Professores e alunos do curso de Jornalismo lamentam morte de Boechat

Âncora da BandNews e da TV Bandeirantes morreu na queda de um helicóptero na tarde de segunda-feira (11)

A notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat, na tarde de segunda-feira (11) caiu como uma bomba nas redações de todo o Brasil, mas também nos corredores e salas de aula da Universidade Veiga de Almeida (UVA). Como se não bastassem o desastre  de Brumadinho e o incêndio no Ninho do Urubu, em que 10 jovens atletas morreram queimados, o início de 2019 levava também uma das figuras mais icônicas dos meios de comunicação do país.

Para o jornalista Luís Bittencourt, Coordenador do Curso de Jornalismo e Doutor em Comunicação e Cultura, o jornalismo brasileiro está de luto. “Ricardo Boechat era um norte para todos nós. Uma presença diária que nos lembrava a todo momento do que é ser jornalista nessa era da “pós-verdade”. Não se iludir com esses conceitos da moda. Ter consciência do compromisso com a sociedade. Não se intimidar com os “donos do poder”. E a consciência de que jornalista não tem partido. Se há partido é o que está do lado da sociedade, da democracia, da liberdade de expressão, que ele tão bem usou durante todos esses anos nos diversos meios que trabalhou”, disse Bitt.

A jornalista, Mestre em Avaliação e professora da disciplina de Assessoria de Imprensa da UVA, Ana Cristina Rosado também comenta a perda. Ela conta que foi uma honra ter Ricardo Boechat como seu professor no curso de Jornalismo da Faculdade da Cidade.

“Com certeza um dos maiores presentes que recebi durante a minha formação. Ele era um sábio, um gênio, uma águia do jornalismo. Boechat marcou o jornalismo com a sua coragem. Eu sempre dizia que era o porta-voz do povo brasileiro”, comentou Ana Cristina.

A admiração por Ricardo Boechat não partia somente dos que conviveram com ele. O professor de Telejornalismo da Veiga, Gustavo Lacerda, que é Doutorando em Comunicação, conta que ficou impressionado com a carreira premiada de Boechat e, a partir disso, começou a acompanhar mais o seu trabalho. “Nossos alunos sentiam muita proximidade com o trabalho dele. Ele impressionava por sua proximidade com o público em geral”, disse. Gustavo relembrou alguns episódios em que a forma contundente de falar de Boechat mostrava claramente seu posicionamento engajado em causas políticas e sua preocupação com o bem estar social.

Boechat

Além de âncora, Ricardo Boechat era conhecido pelo programa que apresentava todas as manhãs na BandNews, o site da rádio chegou a ficar fora do ar devido à morte do jornalista Foto: Reprodução

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Durante o dia, numa tentativa de falar com alunos e ex-alunos da Veiga que trabalham no Grupo Bandeirantes, a reportagem da Agência UVA conseguiu conversar com Carlos Briggs, chefe de reportagem da Rádio BandNews Fluminense FM.

“O Boechat não era da Band, a Band era do Boechat”, afirma o jornalista Carlos Briggs. Com quase dez anos de casa, Briggs comenta como era conviver com Boechat. “Ele era de uma genialidade, de um pensamento rápido, de um raciocínio em frações de segundo, algo fora do comum. Ele nos ensinou a sermos jornalistas de uma forma que transcende qualquer explicação lógica. Fui durante oito anos repórter dele, hoje eu sou chefe de reportagem, muito graças a ele”, contou, emocionado.

A Doutora em Comunicação e jornalista Maristela Fittipaldi, também professora do curso de Jornalismo da Veiga, conta que trabalhou no jornal O Globo no mesmo período em que Boechat mantinha uma coluna:

“Quando um jornalista morre, além de sua própria história, vai embora parte da história de todos nós. Em sua profissão, um jornalista testemunha, vivencia, mergulha na realidade de forma intensa todos os dias, na permanente tentativa de desvendar o ser humano, a sociedade, a realidade à sua volta, para compartilhar com o público. E Boechat certamente fazia isso de forma competente, vigorosa e destemida. Espero que seu legado possa continuar inspirando gerações de jornalistas a valorizar sua profissão e a acreditar num jornalismo corajoso e de qualidade”, disse Maristela.

A aluna do curso de Jornalismo Raísa Pires, que foi estagiária da BandNews por cerca de um ano e meio, reforçou o quanto Boechat era querido na redação. “O Boechat era fora do ar o que ele era no ar, ele não tinha máscara. Era a mesma pessoa, então, se no ar ele brigava, ele puxava a orelha, ele fazia isso fora do ar. O que as pessoas me diziam lá, os que trabalhavam diretamente com ele, é que isso instigava elas a correrem atrás e melhorar. E o grande legado dele naquela rádio, é a relação que a rádio tem com os ouvintes. O legado dele é o vinculo com os ouvintes, os ouvintes consideram a Band  como uma família, uma segunda família pra eles”, refletiu ela.

Eloá Custódio, aluna de Jornalismo e estagiária da Rádio UVA, diz que a morte de Boechat se torna tragédia não só pela forma violenta e inesperada como aconteceu, mas também pelo que ele representava. “O principal legado que os novos jornalistas devem aprender com Boechat é que é possível ser imparcial e, ao mesmo tempo, crítico, como ele foi”, disse. “Ser crítico é defender o interesse público e Boechat fazia isso. Só temos a aprender com ele. Na segunda-feira mesmo, pouco antes de morrer, ele estava no ar denunciado e comentando tragédias anteriores”, completou. Para ela, é o jornalismo perde um de seus grandes nomes.

Boechat

Ricardo Boechat tinha 66 anos Foto: Divulgação

Boechat morreu no início da tarde desta segunda-feira (11), em São Paulo. O apresentador e radialista retornava de uma palestra em Campinas, quando o helicóptero no qual estava caiu na Rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel. A queda causou a colisão com a dianteira de um caminhão que passava pela via no momento. Além de Boechat, o piloto do helicóptero, Ronaldo Quattrucci também morreu. O motorista do caminhão sofreu ferimentos.

A notícia da morte do jornalista repercutiu rapidamente nas redes sociais. Amigos, colegas de profissão e admiradores do trabalho de Boechat expressaram indignação e tristeza pelo trágico acidente e pela falta que o comunicador fará, não só no jornalismo, mas na sociedade.


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