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Documentaristas renomados falam sobre seus trabalhos na Rio2C

Gênero cinematográfico também é assunto durante maior conferência de inovação e criatividade da América Latina

Gênero cinematográfico também é assunto durante maior conferência de inovação e criatividade da América Latina

Uma das atrações mais esperadas para a sexta-feira (26) na Rio2C foi a presença de dois importantes documentaristas americanos, Betsy West e Oren Jacoby. A conversa aconteceu na grande sala Rio2C e teve mediação de João Jardim, diretor da Copacabana Filmes, e Renée Castelo Branco, supervisora de programas da GloboNews.

Betsy West, que concorreu ao Oscar com o aclamado documentário RBG (longa sobre a vida de Ruth Bader Ginsburg, juíza da suprema corte americana, famosa pelas lutas a favor da igualidade de gênero), é jornalista de formação e vem da escola dos telejornais e noticiários. Já seu marido e colega de profissão Oren Jacoby, vem de uma família de documentaristas e possui uma relação mais forte com o cinema. Os dois diretores usaram esse detalhe para explicar a diferença entre seus trabalhos.

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“Documentários são mais focados em um ponto de vista, já quando você é um jornalista tenta cobrir todos os lados das histórias.”

Betsy West

Documentário Global
Renée Castelo Branco, Oren Jacoby, Betsy West e João Jardim, conversam sobre o universo dos documentários (Foto: Luís Bittencourt/Agência UVA)

”Eu tenho uma história nas notícias, mas sempre amei documentários, desde quando era criança” conta ele. Como jornalista, Betsy relata que contava apenas histórias curtas e sentia inveja de Oren por ser documentarista e poder contar histórias mais longas e aprofundadas. Com isso, foi se especializar nas dinâmicas de storytelling e estudou as estruturas para aprender mais sobre o mundo dos documentários.

Já Oren, que vem de uma escola mais artística, acredita que o jornalismo traz assuntos mais relevantes e uma certa seriedade para as produções: ”Ser profundo o bastante, não ser superficial”. Segundo ele, tendo certeza do que as pessoas querem ver, elas serão muito mais engajadas.

Os palestrantes também aproveitaram o tempo no palco para comentarem seus mais recentes projetos. RBG, dirigido por Betsy, conta a história da júiza da suprema corte dos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg, famosa pelas causas de igualdade de gênero na lei americana. ”Eu acho que RBG é um documentário Jornalístico, celebra a vida de uma grande mulher.” Além disso, a maioria da equipe responsável pelo filme era constituída por mulheres, já que a proposta era centralizar a história na luta de RBG pela igualdade de gênero. A documentarista também explicou o árduo e longo processo de produção do longa, que demorou cerca de 3 anos para ser concluído.

Betsy
Betsy West, que concorreu ao Oscar com seu documentário ”RBG”, tem o jornalismo como formação (Foto: Luís Bittencourt/Agência UVA)

Já Oren falou sobre Shadowman, documentário que conta a vida do pintor canadense Richard Hambleton, que após o sucesso na arte de rua teve problemas com drogas e chegou até sem teto. ”Você não escolhe seu tema, ele que escolhe você. Você nao pode resistir” explica Oren, que sempre foi fascinado pela obra do artista que adornava os muros de Nova York nos anos 80. No entanto, a personalidade difícil e os vícios do protagonista foram grandes desafios para o diretor.

Oren
Oren Jacoby, diretor de Shadowman. (Foto: Luís Bittencourt/Agência UVA)

A dupla também explicou como funciona o processo de criação de seus projetos. Betsy conta que é importante se comprometer a passar muito tempo com seu personagem ou tema, e ressalta que é preciso ter certeza de que é um assunto para com o qual você realmente se importa, afinal será um longo processo de imersão. ”A maior parte do processo é seleção”, explica. De acordo com a diretora de RBG, é importante selecionar horas de material que sejam interessantes e não desviem o público do foco principal do projeto: ”Obviamente deixamos muitas coisas de fora. Se esconde algo são as partes chatas, que distraem o público da história central”.

A mudança no cenário dos documentários
Apesar de não contar com o orçamento de um Blockbuster, os documentários vêm ganhando muita força nos últimos anos através dos serviços de streaming e novas plataformas digitais.  ”O último ano foi extraordinário para documentários nos Estados Unidos. Eu acho que existe um sentimento de que a audiência está ai, sedenta por isso’, conta Betsy, que frequentemente ouve relatos de que muitas pessoas se sentem bem e inspiradas depois de terem assistido RBG.

”Os documentários estão se tornando mais internacionais” diz Oren, comentando sobre a possibilidade de ver filmes do mundo todo devido aos serviços de streaming e as novas direções que o mercado está seguindo. ”A Netflix pagou 10 milhões de dólares para o documentário Sundance”,  ressaltou ela, que disse que essa informação era sem dúvida uma boa maneira para encerrar a conversa.


Felipe Pereira – 7o período

 

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