A voz em cena

Encontro de alunos e ex-alunos de fonoaudiologia da UVA contou  com apresentação de trabalhos e performance de música erudita.

Na última quinta-feira (18), o auditório do Campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida recebeu o X  Encontro Científico de Alunos e Ex-Alunos. O evento, que foi organizado pela professora Isabela Poli (UVA), teve como objetivo apresentar os trabalhos de conclusão de curso dos alunos de Fonoaudiologia que foram bem avaliados pela banca. As atividades começaram na parte da tarde, pouco antes das 14h, com o tema “Saúde vocal de estudantes universitários de canto erudito de uma Universidade do Município do Rio De Janeiro: analisar informações para prevenir problemas”, de Amanda Mãra Rizzoto. O trabalho da recém formada foi feito a partir do acompanhamento de 37 alunos de canto erudito e de como eles cuidavam de suas vozes.

Segundo Amanda, muitos cantores não tinham a devida preocupação com a voz. “Observamos que alguns alunos bebem água gelada antes do ensaio, outros se deitam logo após as refeições. Esses fatores levam ao refluxo, que podem gerar problemas na garganta”, afirmou. Outros hábitos prejudiciais, como falar alto, também foram observados pela pesquisa, mostrando que apenas 22% dos estudantes não costumam praticá-los. Depois, a Fonoaudióloga alertou para o consumo de bebidas alcoólicas. Cerca de 35% dos cantores que responderam ao questionário da ex-aluna bebem aos finais de semana, fator que prejudica o desempenho nas aulas.  “Muitas vezes, a falta de hidratação provocada pela bebida resseca a voz, e algumas pessoas não têm esse cuidado com a própria voz”.

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Amanda Mãra [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Ainda na parte das análises realizadas pelo trabalho, foi concluído que  35% dos alunos sofrem de dores de garganta pelo menos 3 vezes ao ano – um índice bastante alto para quem trabalha com a voz. “O problema acontece porque a maioria das pessoas só busca ajuda quando a garganta está comprometida, e não procuram métodos de prevenção”, ressaltou.  A proposta de Amanda para resolver os problemas encontrados no estudo se dá pela implementação de disciplinas e palestras preventivas de cuidado com as cordas vocais. “Dessa forma, os estudantes e cantores podem ter maiores informações sobre o que deve ou não ser feito.”, concluiu. No fim de sua apresentação, ela performou uma canção erudita para o público, que se emocionou e a aplaudiu de pé.

Logo após a chuva de aplausos, foi a vez dos temas “Reabilitação vestibular como ferramenta na mudança do equilíbrio do idoso” de Isabela Rodrigues Cabral  e “Avaliação do equilíbrio de idosos após um programa de Reabilitação Vestibular”  de Taís Cristine Fernandes.  O trabalho de ambas se propõe a ajudar idosos com problemas de tonturas e vertigens através das análises e terapias para evitar eventuais quedas. “Nós queremos que a população envelheça com saúde e qualidade de vida”. Os métodos utilizados foram os questionários e os resultados do teste TUG (Time Up and Go), que se baseia em observar o equilíbrio e a estabilidade dos pacientes a partir do cálculo tempo. “Basicamente, o idoso se levanta, caminha 3 metros e retorna para a cadeira. Até os 20 segundos, a pessoa possui baixo risco de queda. Acima disso, o risco já é alto”, afirmou Isabela. “Os resultados obtidos com as terapias e testes realizados com os idosos foram satisfatórios e muitos apresentaram melhora significativa das tonturas”, completou Taís.

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Isabela Rodrigues [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Em seguida, às 15h30min, teve inicio a apresentação de Yasmin D’Águila, com o tema “Uso da nomenclatura das consistências alimentares utilizadas pelos fonoaudiólogos nos serviços do Rio de Janeiro.  O objetivo é analisar se existe concordância na nomenclatura usada pelos fonoaudiólogos. A convidada analisou os processos de deglutição, saudáveis ou não, e a relação com os alimentos. Segundo ela, a alimentação possui aspectos biopsicossociais. “O ato de se alimentar, que vem desde a amamentação, pode produzir efeitos psicológicos, como é o caso da anorexia, biológicos, que surgem a partir da nutrição e sociais, gerando sensação de proximidade ou isolamento através da comida”. Ela avaliou que, em alguns casos, os profissionais de fonoaudiologia não estão atentos a consistência dos alimentos de pacientes com problemas de deglutição. “É um fato  que pode gerar diversos danos, como, por exemplo, o aparecimento de pneumonias e até mesmo levar a óbito”, alertou.

A organizadora do evento, Isabela Poli, falou sobre a importância dos trabalhos apresentados. “É uma oportunidade de dar voz  e mostrar valor aos alunos e ex-alunos do curso. Já para quem veio assistir, é uma chance de ter contato que temas que podem ser trabalhados no fim do curso”. Segundo ela, a desmistificação também é um passo importante. “Nós queremos que os estudantes saibam o que é uma boa apresentação e que tenham vontade de estar aqui exibindo bons trabalhos, mas para isso é preciso “quebrar o gelo”, e colocá-los em contato com eventos desse tipo”.


Thainara Carvalho – 50 período

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