Jonas Brothers, Sandy & Júnior e os comebacks da música pop

Artistas de sucesso no passado voltam aos palcos depois de anos afastados dos holofotes

A música pop vive de novidades. De tempos em tempos aparecem novos artistas, ritmos, modas e por aí vai. Em 2019, porém, a moda é a nostalgia. Diversos grupos de sucesso no passado estão voltando à ativa e fazendo seus fãs delirarem com a memória dos antigos e alguns novos hits.

Já se sentia desde 2017, com a volta do grupo Black Eyed Peas, que uma possível onda dos chamados “comebacks” (termo em inglês usado para descrever o retorno de artistas) estava para acontecer, o que não se esperava era a dimensão que se tornaria essa nova tendência da música. Grupos consagrados como Jonas Brothers, Spice Girls e o fenômeno Sandy e Júnior também fazem parte disso.

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Jonas Brothers na divulgação de seu retorno (Foto: Reprodução/Twitter)

Explorar o passado sempre foi comum na cultura pop, especialmente no cinema e nas séries de TV. Fazem sucesso nas telas produções como a vencedora do Amy Awars de melhor série, “The Americans”, um drama sobre a guerra fria, ou mesmo o recente filme “Capitã Marvel”, que se passa nos anos 90.  Ainda assim, é a primeira vez que essa tendência invade a música.

Após o retorno do grupo Black Eyed Peas, que sem a cantora Fergie, uma das estrelas da banda, não chegou perto do sucesso que tinha antes da pausa de seis anos dos palcos, foi a vez de uma mania britânica voltar aos holofotes. As Spice Girls anunciaram uma turnê de 13 shows em grandes estádios do Reino Unido, como por exemplo, o Wembley Stadium, com capacidade para até cem mil pessoas. É um evento tão grandioso no Reino Unido, que Jess Glyne, uma das cantoras de maior sucesso na música britânica atualmente, fará “apenas” os shows de abertura da turnê.

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Spice Girls em sua nova formação, sem Victória Beckham (Foto: Reprodução/Twitter)

Diferentemente do grupo norte-americano, as Spice Girls devem deixar uma forte marca na música pop em 2019, mesmo sem Victória Beckham, uma das integrantes mais famosas. Assim como o símbolo da geração dos anos 90 no Brasil, Sandy e Júnior, que também anunciaram uma turnê de celebração pela história da dupla. Uma curiosidade é que tanto Sandy e Júnior, como as Spice Girls não lançaram nenhuma música nova, portanto seus setlists contarão exclusivamente com sucessos do passado.

No Brasil, a dupla foi um verdadeiro fenômeno, com milhões de discos vendidos e acumulando fãs através dos anos. Uma delas é Jenifer Lemos, que fala um pouco sobre sua admiração pela dupla. “Não lembro exatamente quando os conheci, devia ter uns 3 anos, mas desde então, me apaixonei, era completamente fissurada neles, sou até hoje. Deixava o CD deles tocando o dia todo na casa da minha avó, e eu cantava, dançava, assistia todos os programas possíveis de TV”, comenta.

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Dupla durante a promoção da turnê ‘Nossa História” (Foto: Reprodução/Twitter)

Jenifer fala também sobre o período de afastamento dos artistas, que teve início em 2007. “Continuei ouvindo todas as músicas, mesmo depois que eles terminaram a dupla, e durante todos esses anos, e até hoje tenho uma playlist. Não foi uma coisa que se perdeu”. Ela continua, contando sobre a influência da dupla: “era a única coisa que ouvia quando criança, então foi uma grande influência, um exemplo, e isso me fez levar essa paixão pela música, pelo canto, instrumentos, tanto que eu entrei na escola de música, me formei e depois dei aula de canto por dois anos”, conta.

Uma explicação Cientifica para essa paixão

O retorno desses artistas e principalmente o sucesso deles mostra o quanto as música antigas geram apego. Essa paixão pode ser entendida pela psicologia, como explica a musicoterapeuta Ludmila C. S. Poyares. “O ser humano convive com sons desde o ventre da mãe, então todas as experiências estão sendo formadas, através dos receptores do sistema sensorial que é a primeira forma de aprendizado e interação com o que está sendo vivido”, esclarece.

Ela explica também quando começamos a relacionar a música com as experiências de vida e como isso influencia o nosso gosto musical. “Com o tempo, os órgãos sensoriais são estruturados e proporcionam a essência do significado. Com a música ocorre da mesma forma, construindo as memórias afetivas e musicais, sendo envolvidos nos aspectos qualitativos e subjetivos, nos diferentes estímulos sonoros alterando, assim, o comportamento, a socialização, a psique, a formação neuronal nas áreas cognitivas, entre outras. Os efeitos sonoros e musicais podem ser sentidos em diferentes ambientes e situações que atingem as emoções, que é um dos objetivos da música e vice-serva. Por isso que quando ouvimos uma música de uma década específica ocorre o momento nostálgico de prazer/desprazer”, ressalta Ludmila.

Por causa disso existe uma área específica da ciência responsável apenas por entender e aplicar os benefícios da música no cérebro humano. “Como musicoterapeuta utilizo os elementos musicais e a música como uma forma de tratamento. Ele tem que ser realizado de forma adequada, por um profissional habilitado e graduado em Musicoterapia que proporciona com um objetivo especifico para cada quadro clínico a reabilitação global biopsicossocial de cada sujeito”, conclui.

A força de um comeback

Outros artistas que voltaram nessa leva dos comebacks foram: Panic! At the disco, The Black Keys, Hozier, Rouge e talvez o mais surpreendente dos retornos, os Jonas Brothers.

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Nick, Joe e Kevin se reúnem após cinco anos em projetos paralelos (Foto: Reprodução/Twitter)

Os irmãos que começaram bem novos tiveram seu auge entre 2008 e 2010, especialmente na época do lançamento do filme “Camp Rock” que também ajudou a lançar a cantora Demi Lovato ao grande público. Ao longo dos anos foram conquistando fãs, prêmios e sucessos, mas ironicamente o hit mais bem sucedido só veio com o retorno, depois de cinco anos dos integrantes Nick e Joe tentarem outro projetos. Nick, com sua bem sucedida carreira solo e Joe, com a banda DNCE.

A música “Sucker” estreou em primeiro lugar nas paradas americanas, superando “Shallow” de Lady Gaga e Bradley Cooper, e os hits de Ariana grande, “Thank You, Next” e “7 Rings”, que haviam estacionado nas primeiras posições da lista por algumas semanas.

Assim como Sandy e Júnior, os Jonas Brother também marcaram uma geração de fãs, uma delas, Rachel Binoto fala sobre a importância do grupo em sua vida. “Não faço ideia de como os conheci, mas gostei desde o início. Foram marcantes com suas músicas que pensei até em colocar nos 15 anos, porque tinha um significado muito grande”.

Karyne Luize, outra admiradora do grupo fala sobre o significado das músicas para ela. “Foram marcantes no sentido de eu entender que a música tinha várias faces, eu não precisava seguir um padrão de comportamento para ouvir aquela música”, comenta. Ela diz também que acompanhou os outros projetos dos integrantes durante o hiato. “Gostava de algumas (músicas), sim, como ‘Kissing Strangers’ e ‘Cake By The Ocean’ do DNCE e “Levels” do Nick Jonas”.

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Volta da banda Oasis é uma das mais pedidas nas redes sociais (Foto: Reprodução/Twitter)

Com essa nova moda na música, alguns fãs já se animaram e começaram nas redes sociais a pedir pelo retorno de outros grupos, como os britânicos do One Direction, The Wanted, e principalmente pela banda Oasis, afastada desde 2008. Por isso, os ânimos aguardam ansiosamente pelo o que este ano ainda reserva.

Daniel Fernandes 7° Período

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