Economia Política

Desenrola 2.0 busca diminuir o endividamento do brasileiro

O governo do Brasil lança a segunda edição do programa em busca de “tirar a corda do pescoço” dos brasileiros inadimplentes

O governo da República anunciou o Novo Desenrola Brasil para ajudar cidadãos inadimplentes a renegociarem suas dívidas. Conhecido também como Desenrola 2.0, o programa conta com diversas oportunidades de sanar dívidas de brasileiros que ganham até cinco salários mínimos (R$8.105), e devem entrar em contato com os bancos parceiros para receber a oferta que se encaixa na situação.

O programa ganhou forças depois que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou uma pesquisa anual mostrando que mais de dois milhões de famílias brasileiras não são capazes de pagar suas dívidas.

A partir do seu lançamento, o Novo Desenrola ajudará a negociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC) previstas até dia 31 de janeiro deste ano e que ficaram atrasadas entre 90 dias e dois anos. Os descontos podem variar entre 30% e 90% do valor original, com juros limitados a 1,99% ao mês. O novo valor ofertado pelo banco deverá ter sua primeira parcela paga em 35 dias e poderá ter prazo de 48 meses no máximo.

O Desenrola 2.0 é dividido em quatro partes: Desenrola Famílias, Desenrola FIES, Desenrola Rural e Desenrola Empresas. Outra condição é que o valor oferecido pelo banco, após os descontos, deve ser de no máximo 15 mil reais e o que define este valor é o desconto que o banco irá conceder para a renegociação.

É possível utilizar 20% do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) para quitar os débitos atrasados e o CPF do inadimplente que utilizou o programa ficará bloqueado em plataformas de apostas online por 12 meses. 

O programa é visto como um modo de lidar com dívidas pequenas que crescem por conta dos juros aplicados pelos bancos. No evento oficial de lançamento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou: 

 “Nós estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente para ela voltar a respirar normal, poder voltar a sonhar, ter o nome limpo na praça. Não é correto um cidadão brasileiro, uma cidadã, estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$100, R$150, R$200. Não tem lógica isso.”

Endividamento dos brasileiros

O Novo Desenrola Brasil ganha destaque devido a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada na primeira semana de abril deste ano. A PEIC é apurada mensalmente desde 2010, aproximadamente 18 mil consumidores são entrevistados em todas as capitais de cada estado, incluindo o Distrito Federal.

A PEIC analisa o percentual de famílias endividadas, nível de endividamento, quem terá condições de pagar as dívidas, tempo de atraso, entre outros. A pesquisa lançada este ano mostra que a quantidade de famílias endividadas aumentou em 3,3%, comparado ao ano passado. Em números absolutos, os dados mostram um aumento de 1.771.100 famílias endividadas.

Foto de capa: Pedro Reis / SRI-PR

Reportagem de Natália Zichtl, com edição de texto de Nathália Messias.

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