Cinema

Turbilhão de emoções

324822-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxQual será o resultado de um produto cinematográfico feito por um diretor acostumado a trabalhar em produções televisivas? Na maioria das vezes o filme se mostra pobre e sem o toque artístico que o cinema precisa. Mas esse não é o caso de “Redemoinho”, de José Luiz Villamarim, consagrado por comandar novelas como “Avenida Brasil” e “Paraíso Tropical” e a série como “Justiça” e “Amores Roubados”.

Diferentemente do recorte de televisão, o diretor soube usar muito bem a linguagem poética para contar uma história. Aliado a participação de luxo de Walter Carvalho na fotografia, Villamarim soube fazer uma obra digna de aplausos. Muito curta, é verdade, mas ainda sim interessante e que consegue prender a atenção do expectador, seja pelas ótimas atuações ou pelos enquadramentos de tirar o folego.

Contextualizando, “Redemoinho” – que é baseado no livro “O Mundo Inimigo- Inferno Provisório Vol. II”, de Luiz Ruffato – conta a história de uma dupla amigos, Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade), que depois de muito tempo separados, se reencontram na véspera de natal e relembram fatos do passado. Os bons e os ruins.

Gildo e Luzimar tomaram caminhos diferentes depois da infância. Enquanto este permaneceu na pacata cidade interiorana de Cataguases, aquele foi para São Paulo. O reencontro evidencia as diferenças comportamentais de cada um, mostrando o que eles tem de melhor e pior. Um fato importante é que esse recorte de tempo é na véspera de natal e os dois personagens tem de lidar com situações individuais com suas próprias famílias.

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A história da obra é muito simples, muito mesmo, tanto que muitos críticos de cinema reclamaram que era melhor ter feito um média-metragem, para dar mais ritmo. Todavia, a linguagem poética escolhida por Villamarim e os recortes fotográficos feitos por Walter dão compensam os furos do roteiro de George Moura.

Outro ponto que vale a pena ser exaltado são as atuações. Irandhir Santos ganhou o prêmio de melhor ator do Festival do Rio (empatado com Júlio, mas este ganhou por seu desempenho em “Sob Pressão”), mas o real destaque do elenco são as mulheres, principalmente Dira Paes (dando vida à Toninha, mulher do Luzimar) e Cássia Kis Magro (se passando por Marta, mãe do Gildo). As atrizes encarnam personagens submissas aos homens – o que retrata a realidade machista que persiste em existir no Brasil – e conseguem transmitir todas as dores internas para o público, mesmo em cenas que não há falas. Fechando as contas, “Redemoinho” é uma bela obra, com alguns erros é verdade, mas que impressiona em diversos momentos e se redime pelos equívocos.


Iago Moreira- 7º Período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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