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Um papo com Luiz Felipe Carneiro, autor do livro Rock In Rio: A história do maior festival de música do mundo

Jornalista e escritor comenta suas visões e opiniões sobre o evento

Terminou essa semana mais uma edição de um dos maiores festivais de música do mundo. O Rock In Rio, que teve sua primeira edição em 1985, é um marco em diversos aspectos na produção cultural do país e já está no imaginário popular do brasileiro.

Aproveitando o clima de saudade que o evento deixou em todos os que o acompanham de perto, a Agência UVA conversou com uma autoridade no assunto. O jornalista Luiz Felipe Carneiro que a partir de sua tese de monografia escreveu o livro ”Rock In Rio: A história do maior festival de música do mundo”, falou com nossa reportagem.

Agência UVA: O que levou você a escrever o livro sobre o Rock In Rio?

O Rock In Rio sempre foi um fetiche para mim, porque eu tinha 5 anos de idade quanto teve a primeira edição e morava em um edifício na Barra da Tijuca, em uma época que a Barra devia ter uns 10 prédios apenas. Lembro que eu chorei porque queria ver o Queen. Obviamente, meu pai não quis me levar com essa idade, então minha mãe me levou até a varanda, de onde podíamos ver as luzes da Cidade do Rock. Eu lembro que minha mãe apontava e falava ”O Queen está no palco” e eu respondia ”Não está não, o Queen é só de madrugada”. Então, eu tenho esse fetiche pelo Rock In Rio.

Me recordo que quinze dias depois de acabar o evento, eu tinha um passeio do colégio que passava na porta do RIR, e eu me lembro que estavam desmontando a cidade do Rock na época. Eu me virei para minha professora e disse ”O Rock In Rio foi aqui” parecendo que tinha visto algo extraordinário, como se fosse onde um disco voador tinha pousado.

Quando eu estava me formando na faculdade de jornalismo quis fazer minha monografia sobre o Rock In Rio, fazendo uma comparação entre a cobertura da imprensa em 1985 e 2001. Então, eu fiz essa monografia e coloquei na cabeça que um dia iria escrever um livro sobre a história do Rock In Rio. Nesse meio tempo, anunciaram a volta do festival em 2011, o que serviu de inspiração para fazer as entrevistas que faltavam. Fui falar com o Roberto Medina, falei com artistas, inclusive o Brian May (Queen). Depois disso, eu terminei o livro, que saiu a tempo da edição de 2011.

Agência UVA: Como você enxerga a maneira como o festival se desenvolveu? Acha boa ou ruim? Qual sua opinião sobre o RIR Moderno?

Eu acho sinceramente que o Rock In Rio, em termos musicais, mudou muito pouco, porque já em 85 tinha essa mistura de estilos. Eu vejo muita gente comentando que Rock In Rio bom era o de 1985 porque tinha só Rock. Isso daí é brincadeira, né? O RIR de 1985 tinha Elba Ramalho, Ivan Lins, etc. Tinha música Pop também.

O que eu acho é que a música Pop de hoje é pior que a de ontem, isso é a minha opinião. E foi o festival em si que mudou. Estava brincando esses dias que o RIR atual é um ótimo lugar para quem não gosta de música, porque as pessoas iam antigamente para esses festivais para simplesmente escutar música. Hoje não, a pessoa quer ir ao Rock In Rio, tirar foto com o letreiro, andar na roda gigante. Ela quer simplesmente estar lá. Eu acho que o festival mudou nesse sentido, mas eu acho no fundo o que mudou mais foi o público, então o RIR apenas acompanhou isso.

Agência UVA: O Que você achou da edição de 2019? Algum destaque?

Tem muita gente criticando o RIR, dizendo que não deveria ter mais. Eu acho isso uma bobagem. Acredito que se tiver 200 shows em um festival e um deles for muito bom, memorável, já valeu a pena. Eu acho que esse RIR teve um show memorável do Iron Maiden, que foi fantástico. O Show da Pink, apesar de não gostar da música dela, sei que foi muito bom. O do Scorpions eu particularmente gostei muito. Achei uma vibração muito boa no show, cantando as músicas que tocaram em 1985, tipo Still Loving You. O do Nile Rodgers com o Chic também achei fantástico. O Foo Fighters também fez um grande show.

Na área nacional, eu cito Elza Soares no palco Sunset. Gostei muito. Apesar da idade avançada, ela fez um show diferente e de muita coragem. E também os Paralamas que, mesmo com as limitações naturais da voz do Herbert, fizeram um show sensacional.

Agência UVA: Para fechar, um Top 3 pessoal dos seus shows favoritos da história do festival.

1-Bruce Sprinsteen (2011)

2-Queen (1985)

3-R.E.M (2001)

Felipe Pereira – 8° período

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