Já é hora do recreio e as crianças estão eufóricas para uma rotina que tanto as alegra. Os corredores são tomados por correrias e gritos, na tentativa de chegar aos brinquedos do pátio. Algumas sentam em pequenos grupos, abrem suas lancheiras e já mergulham os dedos no pacote de biscoito. Alguns metros dali, porém, um menino de cabelos cacheados, calçando um par de tênis do seu personagem favorito, o Homem-Aranha, surge, isolado dos demais.
Aparentando estar triste e sem sequer manter contato visual com as outras crianças, senta em um banco esverdeado, distante. Ele se prepara para tomar o suco que sua mãe colocara em sua mochila. O menino sofre de autismo. Assim como ele, cerca de 150 mil crianças por ano são afetadas pela síndrome no Brasil. O Transtorno do Espectro do Autismo é um problema psiquiátrico, que costuma ser identificado na infância, entre um ano e meio a três anos de idade e que compromete as habilidades de comunicação e interação social da criança.
Para a mãe Bruna Almeida Rachid, de 37 anos, foi bastante complicado lidar com a descoberta do filho, de 10, que é autista. “A persistência em todos os ensinamentos foi o que me fez continuar, é uma batalha diária lidar com a síndrome, mas a paciência de entender é o caminho da vitória”, conta. Na série Atypical, da Netflix, é possível entender melhor como funciona a interação do jovem Sam (Keir Gilchrist) e como ele tenta lidar com os problemas da adolescência e também com a família. É curioso como Sam passa boa parte do tempo assistindo sobre a vida animal dos pinguins e acaba percebendo que a relação entre os animais funciona como a sua mente, sendo encarada de forma metódica e racional.

O ator Keir Gilchrist faz um bom trabalho, conseguindo representar bem o autismo, sendo possível notar como dá vida ao personagem de maneira tocante e marcante. Sua atuação faz com que os telespectadores entendam que, de fato, essa condição não deveria ser tratada de forma anormal. Se a primeira temporada já era boa em retratar essa síndrome com esmero, a segunda é feliz em manter o nível.
Nela, é possível relembrar não apenas dos pinguins do jovem Sam, mas também do humor diferenciado do protagonista. A nova temporada estreou no último dia sete de setembro na Netflix e mesmo parecendo sem apelo do grande público, acabou conquistando diversas pessoas que se identificaram com a forma humana dos personagens de levar a vida. Leve, a série nos faz refletir e manipula emoções e sentimentos sobre a ignorância humana.
A estudante e fã da série Roberta Martins afirma que é nítida a compreensão dos diálogos com o mundo do autismo. “Tive a oportunidade de participar da Obra Social Dona Meca e lá trabalhei com um voluntário para crianças e adolescentes portadores do autismo, foi uma experiência única e marcante”, declara a jovem de 22 anos. A estudante diz ainda que a série não deixa a desejar em nada e que para quem quer compreender um pouco mais da síndrome, é uma boa pedida se aventurar pelos capítulos da obra.
Suellen Santos – 6º período e Márcio Rodrigues – 7º período

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