Exposição de Jean Basquiat chega ao Rio de Janeiro

Desde o último dia 12 de outubro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) abre suas portas para receber a exposição de um dos maiores nomes do movimento artístico neoexpressionismo – as obras da coleção Mugrabi de Jean Michel Basquiat – que vão ficar no Rio de Janeiro até o dia 7 de janeiro de 2019. A mostra conta com mais de 80 quadros, desenhos, gravuras e inclusive pratos de porcelana com pinturas famosas, feitos pelo pintor americano de descendência afro-caribenha, que recentemente entrou para o clube dos artistas que tiveram sua obra vendida por mais de cem milhões de dólares.

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A história do pintor neoexpressionista Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

A exposição “Jean Michel Basquiat – Obras da Coleção Mugrabi” tem esse nome, porque quem possui as artes é o multimilionário José (Yosef) Mugrabi, um colecionador israelense que conquistou sua fortuna após se mudar para a Colômbia com 16 anos e começar a trabalhar na indústria têxtil, tendo anos mais tarde se tornado um dos principais nomes do setor de importação. Depois de se mudar para Nova York, um amigo e curador chamado Jeffrey Deitch o apresentou para a cena artística da cidade, que estava crescendo muito nos anos 80, a partir daí, começou seu hobby. Hoje ele é dono da maior coleção privada de Andy Warhol – que vai aparecer nessa exposição várias vezes – e da mais importante coleção de obras de Basquiat.

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Quadro “Ovos”, de Basquiat e Andy Warhol Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Localizado no Centro do Rio de Janeiro, o CCBB vai receber pela primeira vez uma retrospectiva do artista negro no país, sendo a maior da América Latina. Desde suas primeiras obras, ainda na década de 70, até seu último ano de vida. No primeiro andar do museu, existe um ambiente adaptado, cheio de luzes, em que artistas brasileiros homenagearam o pintor nova-iorquino em suas obras. A atendente de 22 anos, que foi visitar o local, Maria Martins, opinou sobre: “Com tantos artistas assim criando pinturas em homenagem a ele, já se imagina o quanto o pintor é importante para a arte”. No segundo andar, todas as mais de 80 obras estão em ordem cronológica e contam por meio da arte e pequenos textos espalhados, sua história e evolução no mundo artístico.

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Quadro “Coelho Vermelho” Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Apesar de começar pichando paredes e seu estilo lembrar as ruas de Nova York, ele não é grafiteiro. Porém, sua rapidez na execução, seu traço grande e a frontalidade têm bastante semelhanças. Basquiat gostava também de misturar as imagens com o texto – para ele era tudo igual. Segundo a guia da exposição do CCBB, Mariana Morais, o artista inovou: “Ele começa a pintar de uma forma completamente nova e original, tentando quebrar essa questão do desenho tradicional que todos conheciam há muito tempo, com as mesmas questões de profundidade, perspectiva e fundo das obras.” O pintor também leva esses desenhos “infantis” para sua vida adulta de artista, como é possível ver em algumas obras dele, inclusive com muitos quadros coloridos.

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“Flash em Nápoles” Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Segundo Mariana, Basquiat tinha muito a característica do desenho de comics, ele gostava de HQs e tudo isso era uma peculiaridade dele. “Quando ele pintava, era muito particular, o que fica evidente quando você olha um quadro desse pintor. É possível reparar muitas referências em suas obras, ao mesmo tempo, ele estava ouvindo música, lendo um livro, vendo televisão e pintando seus quadros, por isso eu o acho tão contemporâneo. O que vivemos agora ele já pensava nos anos 80”. Nas artes dele, fica claro a multiplicidade nas imagens, que ele está absorvendo tudo que acontece ao seu redor: o que ouve na música, o que os amigos falam e tudo o que pensa. E, no fim, tudo é passado para a tela.

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Pinturas sobre pratos de porcelana de artistas famosos Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Uma característica que também chama atenção em suas pinturas é esse fascínio pela anatomia humana, o tem explicação: “Depois que Basquiat sofreu um acidente, sua mãe lhe deu um livro sobre os ossos do corpo humano e o pintor ficou fascinado por esse assunto, levando para as suas telas artes que mostram isso”. Outro atributo dele é a questão da representatividade negra, ainda mais no mercado dominado por artistas e apreciadores brancos. O homem negro era protagonista nas obras do norte-americano, que tinha uma preocupação em retratar essa realidade, já que era o único representante negro nesse setor e gostava de exaltar em suas pinturas esportistas e músicos pretos também.

A ordem da exposição começa com algumas imagens fotografadas na época em que ele pintava prédios de Manhattan, depois são mostradas algumas obras da sua primeira fase, quando o artista não tinha seu próprio ateliê e desenhava em seu apartamento, no final são apresentadas ao público algumas artes feitas com Andy Warhol, seu amigo, artista e também conhecido mundialmente. Estima-se que o CCBB gastou mais de cinco milhões de reais para trazer essa exposição ao Brasil e o público do Rio de Janeiro tem agora essa oportunidade de ver o gênio da arte contemporânea. O museu fica aberto de quarta à segunda e as visitas guiadas acontecem ao meio-dia e às 18 horas.

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“Ataque do Coração”, obra de Basquiat e Andy Warhol Foto: Kim Oliveira / Agência UVA


Kim Oliveira – 7º período

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