Comportamento

Coronavírus e os impactos da primeira pandemia na era das redes sociais

Excesso de informação - e desinformação - pode ocasionar desconfiança, medo e levar pessoas ao pânico, alertam especialistas; solução é diversificar rotina durante o confinamento

Diante do aumento do número de casos de coronavírus em quase todo o mundo, é nítida a mudança nos padrões de comportamento da população global a procura de determinados produtos que visam combater o contágio da doença. Entretanto, notícias de escassez tanto de utensílios de limpeza quanto de alimentos nos estabelecimentos e de filas enormes nos supermercados têm se tornado mais frequentes. Tais atitudes, avaliam especialistas, refletem o efeito que o ritmo constante de informações negativas advindas das mídias, sobretudo digitais, podem causar nas pessoas em tempos de pandemia.

Psicóloga especialista em psicossomática (ciência que estuda os efeitos de fatores sociais e psicológicos no ser humano), Renata Monteiro adverte que o excesso de informação pode ser “enlouquecedor”.

“Não é saudável ficar na frente da TV e do celular o dia todo vendo notícias. Limitar o período de se informar é necessário”, adverte.

Segundo Renata, o consumo excessivo de notícias pode desencadear medo, ansiedade, e, consequentemente, pânico. “O pânico é uma reação emocional disparada pelo racional. Então, se a pessoa está vendo, por exemplo, que já há outras armazenando alimentos, a tendência é ela tomar a mesma atitude sem refletir sobre a necessidade”, explica.

Passar o dia inteiro acompanhando notícias pode ser enlouquecedor, afirma psicóloga. (Ilustração: Pixabay)

Em muitos estabelecimentos no Rio de Janeiro, esse pânico entre a população já é perceptível. Na última terça-feira (17), a Associação do Comércio Farmacêutico do estado informou que, devido à alta procura, as indústrias não conseguiriam mais atender à demanda das farmácias. Na ocasião, o vice-presidente da Associação, Ricardo Valdetaro, disse, em entrevista ao G1, que o estoque de 300 unidades de álcool gel diário estava acabando em menos de duas horas.

Tudo isso mostra que, apesar da recomendação para que as pessoas, e principalmente os idosos, fiquem em casa, muitos vêm se aglomerando em filas, como conta uma funcionária (que prefere não se identificar) de uma loja de utensílios domésticos em Nova Iguaçu.

“Vejo ainda muita falta de consciência do povo. Fica uma multidão aguardando a loja abrir para comprar álcool em gel. Uma atitude de desespero, para mim, pois, se a pessoa está em casa, água e sabão já são o suficiente para ela se manter higienizada”, opina.

Além dos danos para a saúde mental, esta ‘infodemia’ (expressão que vem sendo utilizada para descrever a disseminação desenfreada de informação) também cria terreno para a circulação das fake news.

Para a doutora em Comunicação e professora da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Vânia Fortuna, cabe ao cidadão, nesse sentido, ter a responsabilidade de verificar tudo que se está falando a fim de não replicar notícias fabricadas, manipuladas ou fora de contexto. A pesquisadora esclarece que, ao fazer isso, o indivíduo evita a deslegitimação do papel ‘precioso’ da imprensa de informar a sociedade, sobretudo, em um momento de pandemia.

“A repetição da informação é o que faz com que coloquemos os atos de prevenção na nossa agenda diária. No entanto, é preciso estar muito atento e sempre averiguar o que chega até nós através de fontes confiáveis. Hoje, há diversas plataformas de checagem que podem nos ajudar neste sentido”, esclarece Vânia.

Num tweet, Tay Matias listou os sites de verificação de notícias falsas:

Rotina na quarentena
No meio da quarentena e do excesso de informação, o ideal é criar uma rotina diversificada, afirma a psicóloga Renata Monteiro.

“Isolamento nunca é bom. Somos seres sociais e dependemos do outro todo o tempo. Mas, no momento, essa é a solução: ocupar a mente com atividades produtivas, criativas e relaxantes. Então, se informe, mas também medite, leia, veja filmes, jogue, se exercite em casa”, recomenda Renata.

Na internet, já há diversas alternativas que visam ajudar a população nesse período. Na última sexta-feira (20), o site Razões para Acreditar criou um espaço que reúne serviços (jogos, museus virtuais, serviços de consultoria, ferramentas de home office) que estão sendo ofertados de forma gratuita para a população.

“Há ainda sites de psicólogos, que também estão oferecendo ajuda de graça para as pessoas com crise de ansiedade. O A chave da questão e o Instituto Entrelaços (cartaz abaixo) são bons exemplos”, indica Renata.

Canal aberto do Instituto Entrelaços para apoio psicológico até 31/03.
(Divulgação: Redes sociais/Instituto Entrelaços)

“É um momento que nunca foi vivido por nenhum de nós. Não sabemos como iremos reagir pessoalmente ao confinamento e, especialmente, ao medo da perda, da doença e da morte. Mas, por outro lado, é uma oportunidade também para tomarmos consciência da importância do outro na nossa vida. Apesar do sofrimento, podemos sair dessa história mais fortes, unidos e, sobretudo, mais humanos”, conclui Renata.

LEIA TAMBÉM: Coronavírus: novas rotinas no Rio de Janeiro.

Leandro Victor – 8º período (aluno colaborador)

5 comentários em “Coronavírus e os impactos da primeira pandemia na era das redes sociais

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  2. Muito bom o texto. Com clareza e objetividade!

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