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Disney Plus chega ao Brasil, mas com problemas de catálogo

Erro com os conteúdos marcam a chegada da plataforma de streaming da Disney no Brasil

A Disney Plus chegou ao Brasil no dia 17 de novembro com muitas expectativas dos fãs devido aos seus conteúdos exclusivos, clássicos ou novidades, porém o que aconteceu de fato foi bem diferente do esperado. Nessa chegada, a plataforma apresentou muitos problemas no catálogo como muitas produções que chegaram incompletas e outras nem chegaram a aparecer no serviço de streaming da Disney.

Um dos primeiros problemas que aconteceu foi que muitos assinantes brasileiros, ao entrarem na plataforma, viam um comunicado no aplicativo dizendo que ocorreu algum erro. Esse erro se deve ao fato de muitos assinantes terem tentado entrar ao mesmo tempo durante a madrugada, quando a plataforma foi disponibilizada, causando uma sobrecarga no sistema. Como esse problema era mais simples, foi resolvido rapidamente.

Diversos títulos como X-Men: a série animada (1992-1994), Duck Tales: Os Caçadores de Aventura (1987-1990), Agents of Shield (2012-2020), a série de High School Musical, e os Simpsons chegaram à plataforma incompletos, fossem por episódios ou então temporadas. Já produções como As Visões da Raven (2003-2007), Cory na Casa Branca (2007-2008), Timão e Pumba (1995-1999) e Homem-Aranha: a série animada (1994-1998) não chegaram nem a serem incluídos no serviço.

DuckTales foi uma das franquia que chegou com problemas no Disney Plus. A versão original de 1987 veio incompleta e o reboot de 2017 nem foi adicionado. (Foto: Weekly/Reprodução)

Alguns dos assinantes da Disney Plus que adoram os conteúdos, sejam clássicos ou inéditos, como Yuri Macau. Ele, que é fã da Disney e tem inúmeras coleções da mesma, comenta que sentiu falta de algumas produções que são tão nostálgicas para ele por ter visto quando criança e ainda afirma que a assinatura só valeu a pena devido a parceria com a Vivo que a Disney Plus possui.

“A Disney está bem presente em minha vida. Possuo VHS, DVDs, Blu-rays, HQs, gibis, camisas. Tanto todos estes produtos originais Disney quanto de propriedades que a companhia adquiriu posteriormente, como Star Wars. Além disso, sempre tive jogos da empresa nos consoles de videogame que possuí, me mantendo conectado à marca nos diversos hobbies que acumulei na vida. Logo de cara percebi a ausência de desenhos e algumas séries que via na minha infância, e como a Disney está conectada comigo desde pequeno, esses conteúdos faltaram para que eu pudesse ter uma experiência completa com a plataforma. Por seu conteúdo ainda ser bastante reduzido, creio que minha assinatura só tenha valido a pena pela parceria estabelecida com a Vivo, então em vez de pagar o preço cheio de 27,90 por mês, pago 15 reais por mês. Pelo preço cheio, não assinaria agora, esperaria uma expansão do conteúdo nos próximos meses para aí sim assinar. Dito isto, eles entregam um bom serviço graças à personalização e atendimento que prestam ao cliente”, afirma Yuri.

Um dos motivos apresentados pela Disney quanto à falta de alguns de seus conteúdos é explicado pela chegada de um novo serviço de streaming da empresa para o Brasil em 2021. Trata-se do Star, que será uma plataforma mais voltada aos conteúdos adultos da Fox, como Logan e Deadpool, que têm violência tanto visual como linguística e não seria o foco da Disney Plus, mais voltado para a família. Outro exemplo é os Simpsons, que chegou à Disney. Esse novo serviço de streaming também terá as produções da Hulu, que é outro streaming da Disney nos EUA com um foco mais adulto também.

Rebeca Nascimento, analista de conteúdo da Tera, explica quais são os motivos de alguns conteúdos não estarem ainda disponíveis na plataforma e outros estarem incompletos. Ela ainda comenta o que pensa como profissional que trabalha diretamente com esse mercado de streamings sobre a chegada do Star Plus para o Brasil em 2021 e o que significa isso na guerra entre essas plataformas.

“É comum que a Disney Plus ainda não apareça como um produto em versão final aqui no Brasil. Isso porque existem muitas questões por trás da viabilização de um conteúdo em uma plataforma de streaming. A questão principal é que, por mais que as produções sejam da Disney, muitas têm os direitos cedidos a outras empresas de transmissão (plataformas, canais de TV ou estúdios como Warner Bros e Sony) no Brasil. Esses contratos, que podem ter sido firmados anos atrás, agora devem estar passando por uma revisão e uma renegociação pelos direitos de exibição. Esse processo e ‘brigar’ pelos direitos dos conteúdos, cada um com suas particularidades contratuais, em países diferentes, pode levar meses e até anos. O objetivo principal da Disney Plus é ter a exclusividade dos seus conteúdos e isso com certeza vai custar tempo e muito dinheiro para ser viável. Outras coisas que estão influenciando a ausência de alguns conteúdos na plataforma são a dublagem e a falta de legendas. Em alguns casos, novas dublagens vão ser feitas também por questões de direitos autorais e, com a pandemia, esse processo foi atrasado. Vamos ver atualizações constantes desses pontos ao longo dos próximos meses”, afirma, Rebeca.

Rebeca acrescenta que as plataformas de streaming são o produto do momento, e agora há um retorno à dinâmica dos canais de televisão. Ou seja, enquanto inicialmente pensava-se em assinar apenas um ou dois serviços, agora cada plataforma tem seus conteúdos originais e produções exclusivas.

“A Netflix investe pesado em suas produções originais porque está sendo ‘esvaziada’ das produções de outros estúdios por conta da criação dessas novas plataformas. Para o consumidor, realmente seria ideal que todos os estúdios se aglomerassem em apenas uma plataforma, mas agora existe uma luta pela exclusividade dos conteúdos e a tendência é que haja mais segmentação entre os serviços. Estamos vivendo um momento chamado por Michael Wolff de ‘reempacotamento’, em que cada serviço de streaming se compara a um canal de TV que nós adicionamos ao nosso pacote. A conta, é claro, fica bem mais cara e pode fazer com que muitos fãs de séries retornem às velhas práticas de download, por exemplo”, comenta, Rebeca.

Para acabar com esse problema, a Disney anunciou que chegarão conteúdos novos todas as sextas-feiras para a plataforma. Seja de episódios de séries recentes que lançam semanalmente, como o Mandaloriano, ou com seus conteúdos clássicos que vão chegando aos poucos, como por exemplo a série animada do Quarteto Fantástico (1992-1996), que chegou na última semana. Analisando dessa forma, a Disney vai tentando com o tempo adicionar mais produções em seu catálogo, fazendo assim o streaming ficar mais rico de conteúdos.

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