Meio Ambiente

Sínodo da Amazônia: debate convocado pelo Papa inicia neste domingo (06)

“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” é o tema escolhido pelo sumo pontífice para esta edição.

Em alta devido aos incêndios florestais e às propostas do governo de Jair Bolsonaro relativas ao avanço da fronteira agrícola e a suspensão da demarcação de terras indígenas, a Amazônia brasileira ganha ainda mais destaque nas próximas semanas. Isso porque, entre os dias 6 e 27 de outubro, a Igreja Católica realizará no Vaticano, em Roma, o Sínodo dos Bispos para a Amazônia. A assembleia especial foi convocada em outubro de 2017 pelo Papa Francisco e tem como foco discutir, entre as lideranças católicas, o papel primordial da floresta na questão ambiental, cultural e religiosa, com destaque para a evangelização dos indígenas.

Ao todo, mais de 250 bispos, religiosos, pesquisadores e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) participarão do Sínodo. Além do Brasil, serão discutidas também as questões ambientais dos demais oito países que compõem a bacia da floresta: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Venezuela e Suriname. Parlamentares brasileiros de vários partidos estão preparando um estudo sobre direitos humanos na Amazônia Legal (nome atribuído pelo governo brasileiro à área que pertence ao Brasil) para apresentarem aos bispos durante o evento. O documento deve ser finalizado ainda nesta sexta (04).

Formação dos participantes do Sínodo Amazônico.
(Foto: Reprodução/Facebook/CNBB – Conferência dos Bispos)

Na última terça, (02), uma audiência pública foi realizada na Câmara dos Deputados para debater questões que serão tratadas na Assembleia. A reunião foi promovida por duas comissões da casa: a de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e a de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA). Nela, estiverem presentes lideranças do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Entre o que foi debatido, conhecer, escutar e atender as necessidades dos povos presentes na Amazônia (ribeirinhos, quilombolas e indígenas) foi o principal ponto defendido na reunião.

Para o franciscano secular Sergio Libório Sales, a expectativa da igreja em geral é a de que haja mais cuidado para com o meio ambiente.

“Precisamos dialogar mais para que encontremos caminhos de conscientização e soluções a níveis de responsabilidade e dignidade para lidarmos com as diferenças. A real intenção é de termos, num futuro muito próximo, uma harmonização da relação entre o homem e a natureza”, comenta Sergio.

Por conta de seu viés ambientalista e por tratar propostas consideradas heréticas por alguns religiosos, como a possibilidade de se ordenar homens casados, preferivelmente indígenas, como padres na Amazônia, o Sínodo tem sido alvo de ataques por integrantes da ala ultraconservadora do clero. Contudo, o papa Francisco vem reafirmando que a questão amazônica não é um problema somente da região, mas sim, de ordem mundial. Dessa forma, o forte discurso contrário ao desmatamento, por exemplo, já tem sido motivo de preocupação para o governo brasileiro, que já se viu pressionado internacionalmente por conta das queimadas.

Leandro Victor – 7º período

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