Laudo da PF aponta curto em ar condicionado como causa do incêndio no Museu Nacional

Apresentação da Polícia Federal revela problemas nas instalações após investigações com peritos. Agência UVA ouviu especialista sobre o caso

Agentes da Policia Federal afirmaram, nesta quinta-feira (4), que o incêndio que destruiu o Museu Nacional começou em um ar-condicionado localizado no auditório, no térreo do prédio. O laudo é fruto de uma perícia que se arrasta há alguns meses, por conta da dificuldade nas análises no prédio. Porém, com as investigações ainda em curso, as autoridades não esclareceram se esse defeito no aparelho de ar foi causado por dolo eventual (negligencia) ou ato culposo (criminosa).

A apresentação do caso foi feita pelo delegado responsável pela investigação, Paulo Telles, junto com ouros três peritos. A perícia descartou possíveis causas especuladas à época do incêndio, como queda de balão inflamável, descarga elétrica de raios ou ato incendiário criminoso. A investigação teve uso de drones e imagens das câmeras de segurança para a identificação do foco inicial de incêndio.

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Apresentação da PF com o resultado das investigações Fonte: Agência Brasil

Após a constatação de que o incêndio começou no auditório do museu, a equipe de perícia investigou todos os aparelhos eletrônicos do local, e encontraram fortes indícios de que houve um curto elétrico no ar-condicionado. O especialista responsável pela parte elétrica afirmou que a instalação do aparelho não seguia as recomendações de segurança.

Sistema de segurança irregular
A perícia divulgou também que o Museu Nacional não possuía equipamentos e sistemas básicos de combate a incêndios. Segundo a PF, o Museu possuía apenas extintores de incêndio e hidrante do lado de fora, ao mesmo tempo em que não apresentava: sprinklers no teto, detectores de fumaça, alarme de incêndio, instruções de segurança (placas), saídas de emergência e mangueira de incêndio predial.

O engenheiro civil Leandro Costa, em conversa com a Agência UVA, afirmou que, segundo a lei anti-incêndio, o prédio do Museu precisava ter estes itens para ser regularizado junto ao Corpo de Bombeiros.

“O prédio com certeza não tinha alvará, com tantas coisas faltando. São itens básicos que amenizam qualquer acidente desse tipo, ajudam a prevenir”. Leandro também relembrou que a instalação que pegou fogo na tragédia do Ninho do Urubu também estava irregular: “Na maioria das vezes que acontece um incêndio desse tamanho, o local está irregular. Com o alojamento do Flamengo foi a mesma coisa. Parece que tem um certo descaso com essa parte, talvez pela burocracia” diz o engenheiro.

O incêndio no Museu aconteceu no dia 2 de setembro de 2018, provocando a destruição de um acervo com cerca de 20 milhões de itens. Até então, ainda não se sabia com clareza o que teria causado o incidente.

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Poucos itens do acervo sobreviveram ao incêndio de grandes proporções Fonte: Agência Brasil

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Victor Leal – 7o período

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