Setembro Amarelo: quebrando o silêncio para salvar vidas

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No dia 10 de Setembro é celebrado o Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, que inspirou o Setembro Amarelo Foto: Susanne Jutzeler / Pexels.com

No mundo, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida a cada ano. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio se tornou a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde informou que o índice chega a uma média de 11 mil pessoas por ano. Pensando nessa realidade, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria criaram, em 2015, a campanha Setembro Amarelo, buscando trazer à sociedade a discussão sobre suicídio e suas formas de prevenção.

Um dos maiores fatores de risco a serem levados em consideração são os transtornos psicológicos como a depressão, bipolaridade e ansiedade. O Brasil tem a maior prevalência de depressão em toda a América Latina: 5,8%. Além disso, 9,3% dos brasileiros sofrem com ansiedade, segundo dados da OMS. Isso não quer dizer que todas as pessoas que sofrem com esses transtornos irão tentar se suicidar, mas que essas doenças, quando não tratadas da forma adequada, podem levar à morte.

Ana (nome trocado a pedido da entrevistada) tem apenas 18 anos, mas passou por duas tentativas de suicídio até ser diagnosticada com transtorno bipolar, uma doença caracterizada por oscilações extremas de humor, entre a depressão e a mania (humor exaltado).

O Conselho Federal de Medicina estima que 50% dos portadores dessa doença tentam tirar a própria vida. “É sempre assim: eu começo o dia feliz, então fico eufórica, a euforia traz raiva, a raiva se torna tristeza e então eu passo o resto da noite chorando”, relata Ana. No entanto, apesar dos sintomas, sua família não levava seu problema a sério. “Eles diziam que era coisa da idade, da ‘aborrescência'”, lembra.

A falta de compreensão como a enfrentada por Ana é uma das principais barreiras que impedem a busca por ajuda. O julgamento, muitas vezes das pessoas mais próximas, faz com que o indivíduo se sinta ainda mais sozinho.

Segundo o psicólogo Agnelo Junior, é importante entender as dificuldades de cada um. “Eu sempre comparo nós, seres humanos, com copos. Por exemplo, se eu pegar um copinho de café lotado e despejar o conteúdo dele em um copo grande, ele vai conseguir aguentar. Mas, se eu pegar o conteúdo de um copo maior e colocar num copo de café, ele vai transbordar. A gente tem que observar que os seres humanos são desse jeito, cada um aguenta uma quantidade de coisas”, explica. Assim, é difícil especificar as causas de transtornos como a depressão, pois existem diversos fatores psicológicos, biológicos e sociais.

Mais do que tristeza, a depressão, segundo o psicólogo Agnelo, é um estado permanente de desvalia (a pessoa sente que não possui valor), desamparo (se sente sozinha) e desamor (não se sente amada, sente que não consegue fazer com que os outros a amem).  De acordo com a OMS, até 2020, será a doença mais incapacitante em todo o mundo. Entre seus sintomas estão: perda de interesse nas atividades cotidianas, perda ou aumento exagerado de apetite, insônia ou necessidade crescente de dormir, sentir-se cansado e fraco o tempo todo, dificuldade de concentração e ter pensamentos frequentes de morte ou suicídio. Portanto, é preciso atentar-se aos sinais para que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos rapidamente.

Júlia Polý tentou suicídio quando tinha apenas 17 anos. No entanto, só buscou um médico psiquiatra aos 25, após uma nova crise de depressão. Hoje, aos 28, e também fazendo terapia, sente que tomou a decisão certa. “O processo de achar os remédios e doses certas foi bem longo e sofrido, mas, uma vez que acertamos tudo, eu melhorei muito. Vale a pena porque, quando acerta, a vida muda. Estou num período muito bom de saúde mental agora”, conta ela, que não passa por nenhuma crise há quase dois anos.

Para quem se encontra na situação que ela já viveu, Júlia deixa apenas um conselho: “Converse com quem sente ou já sentiu a mesma dor, já saiu dessa, já melhorou. Porque é clichê mas é real: dá pra melhorar. E ouvir alguém que já esteve no mesmo fundo do poço e saiu dele pode ser muito reconfortante e inspirador”.

O psicólogo Agnelo Junior concorda que a quebra do silêncio em torno da saúde mental e do suicídio é muito importante: “Assim como buscamos falar sobre câncer e sobre HIV quando ainda eram tabus, agora a gente tem que quebrar esse tabu de falar sobre suicídio e conscientizar. O Setembro Amarelo incentiva as pessoas a falarem sobre o que sentem. Uma pessoa que pensa em suicídio, essa pessoa se sente tocada a desabafar e é nesse momento que ocorre uma mudança de pensamento. Aquele peso que ela tinha não é mais só dela”.

Caso você precise de ajuda:
O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar. O serviço é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas. Ligue 188 ou acesse o site do CVV.


Maria Carolina Martuchelli Guedes – 6º período

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