Esporte

Especialistas analisam o Clube-Empresa no Futebol

Deputado federal Pedro Paulo é o líder do projeto de lei que propõe a transformação dos clubes em empresas

Um dos maiores problemas no cenário do futebol atualmente é a quantidade de clubes com problemas financeiros e bastante endividados. Com isso, uma discussão que vem sendo debatida é um projeto de lei que visa transformar os times brasileiros, até então sem fins lucrativos, em empresas, no popular, “clube-empresa”. A proposta é do deputado federal Pedro Paulo (DEM/RJ).

Acredita-se que muitos clubes ainda não viraram empresa por questões políticas, visto que, tendo uma gestão profissional gerindo o clube, esse determinado time não vai contar mais com a figura de um dirigente amador eleito para dois ou três anos de mandato, que tem a ultima palavra. Não seria mais a imagem daquele presidente mandatário único com a caneta na mão que se vê no futebol hoje em dia. A diretoria passaria a ter um CEO (maior cargo na hierarquia organizacional de uma empresa).

Pedro Paulo na apresentação do Projeto Clube-Empresa na Comissão de Esporte da Câmara. (Foto: Reprodução/Twitter-Pedro Paulo)

Um exemplo do poder de um presidente nesse modelo seria nas tomadas de decisões para o time, como, por exemplo, decidir nas contratações dos jogadores e técnicos, nas decisões dentro do clube, entre outros aspectos. Quando se fala em clube-empresa, quer dizer deixar as atividades sociais e os esportes amadores de um lado, e separar o futebol profissional, deixando a gestão nas mãos de uma empresa com CNPJ, um caixa, uma diretoria diferente, para que façam a administração só do futebol, tendo acionistas podendo intervir em decisões do diretor/presidente da equipe.

O jornalista do UOL Esporte, Danilo Lavieri, acredita que um clube-empresa pode ajudar os endividados, porque investidores colocariam dinheiro para comprar parte das ações do time e assumiriam a dívida.

“O principal ponto positivo é a organização do clube, que provavelmente vai melhorar. Mas é muito importante os clubes se protegerem dos interesses dos investidores, para não passar por casos como o do Figueirense”, alerta.

Danilo também aponta para um ponto negativo nesse projeto.

“O principal ponto negativo, é que, dependendo do contrato feito, um clube pode acabar fechando as portas como se fosse só mais um negócio que não deu certo, desconsiderando a história, a torcida e toda a importância que ele pode ter para a comunidade local. Um bom exemplo deste perigo é o caso do Bury, na Inglaterra”, lembra o jornalista.

Já o jornalista Flávio Prado, comentarista da Jovem Pan e apresentador do Mesa Redonda da TV Gazeta, não enxerga um ponto negativo no projeto.

“As dívidas teriam que ser equacionadas antes da mudança do clube para empresa. Provavelmente, os investidores pagariam por elas como a Red Bull fez com o Bragantino. Não vejo nada de ruim no novo sistema, e os desvios financeiros cessariam, já que o clube teria dono e ele automaticamente já teria o lucro dos negócios”, opina Flávio.

Um fator complicador para a proposta

A proposta de Pedro Paulo tem como objetivo que os clubes virem empresas, para que possam entrar em uma recuperação judicial. Uma empresa tradicional, por exemplo, precisa de pelo menos dois anos para tomar essa iniciativa, mas o deputado quer que essa questão seja imediata.

Na prática, se um clube com uma grande dívida inicia esse procedimento de restauração na justiça e consegue aprovação, ele ficaria seis meses sem receber nenhum tipo de penhora, tendo que montar um plano para se recuperar e apresentar às pessoas que eles estão devendo. Se esses credores não aceitarem a proposta do time, o clube de futebol fecharia e iria à falência, algo que seria impactante para o cenário futebolístico.

Botafogo é um dos times mais interessados no projeto clube-empresa.
(Foto: Reprodução/Twitter-Botafogo F.R.)

O projeto de lei do deputado não caiu bem diante de clubes como Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Bahia, Ceará e Athletico-PR, que tiveram de encontrar meios para arcar integralmente com as suas dívidas. Eles pagaram ex-funcionários por meio de Atos Trabalhistas, renegociaram dívidas cíveis com os credores, aumentaram receitas, seguraram os custos, fizeram sacrifícios, até chegarem ao momento em que estão, com investimento e competitividade.

Luhan Alves- 6° Período

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