Mais da metade dos brasileiros não possuem diploma do Ensino Médio

Segundo o estudo “Um Olhar sobre a Educação” divulgado no dia 10 de setembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais da metade dos adultos brasileiros com idade entre 25 e 64 anos não possuem diploma do Ensino Médio. A organização sediada em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda, categoria que o Brasil registra o segundo maior nível entre os 46 países analisados.

O índice de brasileiros que não cursaram o Ensino Médio representa mais do que o dobro da média da OCDE enquanto na Costa Rica e no México, o percentual é ainda maior: 60% e 62%, respectivamente, os mais elevados do estudo. Outros países da América Latina obtiveram melhor desempenho como a Argentina, Chile e a Colômbia. O estudo abrange as 36 economias da organização, a maioria desenvolvidas, e dez países parceiros como África do Sul, China, Índia, Rússia e Brasil.

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Aula do programa ProJovem Urbano Foto: Prefeitura de Olinda/ VisualHunt

Apesar de o Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, ainda são baixos. O governo gasta, aproximadamente, R$16 mil por estudante no Ensino Fundamental e Médio, menos da metade do valor investido pelos outros países presentes no estudo.

“Investimentos insuficientes, infraestrutura precária das escolas, falta de formação continuada para os docentes, falta de professores com habilitação nas disciplinas específicas, e um ensino de qualidade, são alguns dos grandes desafios da educação brasileira”, aponta a pedagoga Hozana Cavalcante Meirelles.

Entre continuar estudando ou ingressar no mercado de trabalho, mesmo que em postos informais, a maior parte dos jovens brasileiros escolhe a segunda opção. É o que mostra o relatório “Juventudes na escola, sentidos e buscas: Por que frequentam?“, desenvolvido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais em parceria com o Ministério da Educação e a Organização dos Estados Ibero-Americanos. A dificuldade em conciliar os estudos com o trabalho foi o que levou Edilson Trajano, de 42 anos, a abandonar as salas de aula. “Me sentia cansado e um pouco desanimado em retomar os estudos depois”, conta que atualmente trabalha numa gráfica rápida. 

Assegurar que as pessoas tenham oportunidade de atingir níveis adequados de educação é um desafio para o país. O acesso ao ensino superior vem crescendo, mas ainda é uma das taxas mais baixas entre a OCDE e países parceiros, estando abaixo de todos os outros integrantes da América Latina com dados disponíveis.

Ainda de acordo com a OCDE, os que deixam a escola antes de completar a formação, enfrentam não só dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também têm competências como memória, habilidades motoras e atenção, inferiores às das pessoas que completaram seus estudos. Para Hozana, a educação precisa de mudanças rápidas e para isso os investimentos devem priorizar as reais necessidades dos estudantes. “Um país que não apresenta níveis satisfatórios na educação não tem como vislumbrar um futuro promissor”, finaliza.


Larissa Mendes Penna – 8º período

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