Cultura

Com roteiro forçado, “Rambo: Até o fim” se perde na própria história

Filme perde tempo criando uma atmosfera que não conversa com os outros filmes da franquia

O herói de ação é praticamente um gênero do cinema, desde os filmes de faroeste, até sua consagração nos anos 70, com Chuck Norris, Arnold Schwarzenegger e o lendário Bruce Lee. O que diferencia Sylvester Stallone dos citados é que ele é de fato um bom ator. Não à toa foi indicado ao Oscar e venceu o Globo de Ouro por sua atuação em “Creed”. No entanto, em “Rambo: Até o fim”, ele parece ter se esquecido do próprio talento e aceitado o rótulo de “exército de um homem só”.

O roteiro é bem simples, mas tem o mérito de tentar dar mais profundidade à John Rambo. Durante o filme, é mostrado o quanto suas experiências com a guerra e toda a violência que viveu afetam sua vida, a ponto de transformar sua fazenda em uma fortaleza repleta de tuneis subterrâneos para o caso de um ataque. Ainda assim, fica a impressão de que Rambo sente saudades da guerra, o que fica bem claro no final quando a trilha sonora fica mais animada conforme a violência aumenta.

Grande parte do desenvolvimento do filme acontece no México. Impressiona a forma extremamente caricata como o diretor Adrian Grunberg conseguiu incluir todos os clichês latinos possíveis: Trafico de drogas, tráfico humano, prostituição, reggeaton, policiais corruptos, pessoas andando armadas pelas ruas enquanto bebem sua cerveja. Aliás, nestas cenas é difícil ver uma pessoa que não esteja armada.

Os vilões são um ponto interessante do filme. Apesar de serem bastante estereotipados, eram eles que tinham um potencial de fazer a história ficar mais palatável para um espectador que apenas quer ver um filme de ação. Mas, ao invés disso, o roteiro dá mais ênfase para a história da família de Rambo, que é rasa e mal desenvolvida. O resultado é que mesmo com pouco tempo de tela, o público simpatiza mais com os vilões do que com o herói.

Stallone tenta criar uma relação do espectador com a família de John Rambo.(Foto: Reprodução/Twitter)

A sensação que passa é a de uma produção corrida, com poucas locações, roteiro simples e em certos momentos até parece se “inspirar” outros filme do gênero, como “007 Operação Skyfall” e “Velozes e Furiosos 5”. O filme deixa a desejar no roteiro, mas entrega nas cenas de ação, violentíssimas e com um gore que é novo para a franquia.

“Rambo: Até o fim” é um bom divertimento para quem não quer pensar muito e nem se preocupar com amarrações de roteiro e continuidade. Essa produção mostra bem como Stallone pensa em seus personagens. Rambo é apenas sua “maquina de guerra”, enquanto o desenvolvimento, sentimento e profundidade da história, ficam para Rocky Balboa.

Daniel Fernandes – 8° Período

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