Crianças passam cada vez mais tempo no mundo online

Algo que deveria ser uma distração sadia, tem se tornado um problema. Os jogos online vêm viciando crianças, que passam a maior parte do seu tempo livre jogando. A questão maior é quando as atividades diárias comuns são afetadas pela rotina viciante desse mundo paralelo, o que já tornou esse assunto pauta da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Classificação Internacional de Doenças (CID) passou a considerar, pela primeira vez, o vício em games como um caso de distúrbio mental. Sob o nome de “distúrbio de games”, o problema é descrito como um padrão de comportamento persistente que leva “a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida”.

O jogador Luan Maia, de 10 anos, afirma ter iniciado a vida virtual desde o ano de 2015. Entre os games preferidos estão Grand Theft Auto (GTA) e Fortnite. O primeiro tem classificação indicada para maiores de 18 e o segundo, 12 anos. O menino afirma jogar cerca de 10 horas por dia. Inclusive, enquanto dava o depoimento a Agência UVA, interrompeu por certo período de tempo para “completar uma missão”.

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Luan se altera durante uma partida de jogo Foto: Thaiane Barcelos / AgênciaUVA

Os jogos consistem em cumprir missões e as partidas são divididas com pessoas aleatórias ou não. Luan tem 147 contatos na rede de jogos, a maioria são pessoas desconhecidas. O menino conta que fez um amigo na rede, “o José Revoredo, ele tem 11 anos e mora em Natal. A gente grava vídeo junto pro YouTube”.

No mundo online, Luan afirma ter conhecido outro amigo, que falava espanhol. Ele diz que se esforçava para conseguir conversar no idioma diferente do seu. É comum também praticar o uso da língua inglesa, já que grande parte dos jogadores são americanos. Outro fato curioso é que é bem raro encontrar adultos jogando. A maioria são crianças, mesmo em jogos não indicados para o público infantil.

Um acessório importante é o fone de ouvidos com microfone, por meio do qual, os jogadores se comunicam por mensagens de voz instantaneamente. O menino de 10 anos afirma que o uso de palavrões e xingamentos é comum no meio, mesmo entre os mais novos.

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Assim que chega em casa, Luan joga a mochila e uniforme da escola na cama para começar a jogar Foto: Thaiane Barcelos / AgênciaUVA

“Se eu ouço muitos palavrões, eu digo que se não parar, ele não vai mais jogar e ele pede os amigos para pararem de xingar”, conta Vivian Maia, de 33 anos, mãe de Luan.

A mãe de Luan afirma que sabe que alguns games não são indicados para a idade dele, mas não vê muito problema, desde que o comportamento do mundo virtual não seja refletido na vida real. Ela afirma não aceitar um mau comportamento dentro de casa.

Vivian comprou alguns dos jogos para o filho, mas conta que outros ele mesmo adquiriu online com o cartão de crédito. Nem sempre ela sabe o que é, mesmo permitindo a compra. “Não pega um caderno para estudar para prova, quer jogar o dia inteiro”, foi uma declaração dela sobre a rotina do menino de 10 anos.

Mesmo não acreditando que a vida virtual do filho o ajude, ou acrescente algo de bom, a mãe prefere tê-lo dentro de casa do que fora, na companhia de pessoas que não conhece e não sabe qual é a educação. Ela acredita ser muito mais difícil de controlar as ruas do que os games.

O psicanalista Anderson Rodrigues vê isso como um problema, quando se torna um exagero. O terapeuta diz que os games mais violentos podem estimular comportamentos agressivos e que na falta do jogo, os sintomas podem ser parecidos com os de um dependente químico.

 “A parte imaginativa da criança é muito desenvolvida, a tendência é que elas reproduzam aquilo do que elas se alimentam”, explica Anderson.

Além de se comportar de maneira hostil, o psicanalista explica que é possível que em situações que a criança sofre bullying, ela pode reagir como faria no jogo e descontar nos amigos todas as frustrações que sofre por viver afastada do mundo real.

Relacionando com as informações dadas pelo psicanalista, a pedagoga e professora Viviane Barcelos afirma ver em seus alunos sinais violentos. Ela acredita que muito disso vem por influência do celular e dos games, “eles fazem sinal de arma e de luta como nos jogos”.

Viviane trabalha com a turma do primeiro ano do Ensino Fundamental de um Colégio Municipal em Belford Roxo e seus alunos têm por volta de seis anos de idade. Em um dia durante a aula, ela recolheu as cartinhas de jogos de um aluno e disse que as devolveria somente ao responsável. Uma das crianças arrombou o armário onde estavam guardadas as cartas e as pegou de volta no mesmo dia.

A professora ainda cita a necessidade de imediatismo. “Eles nos dão ‘comandos’, assim como fazem com o celular e querem respostas instantâneas”. Viviane diz que é impossível responder a esse tipo de demanda, o que na maioria das vezes causa irritação e estresse nas crianças.

Por outro lado, Anderson acredita que os jogos podem ser bons, se utilizados de maneira saudável. O psicanalista afirma que a cognição é estimulada e a busca por resolução de problemas e alcance de novas fases estimulam a imaginação. De acordo com as informações que ele fornece, tudo se resume em equilíbrio e em saber controlar o tempo e o tipo de conteúdo que a criança é exposta.


Thaiane Barcelos – 6° período

 

 

 

 

 

 

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