Prevenção do suicídio nas universidades ganha destaque durante o Setembro Amarelo

O ato é a segunda principal causa de morte entre as pessoas com idades entre 15 e 29 anos e faculdades mostram a importância de tratar o tema com os alunos

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Ilustrador: Oi, Aure

A depressão e o suicídio têm sido pautas frequentes devido ao aumento exponencial de casos no mundo inteiro, sendo expressivo também entre os jovens. Essa taxa vem crescendo mais que a média nacional e, mesmo com  o grande acesso à informação e liberdade entre eles, para muitos ainda é um tabu. Com a criação do Setembro Amarelo, busca-se conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e em todo o mundo. Para o projeto, a melhor forma de se evitar o ato extremo é por meio de diálogos e discussões que abordem o problema. A partir dessa iniciativa, diversos lugares se mobilizam com campanhas sobre o assunto, principalmente entre os jovens, como a Universidade Veiga de Almeida (UVA) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Durante todo o mês de setembro, ações são realizadas a fim de sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e para a saúde mental, fazendo-os entender que isso também é uma questão de saúde pública. Os alunos de Enfermagem da UVA, a partir dessa proposta, mobilizaram uma roda de conversa sobre o suicídio dentro da própria universidade, no dia 12 de setembro.

A roda foi aberta para a participação de alunos e qualquer pessoa que quisesse ouvir sobre e até mesmo contar casos e experiências. “A gente queria provocar o assunto. O Ministério da Saúde diz que a principal forma de prevenção é falar sobre e a gente queria isso, que os alunos falassem sobre, porque é um tabu da nossa sociedade, ninguém quer falar de morte. Muito menos de suicídio”, contou Maria Eduarda Chagas Lisboa, de 24 anos, acadêmica do curso de Enfermagem.

A roda buscou ouvir o que os pensamentos dos participantes , ajustar algumas falas preconceituosas, informar como ajudar um amigo ou familiar nessa situação, como agir. A Enfermagem na UVA sempre fica responsável por eventos que promovem a educação em saúde, e com o Setembro Amarelo houve a necessidade de fazer também uma ação, pois as chamadas doenças do século, que são as enfermidades mentais, estão acometendo muito os jovens. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a segunda principal causa de morte entre as pessoas com idades entre 15 e 29 anos. Durante a divulgação os alunos decoraram o bosque da faculdade, fizeram um mural e deixaram um bloco de notas para que quem quisesse desabafar sobre algo pudesse escrever. O que surpreendeu foi que muito contaram casos e a partir deles surgiram conselhos e até números de telefones disponíveis para contato para conversar.

Apesar do trabalho da conversa ter sido muito importante, ele não estava limitado àquele momento. Maria Eduarda contou que durante o dia inteiro eles e alguns alunos do quinto e terceiro período que quiseram ajudar abordaram pessoas pelo pátio da universidade para fazer educação em saúde, aplicaram uma escala para risco de suicídio, fizeram consulta de Enfermagem com alguns casos mais críticos de pessoas que se abriram ou que tinham o risco muito alto. “Nós não tocamos na ferida para deixar descoberta. Acolhemos essas pessoas em consulta, várias já faziam tratamento psiquiátrico e psicológico e só precisavam falar com alguém. Muitas são sozinhas, mas quem não fazia tratamento psicológico ou psiquiátrico a gente está encaminhando com urgência.”

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Ilustrador: Oi, Aure

Tantos os acadêmicos quanto os participantes e o professor responsável tiveram um resultado positivo, como o esperado. Paulo Roberto Machado, enfermeiro da Rede Básica de Saúde e mestre da Universidade, disse que toda organização foi idealizada de maneira conjunta e que, entre os participantes, foram identificadas as necessidades de cada um com a aplicação de um instrumento, individual, que identificava a ideação suicida. “Hoje, as pessoas que tinham uma emergência, ao serem informadas sobre o atendimento na Psicologia, já nos agradeceram e muito”, contou Paulo, que cuidou de cada caso com atenção. Com o sucesso, a ideia é que esta seja uma ação permanente dentro dos espaços da universidade e com a participação de outros cursos.

Com o mesmo intuito de trazer a discussão do Setembro Amarelo, o projeto UERJ Pela Vida e o NACE (Núcleo de Acolhimento do Estudante) promoveu um evento, também no dia 12, que durou das 9h às 18:30 na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, trazendo diversos debates sobre o assunto. Bruno Baptista, de 21 anos, é aluno de Administração na universidade e achou muito importante ter profissionais levantando o assunto, falando com os alunos e para eles. “Eu achei um evento legal porque trouxe psicólogos e teve uma discussão legal, não foi tanta gente, mas é um assunto muito importante falar de suicídio e você vê pouca participação dos jovens. Parece que abrange apenas os estudantes de psicologia, o que não dá uma visão tão ampla já que a taxa de suicídio dos jovens aumentou bastante”.

O evento contou com a participação de Maria das Graças Araújo, responsável pelo Centro de Valorização da Vida do Maracanã (também dentro da UERJ).  Ao final, foi exibido o filme “O que traz boas novas” e realizado um debate com Mariana Steshe, Professora de Psicologia Médica da UERJ, Rodrigo Ferrari, roteirista da Fiocruz, e Max Carvalho, professor de psiquiatria da UERJ. A discussão do tema é essencial para os profissionais, como conta Maria das Graças, que há 25 anos trabalha com essa prevenção: “Ao falar sobre suicídio, é muito importante a reflexão acerca das nossas ações cotidianas que poderiam, de alguma forma, intensificar a dor de alguém que já se encontra em sofrimento. Não são raras as situações em que existem pessoas fragilizadas ao nosso redor sem que tomemos conhecimento. Um caminho é sempre se perguntar: o que estou prestes a fazer (ou a dizer) poderia fazer mal a alguém próximo? Será que eu poderia afetar negativamente alguém, mesmo sem perceber?”.

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Natália Pires – 7º Período

 

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