Cultura

Bienal do Rio abre espaço para autores LGBTQIAP+

A vigésima edição do evento traz duas mesas de discussão de temas LGBTQIAP+ na programação.

Entre os dias 03 e 12 de dezembro ocorrerá a vigésima edição da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, no Centro de Convenções Rio Centro, na Zona Oeste. Em dois dias do evento, a programação cederá espaço para as vozes LGBTQIAP+, com duas mesas para abordar os rumos da literatura com abordagem de diversidade e identidade de gênero.

Considerado o maior festival de literatura nacional, a Bienal do Livro faz parte do calendário da cidade e chega em sua 20ª edição abordando a reflexão de diferentes perspectivas sobre identidade, e o futuro pós-pandemia. Além de um encontro sobre literatura, a Bienal é uma experiência imersiva de conhecimento e conteúdos exclusivos para aproximar os leitores de seus escritores favoritos, além de os apresentar a novos autores. Neste ano, a Bienal traz uma provocação: “Que histórias precisamos contar agora?”

Segundo Felipe Cabral, curador do evento, a expectativa é grande com a volta de encontros presenciais, e será muito simbólico retornar em um evento a favor da literatura, diversidade e democracia. No dia 9 de dezembro, às 19h, a mesa “Os Novos Rumos da Literatura LGBTQIAP+ Young Adult (Jovem Adulta)” debaterá como obras YA com representatividade estão formando uma nova geração de leitores. Os autores convidados serão Clara Alves, Elayne Baeta, Juan Jullian, Pedro Rhuas e Deko Lipe.

Já no dia 12 de dezembro, a mesa “Vozes LGBTQIAP+: O que vem pela frente?” encerra o evento às 19h, onde os autores convidados irão conversar sobre como a instabilidade política do Brasil refletiu na literatura, e o impacto das obras para a construção de um futuro melhor.

Para esta mesa, foram convidados o sociólogo intersexo e transmasculino Amiel Vieira, o professor de Direito Renan Quinalha, a professora de Gênero e Educação Letícia Nascimento, o escritor e palestrante Samuel Gomes e a escritora Natalia Borges Polesso. Para o curador do evento, é uma honra encerrar a programação da Bienal pela segunda vez com autores LGBTQIAP+ mesclando livros de ficção e não-ficção.

Encontro de autores LGBTQIAP+ na edição de 2019. Reprodução: Bienal

O estudante Diego Rivas, de 26 anos, acredita que incluir mais os temas LGBTQIAP+ nesses espaços é extremamente necessário para os jovens que se identificam fora do padrão heteronormativo.

“Eu cresci sem essa representatividade nos livros que eu lia. Essa abordagem é muito importante para nossa saúde mental, nossa evolução e nossa união, além da normalização do descobrimento da sexualidade. É bom que os jovens de hoje em dia possam ter essa plataforma para se identificar na literatura nacional”, disse o estudante.

Já a estudante Beatriz Braulio, de 18 anos, ainda acha que o mercado literário LGBTQIAP+ é muito pequeno, com falta de maior abordagem para outras sexualidades.

“Acho que ainda falta a abordagem de personagens bissexuais ou transsexuais. Nosso mercado já é pequeno, e livros assim são muito necessários para o entendimento das pessoas sobre essas sexualidades, que são rodeadas de tabus. A representatividade é muito necessária, seja gay, lésbica ou qualquer outra. Ela deixa o público jovem com a cabeça mais aberta, normalizando esses assuntos, e se aceitando mais”, explica Beatriz.

Vale relembrar que, na última edição, em 2019, o até então prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, se chocou com a venda de uma graphic novel que continha dois personagens do mesmo sexo se beijando, e ordenou que os livros fossem recolhidos, alegando “presença de conteúdo sexual para menores”, sendo negado pela Bienal.

Tal ordem gerou uma onda de protestos dentro do evento, que teve a maioria dos livros LGBTQIAP+ esgotados, principalmente após a intervenção do Youtuber Felipe Neto, que comprou todos os exemplares e distribuiu durante o evento.

Distribuição de livros considerados impróprios pelo ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. Foto: Divulgação/ Bienal do Livro

Para garantir ingressos para Bienal, e para saber mais sobre a programação do evento, que este ano também poderá ser acompanhado remotamente, acesse o site do evento.

LEIA TAMBÉM: Por causa de beijo homossexual, Crivella pede que quadrinho dos “Vingadores” seja retirado da Bienal

João Pedro Agner – 1º período

Com revisão de Bárbara Souza – 8º período

2 comentários em “Bienal do Rio abre espaço para autores LGBTQIAP+

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