Saúde

Covid-19: especialista em saúde pública recomenda que população não entre em pânico

Para Paulo Machado, professor de Saúde Pública da UVA, informação e prevenção são as principais armas contra novo coronavírus. Foto: Tumisu por Pixabay

Os números do novo coronavírus não param de crescer em todos os países onde a doença já chegou. Na China, felizmente, a taxa de infectados está diminuindo a cada dia. No Brasil ocorre o contrário, a taxa está aumentando de forma exponencial e a projeção das autoridades é que estes números vão continuar crescendo, por um tempo ainda indeterminado.

Para entender mais o cenário e o que vem pela frente, a Agência UVA entrevistou o professor de Saúde Pública da Universidade Veiga de Almeida, Paulo Machado, que leciona no curso de Enfermagem. Confira os principais trechos da conversa:

Agência UVA: Professor, a Organização Mundial da Saúde declarou a ocorrência do novo coronavírus como pandemia. O que isso significa na prática?
Paulo Machado: Quando o vírus apareceu na China, deu início a um surto. Depois, quando se propagou dentro da própria China passou a caracterizar uma epidemia e, agora, com a expansão para os cincos continentes, configurou-se uma pandemia, conforme declarado pela OMS.

Agência UVA: O Brasil possui muitas instituições incumbidas da gestão da saúde e vigilância sanitária: o Ministério da Saúde, duas agências governamentais (ANS, ANVISA), Sistema Único de Saúde, secretarias estaduais e municipais de saúde e vigilância sanitária, etc. Em sua opinião, estamos preparados para dar uma resposta à ameaça do coronavírus?
PM: Sim, com certeza. É por intermédio da Vigilância em Saúde ou sanitária que o país faz esse controle. Por se tratar de uma doença que vem de fora, é nos portos e aeroportos que se faz o controle inicial. O epicentro da pandemia foi na China, e lá, hoje, já se registra o decréscimo do número de casos. Então, onde o surto se inicia essa progressão vai acontecer. Mas as medidas de controle que estão sendo adotadas aqui no Brasil já são suficientes para diminuir o ímpeto projetado.

Professor de Saúde Pública da UVA conversou com a Agência UVA sobre prevenção da doença (foto). Foto: Divulgação/US Army

Agência UVA: Ainda recorrendo ao cenário atual, como a população deve se comportar?
PM: Com tranquilidade. Todos nós somos suscetíveis ao contágio porque se trata de um vírus novo para o qual ninguém tem anti-corpos. Mas, apesar de ter uma propagação muito rápida e ser de fácil transmissão, a letalidade é relativamente baixa. A Covid-19 mata poucas pessoas, se comparada a outras doenças infecto-contagiosas como o sarampo e a gripe, por exemplo.

Agência UVA: O vírus chegou aqui no verão, mas estão chegando o outono e o inverno, as estações mais propensas à ocorrência de doenças virais do tipo influenza. O senhor acha que a mudança poderá para potencializar a pandemia?
PM: Nós da epidemiologia já esperamos nessas estações o aumento das doenças respiratórias. Mas, volto a dizer, trata-se de um vírus novo, desconhecido. Então, vamos ter que acompanhar para ver como ele vai se comportar no hemisfério sul, onde as condições são diferentes do hemisfério norte, onde se originou. Pode até ser que, no calor dos trópicos, ele não tenha o mesmo poder.

Agência UVA: Além das autoridades governamentais, a pandemia é o assunto de maior interesse entre as pessoas. Como o senhor vê o papel da imprensa no combate ao coronavírus?
PM: O fundamental nessa questão é exatamente a informação, principalmente para evitar o pânico. Com o aumento dos casos muita gente começa a publicar nas redes sociais informações erradas (fake news), coisas que não têm nada a ver com o coronavírus. O que combate de fato o vírus é a higienização das mãos, que são os pontos de maior transmissão.

Agência UVA: O Diretor da OMS, Tedros Adhanom, declarou que os países devem buscar um “bom equilíbrio” entre proteger a saúde, minimizar as pertubações econômicas e sociais. Como o senhor analisa essa proposição?
PM: Inegavelmente a pandemia impacta na economia mundial. Acredito que primeiro devemos observar o comportamento do vírus e, depois, ver as medidas tomadas pelos outros países para ver quais se adaptam à realidade brasileira.

Agência UVA: No âmbito das universidades, escolas, nas empresas em geral, que medidas o senhor julga necessárias?
PM: Informação. Não tem outra medida. Para que as pessoas não entrem em pânico e saibam como se prevenir, como fazer a higienização, conhecer a etiqueta respiratória, etc. Se a pessoa se sentir com os sintomas da doença (caso suspeito), saber que ela precisa ficar em casa, evitar o contato com aglomerações e procurar a confirmação do diagnóstico nos serviços de saúde. E isso só vai ser possível com a INFORMAÇÃO.

Agência UVA: Em relação à Universidade Veiga de Almeida, o que está sendo feito pela Coordenação de Enfermagem ou pela Direção para enfrentar a situação?
PM: Já estamos divulgando nos murais material educativo com informações atualizadas diariamente. Além disso, estamos fazendo capacitações em salas de aula, além de treinamentos de grupos de alunos e também do pessoal da limpeza, que ficam mais expostos. Treinando esses funcionários para limpar não apenas o chão, mas, principalmente os locais onde as pessoas tocam com as mãos, como maçanetas, corrimãos, etc.

Na quinta-feira (12), ao final desta reportagem, o Ministério da Saúde registrava 77 casos confirmados e 1.422 casos suspeitos.

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Francisco V Santos – 7o período de Jornalismo

4 comentários em “Covid-19: especialista em saúde pública recomenda que população não entre em pânico

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