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“Fora de Controle” aposta no suspense psicológico, mas perde força no desenvolvimento

A trama acompanha um casal em crise após quinze anos de casamento quando a esposa se envolve com seu chefe e passa a viver uma relação marcada por manipulação obsessão e paranoia

Em “Fora de Controle”, a diretora e roteirista Anne Le Ny aposta em um drama de obsessão e desgaste conjugal para conduzir uma trama que começa promissora, mas encontra dificuldades para sustentar a tensão até o desfecho. Com nomes fortes do cinema francês no elenco, o longa tenta equilibrar suspense psicológico e conflitos familiares, embora nem sempre consiga transformar sua premissa em algo realmente impactante.

A narrativa acompanha Julien (Omar Sy) e Marie (Élodie Bouchez), um casal casado há quinze anos que atravessa uma relação marcada pelo desgaste emocional. A chegada da ex-esposa de Julien (Vanessa Paradis), desperta inseguranças e ressentimentos em Marie, enquanto ela própria inicia um envolvimento com Thomas, seu superior na empresa, interpretado por José Garcia. O que parecia ser apenas um caso passageiro ganha contornos mais inquietantes quando Thomas começa a surgir constantemente ao redor da vida pessoal da protagonista.

Omar Sy e Élodie Bouchez.
(Foto: Divulgação/California Filmes)

O filme trabalha com uma estrutura bastante conhecida do suspense dramático, centrada na infidelidade e na obsessão que nasce a partir dela. A diferença é que a roteirista sugere desde cedo que essa obsessão antecede o próprio relacionamento entre Marie e Thomas. O personagem de Garcia surge como alguém manipulador, capaz de criar situações para alimentar as desconfianças da protagonista sobre o marido e, assim, conduzi-la emocionalmente para o caso extraconjugal. Essa construção inicial cria expectativa e dá ao longa um tom desconfortável e interessante.

O problema aparece justamente quando a narrativa deveria crescer. Em vez de ampliar a tensão psicológica ou aprofundar os conflitos entre os personagens, “Fora de Controle” permanece estagnado durante boa parte de sua duração. Há a sensação de que o roteiro circula repetidamente pelas mesmas situações sem levar seus personagens a consequências mais fortes. Em filmes desse gênero, o público costuma esperar uma escalada emocional, um confronto decisivo ou ao menos um final ambíguo capaz de permanecer na memória. Aqui, o suspense nos minutos finais não encontra força suficiente para provocar impacto.

Élodie Bouchez e José Garcia.
(Foto: Divulgação/California Filmes)

Mesmo assim, o elenco consegue sustentar parte do interesse da obra. Omar Sy entrega um personagem contido, enquanto Élodie Bouchez transmite bem a confusão emocional de Marie, dividida entre culpa, desejo e paranoia. José Garcia também consegue construir um antagonista incômodo, ainda que o roteiro limite a profundidade de suas motivações. Existe talento em cena, mas falta ao texto a mesma intensidade dramática que seus atores parecem buscar.

No fim, “Fora de Controle” é um filme que parte de uma premissa eficiente e de personagens com potencial, mas que não consegue transformar sua tensão inicial em um suspense memorável. Anne Le Ny reúne um elenco experiente e um tema que poderia render um drama psicológico mais contundente, porém o resultado final deixa uma sensação de estar incompleto, como se o filme prometesse mais do que realmente entrega. O longa chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de maio, com distribuição da California Filmes.

Título: Fora de Controle

Direção: Anne Le Ny

Gênero: Suspense

Duração: 1h 51min

Classificação indicativa: 14 anos

Foto de capa: Divulgação/California Filmes

Crítica de Wilson Estevam, com edição de texto de João Gabriel Lopes

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