Um simples gesto pode mudar uma vida. É com esse pensamento que os voluntários e especialistas do Viva Rio tentam fazer a diferença e mudar essa situação triste que os bancos de sangue estão vivendo. Doar não é considerado apenas um ato de bondade, mas também de cidadania, pelo qual vidas podem ser salvas por uma simples decisão. Uma pesquisa feita ainda esse ano pela Agência Brasil ressaltou que a baixa dos estoques de sangue é uma preocupação mundial e que, no Brasil apenas, de 1,7% a 1,9% da população é doadora.
Para mudar a realidade do país, o Viva Rio tornou-se uma plataforma muito eficaz não só para quem quer começar o voluntariado, mas também para informar a todos que desconhecem a importância desse trabalho que vem salvando milhares vidas no Rio de Janeiro. Um exemplo disso é a voluntária Viviane Oliveira, que há dois anos virou doadora. “Eu comecei a doar sangue para ajudar um parente. A partir disso, percebi o quanto é gratificante salvar vidas com um simples gesto”.
Esse incentivo de doar sangue para ajudar um ente querido é o motivo para a maioria das pessoas iniciarem a vida de doador. Uma pesquisa realizada pelos enfermeiros do Hospital Geral de Bonsucesso aponta que a população não tem a cultura de doação de sangue. Geralmente as pessoas se lembram quando passam por uma situação difícil. E como não existe essa cultura, os bancos de sangue não têm uma boa reserva. É exorbitante a diferença dos números entre doadores e receptores de sangue.

Com o objetivo de conscientizar a população da importância da doação de Sangue, em 2010, o Viva Rio criou a campanha Salvando vidas, gota a gota, para tentar não só aumentar o número de voluntários, mas também fidelizá-los. E já foram mais de 7 mil doadores. As campanhas são realizadas pela internet ou presencialmente, indo nas Clínicas da Família e (UPAs) Unidades de Pronto Atendimento. O projeto conseguiu parcerias com empresas como a Petrobrás e, com esse empenho, a mobilização só tende a crescer. “A FORBIN, escola de formação de estudantes, manda 22 voluntários toda sexta-feira, esse ano já conseguimos 800 doadores. Em 2016, todos os funcionários do Rio 2016 doaram sangue, ou seja, foram mais de mil doadores só de uma empresa”, afirma Jorge Alberto, coordenador da campanha há quatro anos e que está empenhado para que a atual situação no país mude o mais rapidamente possível.
| Voluntários tatuados
O futuro ou atual doador de sangue deve estar ciente de que a tatuagem é uma preocupação para os responsáveis pela coleta e existem certos cuidados que precisam ser tomados. Há vários motivos que levam a pessoa a fazer uma tatuagem: pode ser uma homenagem, alguma paixão ou até mesmo uma brincadeira. Mas poucos sabem o quanto a escolha do local é importante e crucial para quem pensa em ser ou continuar sendo um voluntário. Nem todos os estúdios estão dentro das normas de vigilância, que incluem cuidados como o uso de agulhas descartáveis e tintas individuais. “Nós devemos julgar tudo de uma forma geral. Certos lugares são higienizados, outros não. Não podemos arriscar uma vida e é por isso que tomamos esse cuidado”, diz Mikaelle Santos, enfermeira do Hospital da Posse em Nova Iguaçu. Portanto, os centros de hemograma tomam a precaução de esperar até doze meses depois da realização da tatuagem. É uma medida de segurança para evitar a transmissão de doenças como a hepatite B, que pode demorar até um ano para se manifestar. O cuidado é de suma importância, não só para o bem estar das pessoas que vão receber a doação, mas também dos doadores. Não seria propício transformar um ato de alegria e lazer em uma grave doença. |
Para quem você pode doar?
| Tipos sanguíneos | Receptores |
| Positivo | |
| A+ | A+ e AB+ |
| B+ | B+ e AB+ |
| AB+ | AB+ |
| O+ | O+, A+, B+ e AB+ |
| NEGATIVO | |
| A- | A+, A-, AB+ e AB- |
| B- | B+, B-, AB+ e AB- |
| AB- | AB+ e AB- |
| O- | Doa para todos os tipos (+ / -) |
Fonte: Biosom.blog.com.br
| Quer ser um doador?
Depois de dizer sim a esse gesto de solidariedade, o voluntário deve seguir algumas orientações para que aquele sangue que está sendo doado, chegue bem e tenha qualidade para quem recebe. 1ª) Levar um documento original que tenha foto (identidade, carteira de motorista, carteira de trabalho) 2ª) Estar bem de saúde. Pessoas que possuem, por exemplo, diabetes, anemia ou estão abaixo de 50 kg não podem doar sangue. É feito um teste geral antes para checar o bem-estar geral. 3ª) Estar bem hidratado, por isso o hemocentro encarrega-se de ajudá-los nessa parte. 4ª) Preencher um questionário escrito. Para os que não sabem ler ou têm alguma deficiência na visão, as perguntas serão preenchidas individualmente na sala de triagem. 5ª) Menores de idade podem doar sangue, mas devem ser acompanhados pelo responsável para autorizar a doação. |
Guilherme Aquino e Mylena Santos
*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

0 comentário em “‘É gratificante salvar vidas com um simples gesto’, diz doadora de sangue”