Evandro Teixeira e os 50 anos do fotojornalismo
Parecia ser apenas mais uma noite de aula, porém, não para os alunos do curso de Comunicação do Campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida. A última terça (08) foi uma noite que será sempre lembrada por aqueles que compareceram ao evento realizado pelo Núcleo UVA de Estudos em Jornalismo, coordenado pelas professoras Diana Damasceno e Daniela Oliveira, que tem como objetivo apresentar os trabalhos monográficos de alunos já formados do curso. Desta vez, o projeto escolhido para apresentação foi o da estudante Bruna Rodrigues, que tem como tema o trabalho do fotógrafo Evandro Teixeira, um dos maiores da história do Brasil.

Apesar de ser um documentário que ainda está em fase de preparação, pois a aluna só irá defendê-lo no fim de novembro, foi escolhido não apenas para mostrar para os alunos como é um trabalho de conclusão de curso, mas também, para celebrar os 50 anos do fotojornalismo com uma palestra do próprio Evandro.
Mesmo com a idade avançada, Evandro não se abalou com a forte chuva que caiu antes do evento começar e passou para os presentes toda a sua experiência como fotógrafo e jornalista, agraciando-os com seu forte sotaque baiano por algumas horas. Durante a palestra, o fotografo contou toda a trajetória, desde quando veio para o Rio em 1957, até a comemoração dos 50 anos de carreira.
O fotógrafo proporcionou aos presentes uma verdadeira viagem no tempo de volta a Ditadura Militar do Brasil e também a do Chile, onde também esteve presente fazendo registro das diversas manifestações da época. Com toda a simplicidade, Evandro deu uma verdadeira aula de história e mostrou como era a realidade da época a cada passar de imagem. O tema já era denso o suficiente, mas uma foto chocou o público. O registro da morte do poeta e ganhador do prêmio Nobel de 1971, Pablo Neruda. “Talvez tenha sido o momento mais dramático da minha vida. Ver um homem importante na literatura mundial ter sido morto pela ditadura”, enfatiza Evandro, e continua: “o dia da morte do Neruda, foi o mais dramático e emocionante da minha vida e ao mesmo tempo o mais lindo, pois eu estava lá. Só eu”.
A viagem no tempo chegou até os dias atuais em que a fotografia está cada vez mais fácil e acessível para a população. Ele afirma que naquela época o clique selecionava os momentos mais decisivos da imagem, e atualmente a seleção vem depois do clique. Ao fim, Evandro ainda incentivou os alunos a seguirem na área e deixou a seguinte frase: “nós temos que acreditar sempre no nosso trabalho, é a única maneira de fazer com que as coisas deem certo”. Depois dessa aula especial, a reação do público não poderia ser diferente, aplausos e mais aplausos ecoaram pelas paredes da antiga Capela da Universidade.
Brigida Brito– 8 período
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