Cultura Multimídia

Maior festival literário do País retorna de forma híbrida ao Rio Centro

Bruno Henrique, Gerente de Marketing da Bienal, em entrevista exclusiva à Agência UVA deu mais detalhes sobre o evento, que começa dia 3 de dezembro

Depois de mais de um ano sem grandes eventos na cidade por conta da pandemia da Covid-19, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, maior festival literário do País, retornará do dia 03 ao dia 12 de dezembro presencialmente no Centro de Convenções Rio Centro, na Zona Oeste. O evento queridinho dos leitores cariocas também terá transmissão online, funcionando então de maneira híbrida. Todos os painéis serão transmitidos ao vivo pela plataforma Bienal 360°, o hub de conteúdo diário do festival.

Os cuidados com os protocolos e procedimentos que permitirão a realização do evento e a curadoria com foco em diversidade, além de outros assuntos, estiveram presentes na pauta da conversa que Bruno Henrique, gerente de Marketing da GL Events, realizadora da Bienal, teve com a equipe de Cultura da Agência UVA. Confira os principais pontos da entrevista:

Agência UVA: Quais as maiores novidades preparadas para essa edição do evento, já que por conta da pandemia a forma que o público vai participar é totalmente diferente?
Bruno Henrique: A Bienal já não cabia mais em apenas dez dias de evento, então já havia uma vontade de aumentar a experiência. Nós somos o quarto maior evento do Rio de Janeiro, então, queríamos levar isso a mais pessoas. Essa é uma edição especial: entendemos que a pandemia não acabou ainda, então, temos muitos protocolos, e pela primeira vez todo o evento será transmitido ao vivo de forma acessível até para fora do Rio. Teremos autores que não estarão presencialmente também, interações virtuais nas arenas, compras de livros online em parceria com a Submarino… O processo de concepção foi muito intenso e pensando bastante neste modelo híbrido, em que podemos expandir o evento e atingir mais leitores.

AUVA: Com a volta da Bienal depois de quase dois anos sem eventos presenciais literários e levando em consideração essa proposta de uma curadoria para debater a diversidade, você acredita que vai despertar o gosto pela leitura em mais pessoas, principalmente em quem nunca teve hábito de ler e que, durante a pandemia encontrou nos livros uma forma de lazer?
BH: Eu diria que a própria pandemia renovou esse interesse pela leitura. Durante a pandemia, os livros viraram bons companheiros, principalmente naquele início. Eu mesmo senti o impacto da leitura, que estava distante e voltei a ler avidamente. Então esse movimento já vem aquecido para a Bienal. Não tenho dúvidas da potência que pode surgir deste novo encontro de uma Bienal híbrida com pessoas que se tornaram mais interessadas nos livros. Quem começou a ler na pandemia vai poder se jogar ainda mais, quem voltou não vai deixar o amor pelos livros mais. E o próprio evento tem essa característica de que não é só uma feira de livro, você está entrando para respirar esse universo.

Participantes da Bienal de 2019 com roupas da saga literária “Harry Potter”, no Rio Centro. Foto: Divulgação/ Bienal do Livro

AUVA: Você falou em como a Bienal não é apenas uma feira de livros, mas também uma  experiência e que ela vai ser transmitida totalmente online. Como vocês pretendem fazer com que essa experiência se estenda para quem está em casa?
BH: Dentro da nossa plataforma de conteúdo, que é o site da Bienal, várias coisas estarão acontecendo ao vivo. Lembrando de que no Rio Centro, cada uma das meses e debates recebe 400, 500 pessoas. Então, pela primeira vez, poderemos receber um público online bem maior. É uma possibilidade para quem não se sente confortável em ir presencialmente, para quem está fora do Rio e até mesmo fora do Brasil. É tudo muito novo para a gente… a Bienal já vai para os seus 40 anos, já é a 20a edição que acontece aqui no Rio, mas tenho certeza de que todo mundo vai se sentir lá também, até quem estiver online.

AUVA: Nesse ano tem uma novidade que é uma curadoria voltada para a diversidade. Como surgiu a ideia dessa curadoria e o quanto é importante inserir esse tema na Bienal?
BH: Sempre tivemos a preocupação de tornar a Bienal um abrigo democrático: quem quiser visitar, participar, dialogar, se encontrar, sempre tivemos muito essa preocupação. Não só no encontro entre as diversas pessoas sempre vão à Bienal, mas também com o conteúdo construído pela plataforma Bienal do Livro. Quando criamos um conselho curador, a gente está querendo, do início ao fim, colocar esta temática da diversidade na pauta da Bienal de forma transversal, percorrendo todos os aspectos do nosso evento.

AUVA: A Bienal deste ano já revelou que terá nomes importantes da literatura brasileira (Thalita Rebouças, Conceição Evaristo, Itamar Vieira e Aílton Krenak) e até autores estrangeiros (Julia Quinn, Junji Ito). Como vai ser essa experiência, com autores estrangeiros?
BH: Primeiro, é importante dizer que a questão pandêmica, por ser global, é tratada de forma diferente por cada um dos diversos países. E com ela, tudo ficou mais complicado para negociar viagens, ajustar passagens e agenda de autores. Neste sentido, temos nomes incríveis da literatura estrangeira e brasileira que já toparam participar e estarão presencialmente conosco, mas a grande maioria dos internacionais vai participar de forma virtual. Um pouco do que esses 18 meses ensinaram para todos nós foi exatamente sobre o poder desses encontros virtuais. De toda forma será uma honra tê-los conosco.

AUVA: Vocês tiveram alguma dificuldade de conseguir convidados, principalmente estrangeiros de forma presencial por conta da pandemia?
BH: Fomos bem recebidos pela maioria dos convidados. Já esperávamos que teríamos algumas dificuldades, é uma decisão pessoal, apesar de ser um outro momento, com um horizonte muito mais positivo do que aquele vivido meses atrás, mas é uma decisão muito pessoal. A gente sempre respeita e abre essa possibilidade não só do autor internacional participar online, mas de o próprio autor nacional ou participante, de que se ele não puder vir presencialmente, ele possa participar da casa dele da Bienal também.

AUVA: Como estão as vendas de ingressos?
BH: As vendas começaram muito bem. A Bienal tem um histórico de venda presencial muito grande, mas o nosso objetivo é estimular ao máximo a venda online com antecedência, como mais um protocolo de segurança.

AUVA: Como foi para definir como seria feita a Bienal ainda durante esse processo de pandemia que estamos vivendo?
BH: Nós fomos acompanhando a curva de números de casos, o avanço da vacinação, vendo a situação de outros países e tudo isso foi uma soma dos fatores que nos ajudaram a entender qual caminho seguir. A gente foi obrigado a tirar um pavilhão do Rio Centro, reduzir o público presencial que receberemos esse ano (funcionaremos com 50% da nossa capacidade). Além de realizar um alargamento das ruas da Bienal, para diminuir a aglomeração, dividir, pela primeira vez, a venda de ingressos por dia e por turno, de forma a controlar melhor nossa capacidade máxima para funcionar com segurança. Além de seguir os protocolos da Prefeitura como a apresentação do cartão de vacinação com duas doses, o uso de máscara nos ambientes internos. Foi muito acompanhamento, muita ponderação e definição de protocolos e tenho certeza de que será um sucesso.

AUVA: Que inspirações vocês têm, de eventos, para caminhar com a Bienal para o futuro como uma plataforma de conteúdo?
BH: Tem muitos eventos que a gente conhece e admira, como o SXSW, Comic Con Experience, GAME XP e outros que flertam muito com o universo literário. Para além das referências internas, esta provocação e inquietação já eram internas, uma coisa nossa de ampliar as fronteiras da Bienal. A discussão de dar ainda mais relevância para o conteúdo da Bienal é bem antiga. Queremos levar esse conteúdo sete dias por semana e para todo mundo. Nossa ideia é de que não só este ano, mas também futuramente, tenhamos sempre a possibilidade de disseminar tudo o que acontece dentro do Rio Centro e em torno do tema Bienal para o mundo todo.

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Maria Eduarda Duarte – 6° período, Bárbara de Souza – 8° período e Daniela Oliveira, professora coordenadora do projeto

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