Novos ataques cibernéticos afetaram milhares de usuários, mas os desdobramentos parecem que estão longe de ter fim.

O que poderia ser o trailer de uma nova temporada da série  americana “Mr. Robot”,  acabou acontecendo na vida real. Na última sexta-feira (12) um ataque cibernético tomou conta dos computadores com sistema Windows pelo mundo. O malware, que ficou conhecido como WannaCry, afetou os sistemas públicos de pelo menos 150 países, incluindo o Brasil. Ao todo, foram registrados cerca de 200 mil ataques. O vírus inutiliza o sistema e seus dados, até que seja paga uma quantia em dinheiro. Os hackers, para não serem descobertos, utilizam os bitcoins (moedas virtuais). O golpe foi realizado através do e-mail e funciona da seguinte maneira: um anexo é enviado aos usuários e, ao clicar, o computador é infectado, criptografando todos os arquivos e dados. O resgate só pode ser feito através do pagamento de uma quantia que chegava a custar R$ 1 mil.

A tecnologia utilizada para o ataque foi desenvolvida pelo governo americano através da NSA (Agência Nacional de Segurança). O país, que é conhecido por suas corridas armamentistas e bombas, possui também um poderoso arsenal de armas de guerras virtuais, que são usadas para espionar governos. Porém, esses recursos foram roubados por hackers no ano passado e utilizados no ataque da última semana. Felizmente, após a turbulência, o dia foi salvo por um jovem britânico de 22 anos, que, em um ato heroico, conseguiu frear o vilão do dia, através da análise do comportamento do vírus.

Agora, segundo informações do Correio Braziliense, após o ataque da última sexta-feira, especialistas em segurança cibernética descobriram a existência de um outro vírus ligado ao WannaCry, o Adylkuzz. De acordo com Robert Holmes à AFP, representante da empresa de segurança cibernética Proofpoint, a magnitude pode ser muito maior que o WannaCry. “Ainda desconhecemos o alcance, mas centenas de milhares de computadores podem ter sido infectados”. Holmes ainda destaca a proporção das ações deste malware. “Já aconteceram ataques deste tipo, com programas que criam moeda criptográfica, mas nunca nesta escala”.

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[foto: Reprodução da Internet].

Recentemente, especialistas de segurança indicaram que a Coreia do Norte esteja ligada aos ataques. Os indícios são de que o WannaCry possua o mesmo código de vírus criados pelo Lazarus Group – grupo de hackers financiado pelo regime de Pyongyang. Outro fator analisado foi o fuso horário dos ataques, que corresponde ao do país. Apesar de a situação estar controlada por enquanto, há sinais de que um outro ciber ataque esteja a caminho, segundo a empresa de segurança online Proofpoint. O novo malware pode ser ainda mais destrutivo do que seu irmão mais velho WannaCry, se proliferando em maior escala e gerando danos muito piores, como o roubo de dados e o recebimento de pagamento em moeda virtual sem que o usuário tenha conhecimento.

O panorama, que parece ser o de um filme de terror com toques de ficção científica, elevam as discussões a um outro patamar. Quão realmente a salvo  estariam os nossos dados na web? Essa é uma daquelas perguntas que servem de alerta para a necessidade de maior atenção, tanto por parte dos usuários, quanto pelas empresas de segurança da internet. Em um período tecnologicamente delicado como esse, se proteger de novos ataques é crucial. Ao que tudo indica, a utilização de um HD externo pode se tornar um item indispensável aos internautas.


Thainara Carvalho – 50 período

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