Carioca saiu da redação para liderar equipe de assessoria

O mundo empresarial pode ser concorrido, intenso e incerto. Qualificações são exigidas e o preparo profissional sempre é testado. Apesar de parecer difícil, esse desafio é quebrado pela jornalista Ana Julião (47), carioca que lidera a operação da agência de Relações Públicas Edelman Significa, no Rio de Janeiro, desde 2014. Com uma visão voltada para o recrutamento de novos profissionais e com o questionamento do que é fazer jornalismo nos dias atuais, Ana divide ideias e certezas sobre a profissão e como as agências têm papel importante no meio comunicativo.

Com o pensamento de ser jornalista desde pequena, Ana se formou em Comunicação Social pela Universidade Gama Filho. Apesar de ter trabalhado em veículos como O Globo, Folha de São Paulo e Jornal do Commercio, sua vida profissional seguiu caminhos não esperados. “Na época em que fazia faculdade, achava que o jornalismo era suficiente e me levaria a fazer o que eu havia me programado, que era ser jornalista”, afirma. Mesmo não tendo pensado em se especializar em outra área, deixou o jornal O Globo em 1997 e começou a trabalhar na In Press Porter Novelli, agência de assessoria de imprensa e comunicação, na qual ficou por 16 anos.

Liderando projetos e clientes, Ana se viu em um novo meio profissional, se voltando para as Relações Públicas e descobrindo novas áreas que a redação não disponibilizava. “Uma redação de jornal acaba sendo muito limitadora, no sentido de ficar em uma rotina de trabalho em que você acaba não buscando outras formações”, comenta a profissional. Ao buscar novas áreas de interesse, a jornalista se viu em novos meios de fazer comunicação.  Ao mudar de área, Ana se mostrou eficaz ao trabalhar na consultoria e assessora de diversos clientes globais, como Shell, Petrobrás, e outros como Bradesco.

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Ana Julião

Com 25 anos de grande experiência no mercado de comunicação carioca, ela já participou de grandes eventos, como colaboradora do desenvolvimento dos projetos de visibilidade global, como responsável pelo planejamento estratégico de comunicação dos Jogos Rio 2016 como coordenadora da comunicação da Rio+20. Apesar de o projeto parecer idealizado e traçado como meta a ser cumprida, Ana afirma ser uma pessoa que não costuma se planejar tanto e que tudo acontece devido ao esforço no trabalho. Quem a vê trabalhando pode considera-la séria, e deve.

Defendendo o comportamento profissional na área de trabalho, o comprometimento e a dedicação são indispensáveis para a líder. “O profissional de relações públicas tem que ser multifuncional, tem que gostar de se relacionar e estar em constante busca de aprendizado. É importante dialogar com os outros, e não apenas saber sobre uma área especifica”, defende. Apesar da importância do cargo, hoje, nas agências de comunicação, ela diz que nem sempre a profissão de relações públicas foi valorizada, o que não modifica o cenário atual, mas explica que o passado da carreira não era tão aceito. “Algumas agências até preferiam contratar jornalistas para ocuparem os cargos do que estudavam RP, parecia ser mais amplo para eles”, complementa.

Atualmente, o jornalismo também vem ganhando uma carga negativa em sua visão de plataforma de comunicação e como fonte confiável, visto crescimento da presença das Fake News, principalmente depois das eleições americanas, e pelo jornalismo vendido no cenário político brasileiro. Diante dessa questão, Ana concorda com a perda da relevância da profissão como é vista hoje. “É verdade que o jornalismo vem perdendo significado. A mídia tradicional vem diminuindo de tamanho e alguns profissionais não mantêm a ética, o que dificulta o jornalismo”.

No ambiente, levemente descontraído de seu trabalho atual, a jornalista acredita que a melhor forma de os profissionais de jornalismo de hoje fazerem um bom trabalho é se comprometendo em apurar corretamente e se dedicar, mas não descarta a necessidade de estar preparada para outra tarefa, como trabalhar com questões corporativas. Aos jovens que se formam a cada ano nas áreas de comunicação, Ana destaca que hoje o mercado de trabalho não está preocupado com a segmentação imposta tradicionalmente pelas instituições.

“Eu estava pensando outro dia até quando as universidades vão ter os cursos de comunicação segmentados em áreas diversas. Acho isso hoje uma bobagem, porque o mercado não trabalha com divisão. Ele quer profissionais completos e que saibam o que estão fazendo. Obviamente que isso muda de você quiser trabalhar em um jornal tradicional, mas em agências essa não é mais a questão”, explica, enquanto balança a cabeça em negação. Criativa e em busca de desafios, Ana segue à risca seu pensamento. Sempre buscou fazer atividades diferentes na faculdade, mas os recursos não eram disponibilizados da forma como queria.

Na agência Edelman Significa, pôde se aproximar do desafio e das relações com clientes e grupos diversos. “É uma grande agência que me permite ser multitarefa, o que me faz lidar com coisas diferentes a cada dia. Além de juntar estratégia e criatividade, ela me propicia um crescimento de carreira, e fazemos uma comunicação que eu admiro”, complementa. Com estilo calmo de lidar com os imprevistos do dia a dia e com a demanda empresarial, Ana dá dicas para aqueles que pensam em seguir a profissão, principalmente para os que estão se formando.

“Se o seu sonho é trabalhar em um jornal tradicional, uma redação, tenha noção de onde está pisando e tenha sempre um segundo plano, caso as coisas nesse mercado parem de funcionar, como já está acontecendo. Mas o mais importante é abrir a cabeça para navegar por diferentes territórios e interesses. É importante ser um profissional amante do mundo e da comunicação”. De forma objetiva e conclusiva, sorri ao dizer: “É necessário tirar os preconceitos da frente e seguir buscando possibilidades, casos e soluções. É certo o dever com as instituições e com as pessoas. O mundo precisa de uma boa comunicação”.


Reportagem de Luana Vitória Ucha para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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