ONG leva futebol para jovens do Haiti

Uma das paixões dos brasileiros é o futebol. No país caribenho Haiti não é diferente: alguns jogadores brasileiros são exemplos para os jovens haitianos. Por essa paixão toda, o Viva Rio – organização social sem fins lucrativos que contribui para a inclusão social e a cultura da paz – decidiu construir a academia de futebol Pérolas Negras em Porto Príncipe em 2011, para atrair os jovens ao esporte e não a seguirem outros caminhos. Em 1993 foi fundado o órgão que ajudaria os jovens haitianos. Muitas mudanças aconteceram desde então, a iniciativa deu frutos e floresceu aqui no Brasil, com a criação da academia em Paty Do Alferes.

“O Viva Rio foi convidado para fazer uma consultoria no Haiti. O lugar já estava vivendo uma situação muito complicada, tinha havido um terremoto no país, e é um lugar sofrido com crises políticas. O lugar entrou em confusão, era uma guerra diferente, na qual os dois lados usavam armas pesadas. Então a ONU interveio no Haiti “, explica Ronaldo Lapa, coordenador de marketing e comunicação estratégica do Viva Rio.

Por aqui, o projeto funciona desde 2016 e tem uma rotatividade de jogadores anualmente, por volta de 60 por ano, totalizando aproximadamente 300 jogadores aqui no Brasil e lá em Porto Príncipe. E, por meio do esporte, a intenção é lançá-los para o mercado do futebol. No Haiti, o mercado é pequeno, e daí surgiu a ideia de fazer outra academia aqui no Brasil, para que os melhores talentos viessem e pudessem entrar no mercado brasileiro.

Alguns jovens retornam para seus países de origem. Ronaldo Lapa fala que alguns voltam até porque sentem saudade, por falta de adaptação aqui. Recentemente, três pediram para voltar devido à distância da família, porque uma vida de atleta é complicada: acordar cedo, treinar diariamente na parte da manhã e estudar à tarde. Alguns jogadores já foram para times grandes, como Botafogo, Atlético, Grêmio e Goiás, diz Ronaldo.

Jean Schwetze, de 20 anos, haitiano que morava em Porto Príncipe, está no time Pérolas Negras há três anos e diz que gosta muito de jogar. Sua família ficou no Haiti, pois ele veio sozinho para o Brasil. Jean é atacante e meio campo do clube, treina na parte da manhã e estuda à tarde. “ Eu aprendo muito na academia, e gosto de ser jogador de futebol”, diz.

Enquanto isso, aqui no Brasil, a escolha de Paty do Alferes é explicada por Ronaldo Lapa: “Porque é legal arrumar um lugar longe do centro urbano, e Paty é um lugar perto de Miguel Pereira, agradável, lá conseguimos um hotel fazenda, eles têm lá todas as comodidades que não teriam aqui no Rio, na cidade grande. Os atletas haitianos moram na academia e os que são brasileiros moram em suas casas”.

No Haiti, localizada nos arredores de Porto Príncipe, a academia está instalada em uma área de 50 mil metros quadrados, dispõe de quatro campos de futebol, uma piscina, uma área para ginástica e pode acomodar até 96 atletas. Além de uma formação esportiva, os atletas frequentam o programa educacional e têm apoio de fisioterapia, nutricionista e saúde. A parte técnica é composta por profissionais escolhidos por meio de uma parceria com a universidade de Viçosa, em Minas Gerais.

FullSizeRender (7)

(Foto divulgação – Viva rio, academia no Haiti)

Rafael Guiduci, fisioterapeuta do Pérolas Negras, entrou para o clube em 14 de fevereiro de 2013. Ele acompanha os treinos e, em paralelo, o consultório de fisioterapia em período integral. Ele viveu por três anos na academia no Haiti e hoje trabalha em Paty do Alferes. “ Os jogadores têm um cronograma de treino semanal, que varia de treinos técnicos, físicos e preventivos. Tenho vários objetivos, mas os principais são conseguir o reconhecimento e o amadurecimento profissional e poder ajudar os atletas e o projeto a atingir o sucesso”, explica Rafael.

IMG_3081

(Foto divulgação Viva Rio- Rafael Guiduci)

O clube já ganhou vários troféus, entre eles, de Campeão Nacional do Haiti (Sub-15\ 2012), Campeão do torneio de três Rios (Rijo\2015) e única equipe estrangeira da Copa de Futebol (São Paulo \ 2016). Hoje, o Viva Rio se mantém com ajuda de patrocínios financeiros, de pessoas físicas, jurídicas e governos. Mas, segundo Ronaldo, eles lutam diariamente para conseguir mais ajuda, porque ainda falta investimento. No início do projeto, houve a ajuda do magnata Joel Sobes, que até hoje contribui para a ONG. Com isso, os jogadores do Pérolas Negras vão atuando em campeonatos, treinando para alcançar o sucesso, pois o time não funciona sem jogadores, mesmo com todas as dificuldades que o Viva Rio vem enfrentando.


Priscilla Fernandes 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Um comentário sobre “ONG leva futebol para jovens do Haiti

  1. Sou edson Pereira de Araújo. Presidente do projeto social ECAM ATLETAS MIRINS desejo fazer contato com voces. Temos parceria com um clube profissional

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s