeiro nesta última segunda-feira (25). O movimento ganhou força por todo país após o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, Léo Prates (Republicanos/BA), adiar a apresentação do texto final devido a falta de coerência entre os partidos sobre o período de transição para uma carga horária de trabalho mais curta. 

O protesto ocorreu em diversas capitais do Brasil, como em Salvador (BA), Vitória (ES) e Natal (RN). No Rio, a concentração aconteceu na Praça da Candelária. O carro de som do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SINTUFRJ) abrigou discursos políticos dos movimentos presentes. Depois, a manifestação seguiu até a Cinelândia, pela Avenida Rio Branco. 

Os líderes dos movimentos e dos partidos também usaram a ocasião para se posicionarem contra a oposição no Congresso. Também demonstraram apoio à pré-candidatura do atual presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se ele vencer, essa será sua quarta vez no comando do Pode Executivo.

Além de trabalhadores, havia também estudantes, jovens e crianças. Políticos como o deputado federal Tarcísio Motta e o deputado estadual Flávio Serafini, ambos do PSOL/RJ, marcaram presença. 

Flavio Serafini (PSOL/SP) discursa na Praça Cinelândia.
(Foto: Natália Zichtl/Agência UVA)

A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Virgínia Berriel, esteve presente no protesto e deu entrevista aos jornalistas presentes:

“O tempo fora do trabalho dá condições aos trabalhadores de viverem dignamente, ou seja, ter boa saúde mental. Porque um dos maiores índices de afastamento de trabalhadores pelo INSS é em decorrência do excesso de trabalho. Então as pessoas estão meio que enlouquecendo”, comenta a presidente.

Virgínia Berriel discursa na concentração.
(Foto: Natália Zichtl/Agência UVA)

Priscila da Silva Coutinho, que era uma das ativistas que trabalhou na escala 6×1, relatou que além da grande jornada de trabalho, era constantemente requisitada para fazer horas extras sem remuneração.

“Eu só tinha uma folga na semana, fazia hora extra e não era remunerada por isso. O tempo era curto demais para poder cuidar da minha família e do lar, e fica ainda mais difícil pra quem é mãe solo, como eu, e não tem tempo o suficiente para educar os filhos ou cuidar de si mesma”, relembra Priscila.

César Campos, de 28 anos, que trabalha com eventos infantis dentro da escala 6×1, comentou sobre a emenda da PEC que prevê um grande período de transição para o fim da jornada:

“Não acredito que seria necessário, já que o Congresso muitas vezes aprova coisas que mudam da noite pro dia. Esse tempo de transição só beneficia os parlamentares e empresários. Às vezes me pergunto por qual motivo demoramos tanto pra lutar por isso logo, e agora ainda querem aprovar um prazo maior para que isso mude?”, finaliza César.

Vladimir e Silvia pedindo fim da escala 6×1.
(Foto: Natália Zichtl/Agência UVA)

Vladimir, 42 anos, funcionário público que trabalha na escala 5×2, reflete sobre a época em que trabalhava na escala 6×1 e explica o motivo de ter ido para a manifestação:

 “Eu me lembro do que perdi na minha vida por não ter tempo de me dedicar a outras coisas que não fosse o trabalho. É justamente por uma questão de empatia com as pessoas que ainda estão nessa escala que me sinto na responsabilidade de vir aqui manifestar meu apoio”, conta Vladimir.

Apresentação do texto na Comissão Especial

Antes da apresentação do texto, o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos/PA), o relator Léo Prates e o presidente Lula, se reuniram para debater o período de transição para a nova escala.

Foi acordado que a carga horária irá diminuir duas horas 60 dias após a promulgação da emenda, ato que formaliza uma lei, passando de 44 horas semanais para 42 horas. Doze meses depois, diminuirá mais duas horas, chegando a 40 horas semanais. A medida também garante a não diminuição salarial.

Após a exibição do texto final para o colegiado da Comissão, foi feito um pedido coletivo de vista conduzido pelo deputado federal Mauricio Marcon (PL/RS). A PEC deverá, então, voltar para a votação do colegiado na quarta-feira (27) e será encaminhada para votação no Plenário, caso tenha sua matéria final aprovada.

Para que a PEC de autoria de Reginaldo Lopes (PT/MG) e Érika Hilton (PSOL/SP) seja formalizada serão necessários 308 votos de deputados da Câmara e de 49 senadores, além de ser sancionada por pelo presidente da República.

Foto de capa: Natália Zichtl/Agência UVA

Reportagem de Natália Zichtl e Júlia Quintas, com edição de texto de Nathália Messias.

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