A tensão médica de todo dia

529344-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxQuando vidas estão em risco e precisam de ajudas, todo esforço para ajudá-las é aceito. Até mesmo quando esse processo envolve sacrifícios pessoais. No novo longa do diretor Andrucha Waddington (“Os Penetras” e “Rio, Eu Te Amo”), intitulado de “Sob Pressão”, essa filosofia é seguida à risca pela – quase heroica – equipe de médicos de emergência de um hospital do Rio. O filme mostra o que há de melhor, e pior, do dia-a-dia de um time de socorristas, que entre conflitos éticos e morais, devem conciliar as vidas pessoais com a função primordial da profissão, salvar vidas.

Contextualizando, Evandro (Júlio Andrade) é um médico chefe de um hospital que fica localizado dentro de uma favela do Rio. Em meio a uma guerra entre policiais e bandidos, ele – juntamente com sua equipe de doutores e “estagiários”, formada por especialistas como Dr. Paulo (Ícaro Silva) e Dr. Carolina (Marjorie Estiano) – tem que socorrer um soldado da PM e “dono do morro”, gravemente feridos, ao mesmo tempo. E para completar, uma criança também sofre lesões e é levada à UTI. Tudo isso em meio ao cenário caótico de tiros, conflitos pessoais e rixas da instituição.

O filme, honrando o nome, passa uma sensação de pressão desde os primeiros minutos, mantendo o tom firme até os últimos takes. Um belo roteiro que consegue – de forma mais romantizada, claro – passar o cotidiano de um médico, que – por sua vez – muitas vezes prefere sacrificar a própria saúde para atender quem precisa. Com evidentes referências a histórias americanas, Dr. Evandro é quase um “Dr. House brasileiro”.

Falando no Dr. Evandro, Júlio Andrade merece aplausos. Premiado com o título de “Melhor ator” na edição deste ano do Festival do Rio, o artista falou sobre como foi o processo de entrar no personagem.

Ainda falando de atuações, Stepan Nercessian também se destacou como Samuel, diretor do hospital. Tanto que também foi premiado no Festival do Rio, na categoria de “Melhor Ator Coadjuvante”. Andrea Beltrão, Ícaro Silva e Marjorie Estiano também vão bem. Todavia, a relação afetiva entre estes dois últimos é meio forçada e até desnecessária no roteiro.

Outro ponto negativo da obra é a forma que o diretor escolheu a fotografia do longa. Mais parece uma novela popular. Não há aquele tom artístico, típico do cinema. Todavia, a qualidade da produção artística quase que anula esses erros, de tão boa que foi. O Hospital, muito bem decorado, foi um ótimo acerto da cenografia, que ainda conseguiu recuperar máquinas antigas da medicina para usarem no filme.

“Sob Pressão” é um ótimo filme nacional. Que passa ao espectador não só a sensação de ver um bom longa, como também todo contexto filosófico que paira sobre o cotidiano da medicina. Explorando um debate ético e moral de uma profissão de suma importância para a sociedade.


Iago Moreira- 6º Período

2 comentários sobre “A tensão médica de todo dia

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