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Coronavírus: novas rotinas no Rio de Janeiro

Após a suspensão de escolas, universidades, eventos e comércios, a população fluminense aprende a se adaptar às medidas de isolamento

A primeira semana após o decreto de suspensão de aglomerações, promulgado pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, na sexta-feira passada (13), registrou mudanças significativas na rotina da população fluminense. Com objetivo de retardar a expansão do Covid-19, a medida provocou o fechamento de instituições de ensino e comércio, assim como o cancelamento de grandes eventos.

Em vista das mudanças, escutamos comerciantes, estudantes e líderes religiosos sobre o isolamento social e o futuro:

Medidas adotadas pelo governo do RJ.
(Gráfico: Divulgação/Governo do Rio de Janeiro)

Comerciante, Lucineide Oliveira tem como única renda a tradicional feira livre de Nilópolis. O município seguiu as orientações do governo estadual, e suspendeu por 15 dias a atuação dos feirantes. Lucineide concorda com a prevenção ao coronavírus, mas reclama da falta de planejamento das medidas. Ao se referir aos governantes, ela declara:

“Como fica a vida de quem depende desse trabalho? Deveriam ter discutido uma forma de ajudar essas pessoas a se manterem até que passe a situação.”

Lucineide Oliveira, comerciante.

Para Lucineide, as atitudes do governo deveriam ter se iniciado antes do Carnaval. “Milhares de pessoas de outros países entraram e saíram do Rio de Janeiro, sem restrição nenhuma. Deixaram a festa rolar à vontade. E agora querem impedir um evento com um número bem menor de pessoas, como a feira livre”, opina. Além dos feirantes, camelôs também ficarão sem renda no período de vigência do decreto estadual.

“Existem pessoas que conseguem se manter por um determinado tempo, mas também existem as que precisam do dinheiro diariamente para sustentar as famílias. Não adianta combater o coronavírus de um lado e gerar problemas do outro”, conclui.

A incerteza sobre os próximos meses é compartilhada por comerciantes e universitários. Aluna do 10º período de Medicina de uma universidade privada, Larissa Braga não sabe como o ano letivo vai prosseguir. “Até porque não sei se meus professores vão atuar, não sei como vai ficar a pandemia. Minhas aulas foram suspensas, o estágio no hospital também”, comenta. Sem sair de casa, Larissa se esforça para contribuir no bem-estar das pessoas.

A feira livre, tradição local de Nilópolis, está suspensa por 15 dias.
(Foto: Divulgação/Prefeitura de Nilópolis)

“Estou bastante preocupada, mas tenho buscado informar as pessoas o máximo possível. Me perguntam sobre os sintomas e coisas assim. Tenho visto muitas fake news, mas tento sempre falar a verdade”, declara a estudante.

As redes sociais são aliadas na propagação de informações verdadeiras, e os canais oficiais de instituições de saúde são presença constante nos perfis de Larissa.

Instituições religiosas não escaparam do isolamento. As discussões sobre a suspensão de reuniões públicas ainda permanecem em círculos de diversas crenças. Para o pastor André Castro, a questão o levou de volta ao livro sagrado de sua fé.

“Os cristãos creem que as autoridades são colocadas como ministros de Deus para a justiça. Quando os governantes executam esse papel, atuam a favor da vida, que é dom de Deus, e a favor do ser humano, que é imagem de Deus”, analisa.

Segundo o presbítero, o decreto governamental não tem a ver com perseguição religiosa, então não há porquê não cooperar. “Tendo em vista também que o cristão é um agente pela vida, por manter a vida das pessoas, a ideia de conter o avanço da doença é completamente conectada ao cristianismo”, explica. 

A igreja tem feito lives de sermões pela rede social Instagram, assim como organizou uma rede de apoio a idosos, membros ou não da congregação. Por não fazerem parte do grupo de risco da pandemia, André e outros encarregados se põem à disposição para fazer compras em mercados ou farmácias, prover do próprio bolso materiais como álcool em gel, providenciar a remoção de pessoas doentes para hospitais e realizar acompanhamento espiritual e psicológico. “Esperamos com isso estar cooperando de maneira responsável e, principalmente, cristã. Ao amar o próximo, honramos a Deus”, finaliza.

Igrejas suspenderam reuniões e organizaram redes de apoio aos grupos de risco do coronavírus.

A população segue na expectativa sobre os próximos meses. No período da pandemia, ficar em casa salva vidas. E, se for sair, não esqueça de conferir o bem-estar dos vizinhos.

LEIA TAMBÉM: Os impactos da primeira pandemia na era das redes sociais

Isabela Jordão – 7º período

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