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Ziraldo quer livrarias nos estádios de futebol

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O escritor Ziraldo [foto: Ana Colla\divulgação]
Escritor, cartunista e criador do famoso personagem “Menino Maluquinho”, Ziraldo foi apresentado como o grande convidado do segundo dia (01/09) da Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro autor brasileiro a criar uma história em quadrinhos sozinho, a “Turma do Pererê”, em 1959. Durante a ditadura militar no Brasil, foi um dos fundadores do semanário “O Pasquim”. Nos anos 80, publicou a história do “Menino Maluquinho”, personagem mais conhecido do escritor até hoje e que inspirou várias gerações.

Em entrevista exclusiva à AGÊNCIAUVA, Ziraldo defende que o hábito da leitura seja abordado com maior seriedade pelo governo, fala sobre o mercado literário e sobre o futuro de quem planeja seguir por esse caminho, e afirma que estádios de futebol deveriam ter livrarias. Com 84 anos, se orgulha de ter domínio sobre o assunto.

AGÊNCIAUVA: Como o senhor avalia o mercado literário?

Ziraldo:  O brasileiro lê mais do que o pessoal pensa. Eu acho que a distribuição de livros no Brasil ainda é deficiente. Cidades de porte médio, por exemplo, não têm livraria. Os livros são vendidos em papelarias e elas não são a casa dos livros. A casa do livro é a própria livraria. Eu acho que livro precisa ser popular, precisa ser prestigiado. O governo deveria pegar a bolha literária brasileira e fazer com que o povo tenha acesso a ela. Deveriam ser instalados pontos de livraria em vários lugares, como por exemplo, nos estádios. A gente tem que facilitar a chegada do livro na mão do brasileiro.

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Ziraldo concedendo entrevista [foto: Francisco Valdemir\Agência UVA]

O senhor concorda com o método de ensino nas escolas?

Ziraldo: O livro é o objeto mais fantástico que o ser humano inventou. Ficam inventando currículo para limitá-los. Tudo é conversa jogada fora. O que o professor deveria ensinar é só leitura, aprender a ler, dar o código e deixar o aluno se virar. É ler, escrever e contar, só isso. A criança deve saber ler, entender o que está lendo, escrever o que ele está pensando e fazer as quatro operações matemáticas. A criança sabendo fazer isso tudo, ela está preparada para a vida.

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O autor mostrou muita convicção em suas opiniões [foto: Francisco Valdemir\Agência UVA]
Qual seu conselho para quem deseja ingressar nesse meio?

Ziraldo: Escreva seis volumes e mande para a editora, porque não adianta ter pistolão (contatos), porque ninguém vai editar um livro só porque é amigo de outro cara. O editor só edita um livro quando pega o material e pensa: “Esse cara escreve maravilhosamente bem”. O jeito é entrar em um concurso, escrever três ou quatro cópias e deixar tudo na editora até descobrirem você. Talento é igual a diamante, você acha no fundo do rio e se você tiver talento, pode acreditar, eles vão te descobrir.

Gustavo Barreto – 6º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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