De excluídos à populares, conheça os novos Nerds

Saiba mais sobre a cultura que hoje movimenta milhões de fãs e bilhões de dólares em todo mundo.

Eles superaram o estereótipo de ‘esquisitos’ e hoje são os novos populares. Seja no cinema, na televisão ou nas livrarias, é inegável que os nerds vêm tomando conta do mercado mundial. De blockbusters à best-sellers, produtos ligados a essa cultura estão em destaque, não só na internet, mas no dia-a-dia de um público que cresce cada vez mais. E o potencial que esse grupo representa não tem passado despercebido. O que começou como paixão entre fãs hoje gera faturamentos bilionários para a indústria do entretenimento.

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Onomatopéia comum nos quadrinhos. [foto: Clarice Frauches]

Ainda hoje, não existe consenso entre estudiosos sobre quando o termo nerd foi usado pela primeira vez. De qualquer maneira, o estereótipo associado à palavra ficou conhecido a partir dos anos 70. Na época, o termo era usado para denominar os alunos inteligentes e pouco populares, que gostavam de temas relacionados à cultura, ciência e tecnologia. Além de serem excluídos socialmente, eles eram, também, constantemente ridicularizados pelos colegas.

A especialista em comunicação Lia Amancio, em entrevista para o portal de notícias G1, explica que o que mudou foi a sociedade. “O nerd não mudou. Ele continua sendo aquele cara completamente ligado e entendido sobre certos assuntos, como tecnologia e quadrinhos. O que mudou foi a cultura atual, que valoriza isso”, afirma ela.          De fato, filmes, séries e livros voltados ao público nerd já existiam desde os anos 60, como o famoso seriado de ficção científica Star Trek (“Jornada nas Estrelas”), que foi ao ar pela primeira vez em setembro de 1966.

Para Lia, foram os avanços tecnológicos que influenciaram de forma crucial a área comunicacional e causaram uma valorização social da tecnologia e da ciência. Assim, o nerd foi se modificando e se vinculando com o novo e com o sucesso. Consequentemente, produtos pertencentes ao gênero característico dessa cultura, como a fantasia e a ficção científica, se popularizaram e se expandiram.

Uma indústria bilionária

Hoje, a chamada Cultura nerd movimenta não só milhões de fãs, mas também bilhões de dólares. No cinema, filmes de super-heróis, ficção científica e fantasia têm invadido os grandes estúdios cinematográficos. Para se ter uma ideia, segundo o site norte-americano The Numbers, o último filme da franquia intergaláctica Star Wars (Star Wars Ep. VII: O Despertar da Força), lançado em 2015, fez tanto sucesso nas bilheterias pelo mundo, que atualmente ocupa a terceira posição na lista de maior faturamento da história do cinema, com um rendimento total de mais de 2 bilhões de dólares.

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Poster fanmade sobre a saga Star Wars. [foto: Clarice Frauches]

Na televisão, a situação não é diferente. Com cada vez mais frequência, emissoras estão apostando em histórias que fazem parte do universo nerd. Um dos mais conhecidos exemplos que ilustram esse cenário é a série The Big Bang Theory, cujo tema gira em torno, justamente, da vida de quatro jovens nerds. De acordo com a Nielsen, empresa responsável pela medição de audiência das emissoras americanas, em 2015, a série foi o segundo programa mais assistido da TV aberta dos Estados Unidos, com uma média de 21 milhões de espectadores por episódio.

Adaptações de histórias em quadrinhos também têm se tornado cada vez mais comuns, principalmente no formato de seriados televisivos. The Walking Dead, Arrow e The Flash são apenas alguns exemplos que saíram das páginas para as telinhas. A aposta das grandes emissoras em programas com essa origem deve crescer ainda mais. Segundo uma notícia publicada pelo site de entretenimento Den of Geek, em agosto de 2015, pelo menos mais 39 outras adaptações de histórias em quadrinhos para a TV estão atualmente em produção.

Evento para os nerds brasileiros

Aqui no Brasil, a popularidade da cultura nerd gera a realização de diversos tipos de encontros e convenções. Entre os mais conhecidos está a Comic Con Experience (CCXP). A feira é a maior de seu tipo da América Latina e reúne fãs de todas as partes para presenciar lançamentos exclusivos, estreias e palestras inéditas relacionados ao mundo da TV, do cinema, anime, ficção científica, literatura e jogos.

De acordo com dados levantados pelo site Omelete, só no ano passado, a CCXP teve um público total de 142 mil pessoas. Em 2016, a expectativa é que 180 mil pessoas passem pelos quatro dias de convenção, que acontece entre os dias 1 e 4 de dezembro, em São Paulo. Os ingressos para a Comic Con já estão à venda desde o dia 8 de abril e para comprar basta entrar no site oficial do evento. Algumas das atrações já foram anunciadas e os nerds brasileiros já estão garantindo suas entradas.

A paixão de um fã

Um nerd de verdade, precisa estar ligado em tais eventos. A diversidade nas atrações é o maior chamariz do público, englobando todos os temas inseridos nessa cultura. Um fã que sempre marca presença é Paulo Vitor Vasconcellos, de 21 anos. Por mais que já tenha comparecido em edições da Expo Geek e do Rio Anime Club, ele afirma que nada é igual a CCXP.  “Esse é o maior evento de cultura pop/nerd do Brasil. Uma das melhores experiências que já tive. Pretendo retornar nesse ano”, completa o admirador.

A paixão de Paulo Vitor por essa cultura começou desde cedo. Mesmo pequeno, ele já demonstrava interesse. Aos 10 anos de idade teve o seu primeiro contato com a saga Harry Potter, escrita pela autora J.K. Rowling, uma das séries mais famosas desse meio, vendendo mais de 450 milhões de cópias no mundo todo e dando origem a diversos outros produtos. Logo após, ele descobriu os super-heróis e quadrinhos. Segundo o admirador “tudo foi acontecendo gradativamente”.

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Paulo Vitor com sua coleção de action figures.

Para Paulo Vitor, o entusiasmo pela área tem uma explicação. “Nós vivemos em um mundo cheio de problemas e eu considero a ficção como uma válvula de escape. Fugir da realidade às vezes é bom. Faz a gente relaxar do estresse do dia a dia e esquecer as coisas ruins”, afirma o fã. E completa falando que as pessoas precisam “de um momento só nosso e nada melhor do que assistir a um bom filme ou série, ler uma revista em quadrinho ou jogar vídeo game para se desconectar por algumas horas”.

Fã de carteirinha de super-heróis, Paulo Vitor não vê nenhum problema no “bombardeio” de produtos desse gênero gerado pelas empresas. Muito pelo contrário, ele até comemora. “Há uma necessidade das mídias de estarem sempre apresentando conteúdos novos. Hoje vivemos a era dos filmes de heróis. E isso é incrível! Quem nunca desejou ter superpoderes? ”, questiona o, orgulhoso, nerd. Pare ele, as pessoas veem os super-heróis como um reflexo de si mesmos. Paulo acha que “os super-heróis afloram a nossa criança interior, e eu acho importante que não a deixemos morrer nunca”.

Para a felicidade de Paulo Vitor, e de todos os fãs da cultura nerd espalhados pelo mundo, esse mercado ainda vai continuar crescendo e se desenvolvendo ao longo dos anos, pelo menos é o que ele acha. “Há uma infinidade de conteúdo que até hoje não foi apresentado e tem muito material que, se bem trabalhado, pode gerar sucesso. O que esse universo tem de melhor, é a criatividade. As histórias nunca acabam e sempre tem algo novo a ser introduzido ou algum território inexplorado”, acrescenta o fiel seguidor.

Cosplay: transformando imaginação em realidade

Antes de qualquer definição, é importante mencionar que essa atividade se tornou uma das maneiras mais expressivas de demonstração de apoio dos fãs às obras da cultura nerd. O movimento cosplay tem crescido ao redor do mundo e se tornado o hobby preferido das pessoas que querem fugir um pouco da realidade e viver como seus heróis. Mas afinal, qual é o significado dessa expressão? O termo tem origem na contração das palavras de origens inglesas “costume” – traje/fantasia – e “play” – brincadeira/interpretação –, e consiste na caracterização de personagens que pertencem ao mundo do entretenimento nerd, como games, quadrinhos, filmes, séries de TV, livros e animações.

Ser cosplayer não se limita a se vestir à caráter. Parte dessa atividade está na transformação por completo do praticante no papel escolhido para representar, antes mesmo de se expor em público, pois, além de criarem seus próprios trajes – atividade conhecida como “DIY” (Do It Yourself) –, também interpretam o personagem adotado, reproduzindo os traços de personalidade como postura, falas e poses típicas. Assim é com Jorge Henrique, que enxerga nessa prática a oportunidade de sair do mundo da imaginação e dar vida aos seus personagens favoritos. “O cosplay não é uma roupa bonitinha, mas sim o conjunto de roupa e interpretação” diz o contador de 27 anos.

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Cosplay do personagem Saitou Hajime realizado Jorge Henrique.

Apesar de frequentar eventos da cultura nerd há mais de 12 anos, a vontade de fazer parte desse mundo como cosplayer nasceu em 2010, mas devido a falta de recursos para confeccionar um traje completo, Jorge precisou adiar seus planos e somente em 2014 foi possível montar o primeiro. Com a ajuda de dois amigos, conseguiu produzir Mirok – personagem do mangá InuYasha –, que se tornou uma de suas atuações preferidas. “Era um projeto que eu há muito desejava e o dinheiro nunca sobrava” revela o contador.

Desde então, em apenas 2 anos como cosplayer, ele já tem 7 personagens no currículo. Diferentemente da maioria, Jorge não tem como objetivo disputar e ganhar prêmios em competições, pois para ele, a melhor parte não está na pré ou na pós-produção, mas sim no momento em que tem a chance de conhecer pessoas que curtem o mesmo tipo de entretenimento que ele, atuar e tirar fotos fazendo referência ao personagem.

Para o cosplayer, junto com a difusão da cultura nerd no Brasil e devido ao assunto estar tão em destaque, vem ocorrendo, também, o crescimento do grupo de pessoas que se envolvem nesse universo apenas para atingir certo reconhecimento. “Para ser bastante sincero, a grande maioria quer aparecer. Maior parte dos cosplayers de hoje em dia, apenas fazem isso para ter alguma visualização social naquele grupo” declara Jorge. Ainda assim, ele enxerga de maneira positiva o apoio cada vez maior à cultura nerd e acredita que, independente da motivação dos cosplayers, o que todos têm em comum é a facilidade de estabelecer amizade com pessoas que curtem o universo da ficção e fantasia.

Aliás, a expansão da cultura nerd no Brasil é eminente. A nação tem se tornado representativo no mundo cosplay, ao ponto de já ter conquistado algumas premiações internacionais, como o World Cosplay Summit e o Yamato Cosplay Cup International. Além disso, o país também tem desenvolvido seus próprios campeonatos, inserindo ainda mais essa cultura na rotina dos brasileiros. Competições como a Liga Cosplay Rio e o Campeonato Brasileiro de League of Legends. estão sempre presentes nas grades de eventos, como no Rio Anime Clube, no Expo Geek e também, é claro, na Comic Con Experience.


O mundo nerd chega ao Campus da UVA

Entre os dias 06, 07 e 08 de junho, na universidade Veiga de Almeida, no campus Tijuca, acontecerá a Secom (Semana de Comunicação) O tema desse ano será “Cultura pop e contemporaneidade” e vai contar com palestras, oficinas, um espaço dedicado à história da moda, do consumo e um ambiente exclusivo a cultura geek.

O objetivo do evento é trazer debates e questionamentos sobre a cultura pop e esse cenário pode levantar dúvidas e opiniões, como explicou a estudante de jornalismo Nathalia Araújo, que está participando da organização do evento. “Eu acredito que com esse tema nós vamos trazer para debate o que é essa cultura pop no mundo em que vivemos hoje, o que pode ser considerado cultura pop e qual a influência dela na sociedade” afirma a aluna.

No dia 7 de junho, às nove horas, o evento contará coma presença da carioca Paula Ramos, de 22 anos, redatora e colunista do portal Poltrona Nerd. Ela faz parte da ‘Geração Harry Potter’ desde os 7 anos, o que a levou ao mundo pop/geek/nerd, além de despertar sua paixão por livros e filmes. Ela vai falar sobre o poder do universo geek na cultura pop contemporânea.


Para os alunos que quiserem participar das atividades ou oficinas, fique atento ao site do evento: http://www.facebook.com/secomuva/. As inscrições serão abertas em breve.


Clarice Frauches – 7° Período
Thiago Nunes – 7° Período
Cynara Costa – 7° Período
Felipe Nobre – 7° Período

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